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Mulheres que Correm com os Lobos - 4: A Mulher Selvagem

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Talvez pareça estranho só agora falar sobre a Mulher Selvagem, que pode ser chamada de principal personagem do livro, a estrela do show . Mulheres que Correm com os Lobos propõe-se a apresentar o que é considerado por arquétipo inerente a todas as mulheres. No entanto, só de ler novamente esta afirmação nota-se que é falha, pois um arquétipo faz parte do inconsciente coletivo de todas as pessoas, homens e mulheres. A definição de Mulher Selvagem vai além do arquétipo, e ganha mais características ao longo da obra do que o simples padrão de personalidade dos arquétipos, como um ser que ganha vida e personalidade no interior da mente humana, um software mental. Contudo, não consigo deixar de pensar também na ideia de divindade, tendo em vista que o livro comenta sobre uma suposta religião matrifocal de uma sociedade matriarcal que teria existido na Antiguidade. Quando um conceito é ampliado exageradamente, torna-se impossível a crítica, pois ele nunca é aquilo que pode ser considerad

Mulheres que Correm com os Lobos - 3: Sobre Contos de Fadas

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Cabe nesse post uma observação importante: a definição de contos de fadas. Para esta análise, baseei-me no livro Árvore e Folha, de J. R. R. Tolkien. Na primeira parte do livro, Sobre Histórias de Fadas, Tolkien apresenta o que são os contos de fadas, analisando as coletâneas existentes em sua época e explicando que a maior parte delas não possui contos de fadas legítimos. Na segunda parte, é apresentado um conto de fadas de exemplo - de autoria do próprio Tolkien. Boa parte do que hoje é chamado de conto de fadas nada mais é do que uma história popular, passada pelas gerações, sofrendo alterações, e mesmo adulterações em alguns casos. No livro Mulheres que Correm com os Lobos, a autora não busca uma versão original, ou a versão mais antiga preservada, como uma das características dos contos de fadas, mas sim a criação de uma "versão original", com elementos que a autora considera oriundos de antigas religiões - anteriores ao Cristianismo -, chamados de "esqueletos&qu

Mulheres que Correm com os Lobos - 2: Como Funciona

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O livro baseia-se em uma pretensa análise de "contos de fadas" e histórias populares, de origem do leste europeu e do meio-oeste norte-americano, sob o ponto de vista da psicanálise junguiana. A autora afirma ser psicanalista especializada nessas histórias, informando que tem por trabalho pesquisar e analisar as diferentes versões destas histórias para uso em terapia. No entanto, é bom ressaltar que as histórias são meios pelos quais são desligados os firewalls das leitoras, tornando a reprogramação fácil, profunda e de difícil reversão. Ao envolver-se com estes contos, o canal empático aberto permite que novas ideias sejam programadas, anulando, ou mesmo deletando, partes da programação original da leitora, de forma a direcioná-la a uma visão de mundo revolucionária. As histórias em si pouco têm valor, com exceção de três: Sapatinhos Vermelhos, La Llorona e A Donzela sem Mãos. As duas primeiras serão analisadas em postagens separadas, por conta da "pancada mental&qu

Mulheres que Correm com os Lobos - 1: Uma Introdução

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Este é o primeiro de uma série de posts que vou fazer para analisar o livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Foi um dos meus livros favoritos da minha adolescência, e decidi analisá-lo depois de cerca de quinze anos. Surpreendi-me negativamente, pois o livro é uma verdadeira lavagem cerebral, assim como me surpreendi positivamente, já que consegui superar isso e passei a ver essas falhas. Não irei me estender em detalhes sobre a autora, baseando-me apenas no que ela declara em seu livro. Afinal, é uma obra que tem por público-alvo adolescentes e donas de casa de meia-idade, dois públicos que não se preocupam com mais informações do que as da obra em si. Fora que, além do trabalho enorme em fazer esta análise, ficaram muitos detalhes em aberto, o que tornaria seu aprofundamento um trabalho de anos. Logo aviso que irei utilizar o termo leitora e correlatos no feminino, pois, como disse antes, a obra é voltada para o público feminino, fora que conheci pouquí

Simplesmente herói

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Herói é aquele que transcende a experiência humana, é aquele que vai além. Ele abre o caminho para que as outras pessoas prossigam, às vezes ao custo de si mesmo. Contudo, o herói não deixa de ser uma pessoa comum, com sua rotina, seus medos, seus sonhos, com um diferencial: ele toma atitude na hora necessária. Necessária por ser aquele momento em que algo deve ser feito, para não ser hipocritamente lamentado depois. Isso que transcende a experiência humana da sua rotina e que hoje em dia tem sido mais solapado que o normal. As pessoas são condenadas por tomar atitude, principalmente se aquela atitude muda o status quo ou traz a realidade à tona. A imagem de um super-herói humanizado faz parte dessa estratégia: apreciar seus defeitos (ou mesmo criar distúrbios) em detrimento de seu caráter e de suas realizações faz com que as pessoas tornem-se cada vez mais medíocres, e a vida mais sem-graça. Deve-se entender uma coisa: nem sempre o herói sabe o que está fazendo. Ele apenas faz, p

O Altruísmo é Egoísta

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Ao contrário da maior parte dos comunicadores, não sou daquelas pessoas que "desligam o firewall " alheio para transmitir uma mensagem. Eu prefiro que uma pessoa rejeite um argumento meu pela pura rejeição (refuto porque refuto) do que aceite bovinamente o que eu digo. E acredito que as pessoas deveriam aprender a manter o firewall ativo e vigilante para evitar que ideias indesejadas alojem-se na cabeça e criem raízes. O que eu quero dizer neste post nada tem a ver com aquela furada de que tudo é relativo . Depender de contexto, ou mesmo de ponto de vista, não significa relativizar. Relativizar é distorcer fatos para tirar proveito daquilo. Quando se analisa algo em seu devido contexto, a conclusão pode ser diferente do esperável, até mesmo desagradável. Mas é a concreta e correta. Quando eu digo que o altruísmo é egoísta é pelos dois conceitos estarem a tal ponto ligados que podem ser considerados uma coisa só. Como o Yin e o Yang do Taoismo, nos quais um tem o outro den

Precisamos de mais Sword Art Online

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Eu não gostaria de fazer uma análise desse tipo em relação ao anime, mas alguns aspectos da série inteira chamam atenção suficiente a respeito: é o anime mais avesso ao Feminismo que eu já vi - o que é muito bom, por sinal. Essa análise vai partir do Progressive, cujo primeiro filme da série estava nos cinemas (com previsão de lançamento de continuação), e fazer ligações com as outras temporadas, com os spoilers que eu considerar necessários. A Asuna é uma menina normal - por isso tão odiada, talvez. Filha de uma grande executiva, que quer que siga seus passos a qualquer custo. Asuna é esforçada, mas não é reconhecida pela mãe. Suas notas são boas, mas ela não é a melhor aluna da escola. No entanto, ela é popular e tem boas amigas. Asuna vai parar no SAO após um convite feito pela sua colega Mito, a melhor aluna da escola e uma grande jogadora. Durante o jogo, Asuna quer comprar roupas bonitas, tomar banho de banheira, comer os pratos saborosos dos restaurantes. Ao pensar assim, com