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O mito do espantalho

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O espantalho é um boneco feito de palha e tecido, com aparência de uma pessoa, com o intuito de espantar animais das plantações. Longe de realista, o espantalho possui uma forma grotesca, o que causa medo não pela possibilidade de ser alguém vigiando a plantação, mas um monstro à espreita de uma possível vítima. Em meio urbano, o espantalho é uma representação grotesca de alguém, de uma instituição ou mesmo de uma situação, criado com o intuito de denegrir a imagem ocultando os verdadeiros traços do alvo. Perceba que boa parte das pessoas criticadas hoje em dia não o são por fatos verdadeiros, mas por factoides que acabam por permitir críticas além da conta de forma "aceitável". Talvez, mais importante que expor a verdadeira imagem da pessoa, seja expor quem criou o espantalho, pois este é o maior interessado na distorção da imagem para agredir seu alvo sem sofrer represálias, pois aparentemente haveria justificativa para tal. Fora que o criador do espantalho possui algum

A pós-verdade chegou

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A busca pela conveniência ganhou o conveniente nome de pós-verdade : agora é necessário que alguém valide a verdade como tal, não mais a pessoa ser considerada confiável por buscar e expressar a verdade. O fato deixou de ser absoluto em si para tornar-se fruto dos interesses de seus envolvidos direta e indiretamente. É a relativização da verdade em seu apogeu. Se antes ainda havia discussão sobre a confiabilidade de estudos fora do âmbito acadêmico, sobretudo em relação às Humanidades, agora o embate deixou de existir em nome de um "selo de autoridade" para assuntos nos quais são necessários uma mente pensante e um coração disposto - não uma estante cheia de diplomas. O problema é que aqueles que ainda veem e perseguem a verdade nada podem fazer para reverter essa situação insana, sob o risco de serem tachados de mentirosos e sofrerem como se tivesse sido cometido um crime. Não adianta falar a verdade se não se possui a chancela de "falador de verdades" - e os &q

Quando o problema não traz aprendizado

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Uma vez ouvi alguém comentar que não era mais necessário fazer terapia porque os remédios resolveriam tudo: há remédios para acalmar, para estimular, para focar, para dormir, entre outros tantos. No caso, não se falava daqueles que possuem patologias reais e necessitam dessas medicações, mas daqueles que podem fazer muito mais mudando de postura perante as situações. Sem a superação dos problemas, as pessoas são arrastadas para crises sem fim de mais e mais problemas e de situações cada vez mais desfavoráveis. É tomando consciência das adversidades que é possível crescer, inclusive mais que em tempos de bonança e passividade. Para isso é necessária a aceitação do problema e da responsabilidade sobre, o que não é possível com soluções paliativas nem com a projeção em outras pessoas ou mesmo com espantalhos: falsificações de pessoas e situações criadas para esconder a realidade sobre o alvo e agredi-lo. O que se passa hoje em dia é a resistência em adaptar-se aos problemas e aceitar

Sobre o duplipensamento

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Duplipensamento é um conceito criado por George Orwell em seu livro 1984 e é definido pelo raciocínio de ideias logicamente contraditórias mas que fazem sentido em uma mentalidade revolucionária. Na obra, o duplipensamento é de suma importância para evitar quaisquer suspeitas de ser contra o regime, que podem acarretar na morte da pessoa. A plasticidade de moldar o pensamento para que tudo sempre faça sentido, mesmo sem haver nenhum, faz com que o movimento revolucionário adapte-se às circunstâncias sociais, mantendo seu projeto de poder ao longo do tempo, mudando de aparência sem mudar sua essência. Aquilo que é considerado pelo vulgo como "hipocrisia" ou mesmo como "incoerência" possui, no fundo, uma razão de existir. Para uma mente reprogramada pelo pensamento revolucionário, a "incoerência" faz todo o sentido, sendo considerado incoerente por mera divergência de opinião ou de visão de mundo e não por fatos ou dados. O perigo disso está em conclusõe

Polarização

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Polarização é a nova palavra da moda que, como sempre, é acompanhada de toda uma estratégia de manipulação. É muito bonito falar sobre como as pessoas radicalizaram suas visões de mundo e que isso deve ser suavizado para haver união. Contudo, por trás desse discurso, há a ideia de forçar o lado contrário a ceder e assim tomar novamente o controle do discurso. Ilude-se quem acredita que houve liberdade de expressão há uns dez anos atrás: o que havia era o monopólio de uma visão de mundo, que excluía divergências não por meios legais, mas pelos próprios agentes. Diversos assuntos não podiam sequer serem citados, pois uma enxurrada de críticas apareciam para constranger quem divergiu. Hoje, os meios de censura estão institucionalizados - o que não deixa de ser uma radicalização. Isso consequentemente faz com que os discordantes tornem-se mais firmes quanto a sua visão de mundo. Ceder nestas horas é, infelizmente, entregar o jogo e assumir uma derrota desonrada. Quem quer controle não

Samaritano (2022)

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É impossível agradar a todos, mas é relativamente fácil desagradar todo mundo: basta falar a verdade. Taí outro filme que foge do estereótipo de super-herói pomposo, se bem que nem se pode considerar este filme como de super-herói. Desagradou um lado pela crítica ao movimento revolucionário e desagradou o outro lado por não retratar a história original do personagem - o que não significa que o filme seja ruim. Como disse antes, não é um filme de super-herói, muito menos uma história de retorno do herói desaparecido, como o trailer demonstrou. Ao longo do filme é difícil acreditar que o protagonista não é o Samaritano: o jeito pacato e a boa-vontade de fazer o certo acabam por suavizar os ataques de fúria repentinos de Nêmesis, irmão gêmeo do herói. Nem se pode considerar Nêmesis um vilão: é uma pessoa frustrada e amargurada, que acabou por perder quem realmente era importante para ele. Não havia plano algum de destruir a cidade ou de promover o caos: era apenas uma pessoa raivosa vi

A Importância do Legado

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Chegou a hora de se pensar no que será deixado para as próximas gerações. As pessoas andam tão vazias que nada de profundo e elevado é eternizado. Os clássicos são cada vez mais antigos, como se nada de novo merecesse ser relembrado, ou quando se celebra a memória de algo ou alguém recente, fica a sensação de se estar em uma sociedade em decadência. Isso sem falar daqueles que buscam destruir ou esquecer o que ainda há de elevado. Um legado nem sempre é algo grandioso (em larga escala), mas é forte e profundo o suficiente para fazer a diferença, mesmo que para uma pessoa só. O verdadeiro legado faz a vida das pessoas mudar, ganha vida própria, podendo chegar a lugares que o seu criador nunca imaginou. Aquela ideia que puxa outra ideia, e nesse encadeamento surge algo belo e profundo - mesmo tão pequeno e singelo. Construir um legado não é um objetivo em si, mas o resultado de uma vida elevada. É olhar para trás e ver as coisas boas que fez e que permanecerão mesmo depois da partida.