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Mulheres que Correm com os Lobos - 12: La Llorona

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A outra vez que eu ouvi falar da Chorona, fora o livro em análise, foi no seriado Chaves, em um episódio onde comentavam sobre assombrações. Ela é o equivalente hispânico do Velho do Saco: uma pessoa que leva embora crianças mal comportadas. No entanto, a história de La Llorona vai além de uma sequestradora, e Pinkola Estés tenta colocá-la dentro dos princípios feministas a todo custo. De acordo com a autora, La Llorona é uma moça que teria aceitado casar-se com um homem que estava perdidamente apaixonado por ela e tiveram dois filhos. Depois de um tempo, ele anuncia que precisa voltar para a Espanha e que levaria os filhos junto para terem uma vida melhor. A moça não aceita e se joga num rio com as crianças. Ao chegar ao Céu, o porteiro (acredito que seja S. Pedro) diz que ela está perdoada, mas para entrar precisaria trazer as almas dos filhos, perdidas no fundo do rio. A lição que ficaria é a de que as crianças não poderiam ficar até tarde brincando fora de casa: La Llorona poderi

Mulheres que Correm com os Lobos - 11: Sapatinhos Vermelhos

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Há algumas histórias que chamam atenção no Mulheres que Correm com os Lobos, mesmo que o objetivo seja apenas a reprogramação da mente da leitora para a causa feminista: Sapatinhos Vermelhos e La Llorona. Eu poderia comentar sobre A Donzela sem Mãos, mas em resumo é uma história na qual dá-se a entender como um ciclo de formação feminista no qual a leitora abre mão de seus valores para abraçar a causa, ou sobre Pele de Foca, em uma narrativa semelhante, só que abandonando filho e marido ao invés dos pais. Sapatinhos Vermelhos, da forma que a autora narra, é chocante. Não conheço outras versões para confrontar, além de ter conhecido essa história por este livro. O subterfúgio de "pesquisar histórias" e contar o que considera conveniente deixa claro o propósito manipulador das histórias contadas, ainda mais quando Pinkola Estés faz observações sobre valores e elementos cristãos. Esta história parece mais forçar o firewall da leitora do que trazer elementos de análise. Em re

Mulheres que Correm com os Lobos - 10: Os Lobos

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Os lobos são um dos elementos de menor importância do livro, apesar de serem parte do título deste. Tanto é que em meus rascunhos foi deixado para o final, apenas antes dos esboços sobre bibliografia e encerramento dessa série de posts. Por mais que a obra leve seu nome, o lobo no livro é muito mais um símbolo do que uma reflexão em si. Tanto é que a deusa de Pinkola Estés é a Mulher Selvagem, não a Mulher Loba - e La Loba é algo secundário, mero epíteto. A autora faz algumas analogias com os lobos ao longo da obra. Informa que conviveu com eles ao longo da vida e estudou sobre seu comportamento. Contudo, ao longo das páginas isso não se apresenta: o que Pinkola Estés fala sobre lobos, poderia ser sobre leões, tigres, até aves ou mesmo, para esculachar, baratas. A autora não cita um estudo científico sobre lobos, nem mesmo algum que tenha sido publicado por ela. A alcateia de Pinkola Estés é uma tribo utópica de seres humanos convivendo harmoniosamente em um paraíso socialista. Diz

Mulheres que Correm com os Lobos - 9: Sobre a Raiva e o Direcionamento

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Não irei me deter no que a autora do livro define por raiva e por perdão. Esse será o gancho para uma outra reflexão da qual esta se deriva. Percebi que escrevi muito sobre o livro, mas ainda há pontos importantes a serem analisados. Um deles é o que pode ser chamado de conveniência do movimento, deturpando valores e reprogramando a mente da leitora para a causa feminista. Como disse anteriormente, as histórias servem apenas para desligar o firewall das leitoras e assim conseguir reprogramar suas mentes de forma mais fácil. No caso da raiva, fica patente que o problema não está na raiva em si, mas no direcionamento que é dado. Pinkola Estés faz um elogio à raiva, como um mestre que provoca as mudanças necessárias para a pessoa. Quem conhece o blog sabe o que eu já disse sobre o nível de consciência da Raiva (150) e da necessidade de superá-la. Sentir raiva não é bom, devendo a pessoa transcendê-la para atingir níveis mais altos de consciência. O próprio Hawkins fala que é possível

Mulheres que Correm com os Lobos - 8: Aparência e Beleza

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Esse é um dos pontos nos quais as críticas do Feminismo mais falham: para algumas, não existe padrão de beleza, como se o autocuidado sistematizado fosse algo instintivo da mulher; outras fogem do assunto, subestimando a profundidade e as reais consequências da aparência na vida feminina. Ao contrário do que todas elas imaginam, essa é uma das bases da militância feminista, que atrai mulheres do mundo todo e acaba por sustentar o movimento. A situação é simples: existe um padrão de beleza no qual a mulher que não se encaixa é considerada inferior. As excluídas insatisfeitas tornam-se presa fácil do Feminismo, que acaba por destruir toda e qualquer referência de higiene e autocuidado. É necessário discutir sobre, pois apenas caçoar e ignorar dá mais força ao movimento, que literalmente reprograma a mulher sobre o assunto, sendo uma tarefa hercúlea a reversão. No livro Mulheres que Correm com os Lobos, a autora Clarissa Pinkola Estés busca diluir a noção de beleza na linha do "to

Mulheres que Correm com os Lobos - 7: Referências Problemáticas

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Ficou claro ao longo dos posts até agora que a autora não se preocupa com as referências e citações que utiliza. Logo no começo da obra, é de se estranhar as afirmações sem ao menos informar suas origens, como se tivessem sido concluídas pela própria autora. Como já dito anteriormente, boa parte das afirmações são de outras obras, como O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir. Para uma pesquisadora Ph. D., a ausência de referências e citações é no mínimo suspeita, para não dizer desonesta. Quando são obras literárias de seu meio cultural, os autores são apresentados e a quais livros pertencem, além de estarem na Bibliografia. Fora disso, há problemas com obras consagradas e até mesmo com etimologias das palavras utilizadas. Alguns exemplos para ilustrar são importantes. Informa a autora que a monja e mística cristã Sta. Hildegarda de Bingen afirmou em sua obra que "a alma é uma pena ao sopro de Deus". Nas notas, consta que foi consultado um manuscrito na Alemanha. No entanto, a

Mulheres que Correm com os Lobos - 6: O Cristianismo

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Como disse anteriormente, a autora chama o Cristianismo de nova religião e de religião artificial como formas de depreciá-lo. Apesar de no começo a obra a autora fazer críticas sutis e até mesmo indiretas, aos poucos essas críticas vão ficando mais duras. Ao final, dá-se a entender que o Cristianismo é culpado por todos os problemas, atuais ou não, concluindo-se que o retorno ao passado idílico da sociedade matriarcal (com sua religião matrifocal), comentado no post anterior, é a solução. A questão é que o Cristianismo trouxe um fator até então pouco trabalhado em sociedades antigas: a transcendência. Ser cristão é transcender este mundo e seguir o que o Pai ensinou, com todas as perseguições e revezes, sem ceder pela fé. Ao contrário do que pensam, não é jogar os problemas para um futuro, ou ficar de braços cruzados esperando um milagre, mas ter a fé de que a boa conduta na Terra permitirá alcançar a glória dos Céus. Não existe transcendência alguma no livro. É a ideia de que tudo d