terça-feira, 12 de novembro de 2019

Reiki - além do básico


Faz um bom tempo que não escrevo sobre Reiki até que me veio à mente a ideia de escrever sobre como usar o Reiki além das apostilas e cursos. Acontece que depois dos fatos ocorridos acabei por me afastar da prática, e estudando mais profundamente os trabalhos do David Hawkins e afins. Esse post está ligado aos últimos que postei sobre e pretende continuar essa linha de raciocínio, refletindo sobre o que eu faria caso quisesse voltar a praticar Reiki. A partir de um determinado momento, cursos e apostilas não eram mais o suficiente, e encontrar novas informações era difícil, mesmo com a Internet.

Não é só questão de garimpar informações, é necessário interagir com pessoas e procurar projetos, ou mesmo criar os próprios. Infelizmente, a comunidade reikiana fica apenas no basicão, mesmo bons profissionais, que poderiam se destacar em sua área se saíssem do arroz com feijão. Reiki não é só uma técnica terapêutica, é uma filosofia de vida, e isso é deixado de lado por vários motivos: conflito com visões de mundo e crenças religiosas, receio de uma (maior) distorção da imagem do Reiki, preguiça e, por incrível que pareça, preconceito. Em minhas pesquisas sobre o surgimento do Reiki, notei que muito do que é associado hoje em dia à técnica foi inserido a posterior por conta dos "movimentos sociais" das décadas de 1960 e 70.

Taí um excelente ponto para começar: pesquisar livros e estudos sobre o Japão à época do surgimento do Reiki. De livros, recomendo O Fogo do Reiki, que conta sobre os reikianos associados à escola fundada pelo mestre Usui, a Usui Reiki Ryoho Gakkai. A título de curiosidade, essa associação não permite o ingresso de estrangeiros nem de alunos da mestre Takata (cerca de 95% dos reikianos no mundo), japoneses ou não. O contexto histórico de Usui era um Japão em período de transição de imperadores no qual houve o surgimento de diversos grupos "místicos": o Aikido seria um exemplo de grupo fundado nesta época.

Repare que todo aquele "pseudo-misticismo" que envolve o Reiki hoje em dia não existia naquela época, é uma construção posterior, não só após as mudanças provocadas pela mestre Takata, mas pela "revolução" ocorrida com a Diane Stein. Foram inseridos novos conceitos na prática reikiana, como a estrutura de chakras. Se for analisar os "manuais de cura" dos mestres Usui e Hayashi (esses são os nomes traduzidos literalmente), você verá que sua abordagem está mais próxima da anatomia e medicina ocidentais do que das práticas associadas ao Oriente.

Cabe aqui uma observação: o conceito de corpo energético é oriental, presente não só na medicina como na educação física (as artes marciais). É através desse conceito que se desenvolve a ideia de desenvolvimento espiritual, constante nas religiões e correntes filosóficas. Se cabe um paralelo, este seria com as ideias ocidentais de mente e alma. No entanto, a "reconstrução ocidental" do Reiki com conhecimentos estereotipados do Oriente causou um afastamento da "prática original". Esta seria outra linha de estudos que podem ser feitos em relação ao Reiki que não se encontra facilmente por aí.

Outra linha de estudos são os gyosei escritos pelo imperador Meiji e escolhidos por Usui para aprimoramento do desenvolvimento espiritual através do Reiki. Note que aqui não há nada de religioso como se entende no Ocidente. Este conceito seria mais filosófico do que pertencente a uma instituição religiosa. Além de estarem no Usui Reiki Ryoho Hikkei, caderno com uma entrevista e a compilação destes poemas, há outras traduções nos livros do Johnny De'Carli (Apostilas Oficiais) e do João Magalhães (Reiki - Guia para uma Vida Feliz). Usui recomendava meditar sobre eles para ter uma maior compreensão da prática do Reiki, mas raramente são citados em uma aula ou apostila...

Para encerrar o post, devo comentar sobre as técnicas tradicionais de Reiki. Escrevi ano passado um post sobre o Byosen, técnica de escaneamento da energia do utente antes de iniciar a aplicação, podendo ser feito depois também. No caso, tanto Usui quanto Hayashi quanto Takata tinham suas técnicas de aplicação de Reiki, que foram substituídas por um mero siga sua intuição. Não digo que a intuição não deva ser seguida, mas se você não a desenvolve, muito menos pratica técnicas de sua prática, o atendimento é ineficaz. As técnicas tradicionais podem ser úteis para quem não tem a mínima ideia de qual roteiro seguir e a intuição não está afinada para uma aplicação mais livre.

Enfim, possibilidades são muitas, além do que eu escrevi aqui. Note que eu não escrevi sobre "grupos de Facebook ou WhatsApp". A tendência desses grupos é ficar em chavões e preconceitos, sem nenhuma oportunidade ou aprendizado novo. Quando comecei a procurar sobre projetos voluntários de Reiki, nada encontrei em redes sociais; foi uma busca em páginas de Google para encontrar algo. Se esse quadro vai mudar, não sei, depende da escolha de cada um. Ao contrário do que pode parecer, essa não é uma chamada ou propaganda para algum projeto meu: não tenho interesse em fazer algo relacionado ao Reiki, além de que, se eu fosse fazer algo, eu escreveria abertamente, sem precisar de informes publicitários.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Como ter um blog - Monetização


E para encerrar a série: como ganhar dinheiro com o blog? Isso é possível? Bom, possível é, mas não da forma como muitos imaginam. Fazendo uma comparação, um youtuber tende a ganhar dez vez mais que um blogueiro com cerca de um décimo do esforço que este faz. É possível viver de blog? Se na época áurea dos blogs era difícil, imagine agora - nem precisa responder que não.

Claro, dá para ganhar uma graninha extra com blog, através de alguns recursos. Contudo, penso que isso é uma consequência de um trabalho bem feito, e não um objetivo a ser almejado em si. Na maioria das vezes, compensa mais ter um bom emprego e trabalhar com o blog apenas nos momentos de folga. Para um blog profissional, ou mesmo um blog de empresa, a monetização vem com o próprio trabalho, então não há o que ser dito aqui para este caso.

O recurso mais popular para um blog ganhar dinheiro é o AdSense do Google. Você instala no blog um espaço para anúncios e vai recebendo conforme as pessoas vão clicando neles. Pedir para que o leitor clique no anúncio é passível de punição. Note que no YouTube não pedem para clicar no anúncio, apenas para interagir com o vídeo - não sei se por conta dessa regra ou por conta do meio de pagamento.

Geralmente os anúncios exibidos, apesar de relacionados ao tema do blog, não são relevantes. Muitos, inclusive, podem levar a páginas com vírus - pelo menos dão esta impressão. Ao contrário do que dizem, no entanto, eles não "poluem a página": depende da edição feita no espaço onde serão exibidos. Inclusive você pode cadastrar o blog no AdWords para tê-lo veiculado no AdSense de outros blogs e sites - claro que a um determinado preço.

Outro recurso são as comissões de sites, como Amazon, livrarias, etc. Quando o leitor clica e faz uma compra através de um link específico, o blogueiro ganha uma comissão, seja em desconto a ser utilizado no site, seja em dinheiro. Há a possibilidade montar uma "loja virtual" com os produtos do site e ganhar uma comissão com os itens vendidos, como Natura e no Magazine Luiza.

Antigamente havia empresas que enviavam seus produtos para que os blogueiros testassem e fizessem resenhas sobre. A empresa ganhava em ter seu trabalho divulgado fora dos meios de propaganda convencionais e o autor ganhava visibilidade pelo assunto da postagem e o produto em si. Lembro que nessa época alguns blogueiros reclamavam que esse tipo de coisa não deveria ser negociada, já que a tendência era que a resenha fosse apenas bajulação e não uma crítica honesta.

O blogueiro pode criar seu próprio produto e loja: um livro, um serviço, um curso. No entanto, isso deve ser pensado ao longo dos anos e não para um blog que está no começo. Lembre-se de que você cria um compromisso com o blog: é mais sensato manter apenas as postagens do que inventar projetos que não pode cumprir.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Você quer ser feliz ou você quer ter razão Parte 2


Eu andei relendo meu post sobre esse ditado e fiquei pensando mais sobre. A pergunta em si traz um sofisma, ou seja, é necessário desmontá-lo antes de responder. Sofismas dão a entender que determinado encadeamento de ideias é verdadeiro, sendo difícil discordar em um primeiro momento. É um argumento retórico interessante, sobretudo em situações nas quais a pessoa não tem oportunidade de desenvolver toda uma linha de raciocínio para se defender. A diferença entre um sofisma e um encadeamento lógico de ideias verdadeiro é que o núcleo do primeiro é falso.

Onde estaria, então, o erro da pergunta? Na ideia de que felicidade e razão são coisas distintas: você não teria paz se buscasse a verdade. Essa ideia é recorrente em nossa sociedade: o verbo lutar por alguma coisa mostra o desgaste que se tem para que o certo prevaleça (apesar de alguns lutarem por coisas erradas, mas não é o caso). Ao contrário do que se diz, a verdade é algo inconveniente e trazê-la à tona pode ser doloroso para todos. No entanto, mais dolorosa que a descoberta da verdade é viver em mentiras, pois aquela irá aparecer, de uma forma ou de outra.

Só pode existir Paz onde houver Razão. Isso não significa que haverá descanso: a verdade é uma constante a ser buscada continuamente. A paz estará no interior da pessoa, não fora. Inclusive ao analisar a escala de consciência do Hawkins, a Paz está acima da Razão: apenas desenvolvendo plenamente a segunda é que se pode alcançar a primeira. Claro que para isso deverá ingressar no nível do Amor, mas isso pode ficar para outros posts. Desta forma, o sofisma é quebrado: para ser feliz é necessário ter razão, é necessário buscar a verdade. Uma vida tranquila na mentira traz agonia para o interior: fica a sensação de que algo está errado, apesar do marasmo.

Um detalhe a ser visto é a locução "ter razão", muito utilizada nos dias de hoje, que significa impor sua opinião sobre os demais. Isso muda em parte o contexto da pergunta, pois questiona-se então se a pessoa quer viver sua própria vida ou ficar julgando as atitudes alheias. Isso tornaria a pergunta então plausível? Não, essa é a aparência de verdade do sofisma. Em outras palavras: pare de dar palpite em minha vida e vá cuidar da sua, viva com a sua própria opinião sem influenciar a dos outros. Como visto anteriormente, as coisas não são bem assim: se você encontra sua razão, você é feliz, você não precisa impô-la aos outros, pois estes também sentirão o peso da verdade, uma hora ou outra.

Isso pode servir de ideia para outros sofismas que são correntemente usados e criados, com sua falsa impressão de verdade. Infelizmente, é quase impossível rebater um sofisma na mesma velocidade em que ele cria raízes, sendo o ideal processar a ideia antes de aceitá-la de todo. Quanto às outras pessoas, é necessário paciência para possíveis confusões. Em resumo, para desmontar um sofisma é necessário encontrar sua "ideia central", que acaba por desconstruir a ideia como um todo. Dessa forma, descobre-se a ideia que quer ser passada e a verdade por trás dela.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Como ter um blog - Divulgação


Então se chega a uma questão importante: como divulgar um blog? Ele está lá, com seu nome, endereço, plataforma e posts, tudo organizado e limpinho. Faltariam então os leitores, não é? Sim, mas quantos? Infelizmente existe a ideia de que quanto mais acessos ao blog melhor: mais gente comentando, mais pessoas consumindo os produtos do blog e mesmo clicando nos anúncios do AdSense. Também dá para fazer contratos de publicidade e ganhar um dinheirinho extra.

Pois bem, a ideia dessa série de postagens é a de você criar um blog, e não um "blog de sucesso", pelo menos não no sentido que é comumente dado. Para mim, um blog de sucesso é aquele em que há gosto por escrever, não um mero trabalho maçante para caçar assunto e assim cavar acessos. Lembro de um tutorial que "ensinava" a ver quais os assuntos eram mais pesquisados dentro de um determinado nicho e a partir daí escrever o post: basicamente você está sentando na janelinha após pegar o bonde andando. Muito melhor você desenvolver o assunto a partir do seu ponto de partida, e não dos Trending Topics.

Ao longo do tempo, você vai ouvir falar de "page rank" e SEO (otimização nos mecanismos de busca). Depois de tanto tempo blogando, percebi que cuidar disso é "perda de tempo". Como disse em outro post desta série, os algoritmos de busca vivem mudando, e está claro que alguns sites/blogs são mais "valorizados" do que outros, mesmo que alguns tenham conteúdo melhor (e mais acessos, inclusive). A maior parte (para não dizer todos) os macetes só funcionam com alguns blogs, não com a maioria.

Outra coisa: ter um blog famoso implica ter mais e mais tempo para se dedicar a ele. Tanto a manter o nível de postagem, quanto a responder comentários, atender a sugestões e mesmo lidar com intrigas virtuais. Isso sem ganhar uma fortuna, quando não gastando dinheiro para manter o blog. Esse balde de água fria é necessário, pois muitos blogueiros largam seus blogs por conta desse sucesso fracassado.

Nessa toada, as redes sociais apenas complementarão o blog com conteúdo e serão mais um espaço para o feedback dos leitores. Esteja onde achar que o blog deve estar e interaja com outros usuários. Converse com pessoas a sua volta sobre o blog, sem se preocupar em convencê-los a acessar e comentar. Se o blog for bom, bons leitores aparecerão. Insistir com péssimos leitores pode causar um desânimo desnecessário: há pessoas que só comentam para ofender.

No caso do blog profissional, haverá a rede de contatos da profissão. E assim como você conversa com pessoas do seu meio profissional, você informa a elas de seu blog. A tendência é um bom profissional ter um bom blog em sua área, já que conhece o assunto muito bem. Já o blog de uma empresa será divulgado pela propaganda da empresa, apesar de ser possível desenvolver junto uma interação voltada às redes sociais.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Eu luto porque lucro


Talvez este possa ser o primeiro apêndice da série Como ter um Blog, mas a ideia não é vinculá-lo a esses posts. É mais um desabafo do que eu vejo na internet que pode ser útil a quem está começando a produzir conteúdo, mas já se imagina ganhando rios de dinheiro e largando o emprego para viver disso. Essa imagem de largar o emprego para focar em algo "melhor" é recorrente em nossa sociedade - o exemplo mais gritante disso são as pessoas que pedem demissão para estudar para concursos públicos. Tornou-se o novo vestibular das nossas vidas.

Acredito que se a pessoa deseja produzir conteúdo para internet, ou mesmo começar um trabalho artístico, ela não deve nunca sair do emprego em que se encontra. Parece aquele conselho dos nossos pais e avós para crianças prodígio: não deixem de estudar, fazer uma faculdade, pois quando isso acabar, vocês poderão arranjar um emprego. É bem isso mesmo: sobretudo quando o projeto ainda não decolou, e talvez nunca decole. Tenho o blog há anos e não vivo dele - mas ele não me dá tanta "despesa" como um canal monetizado dá.

Se a internet (ou o meio artístico, chegam a ser bem semelhantes nesse aspecto) é apenas para ganhar "um dinheiro extra", não reclame se o investimento não tiver retorno. É parte da vida: quantas empresas fecham simplesmente porque não deram certo? Querer fazer conteúdo na internet e ganhar de pronto dinheiro (por mínimo que seja) chega a ser ofensivo com quem trabalha para se sustentar e que publica na internet por divertimento. Ser profissional de alguma coisa requer tempo, paciência e dinheiro, para que em algum dia isso possa dar algum retorno gratificante. Até lá, se possuir alguma segurança (um bom emprego), seja grato a ela.

Aí vem a parte "divertida": pessoas na internet frustradas porque investiram tempo, paciência e dinheiro mas não tiveram o retorno que cobrisse seus custos. Há canais no YouTube que parecem viver de esmola: a pessoa não trabalha, produz um conteúdo de baixa qualidade só para ter visibilidade, e no final das contas o retorno é (muito) menor que o esperado. Vale (muito) mais a pena manter-se no emprego e produzir conteúdo por amor a este: o retorno é mais gratificante, e as pessoas agradecem um conteúdo melhor trabalhado.

E se eu "perder o emprego"? A internet torna-se uma alternativa interessante, já que há tempo disponível para tal, enquanto não se encontra outro trabalho. Dependendo da situação, chega a ser viável iniciar um negócio virtual do zero e viver disso. Lembra aquelas pessoas que ao perder o emprego começam a fazer serviços "para fora": cozinhar, costurar, dar aulas particulares, etc. Toda situação é uma oportunidade de aprendizado e crescimento, e mesmo o emprego também o é. Sonhar é bom, mas botar a mão na massa para realizar é melhor ainda.