terça-feira, 20 de agosto de 2019

Power vs. Force - uma introdução


Irei começar uma série de posts sobre o livro Power vs. Force do David Hawkins, finalmente. Já escrevi muita coisa sobre a obra dele aqui, mas agora pretendo falar deste livro com mais atenção. De início eu não queria muito tocar no assunto, porque eu acreditava que eu tinha que ler mais e mais coisas para poder publicar aqui. Chega uma hora em que você conclui: minha visão sobre o livro sempre vai mudar, o que pode acontecer é uma dessas visões se solidificar e eu não querer mudar mais - é o que devem chamar de maturidade.

Mesmo eu já mudei minha opinião sobre o livro - e mesmo sobre sua teoria - várias vezes. Eu gostaria de fazer uma tradução dos livros do Hawkins para o português, mas percebi que escrever bons comentários sobre a obra pode ser tão útil quanto. Aliás, há na internet "traduções de fã" de vários livros do Hawkins para o espanhol, o que pode ser de grande ajuda. Até o momento, li três livros, que são considerados os mais importantes para o assunto que eu quero abordar aqui, que é o desenvolvimento da consciência: Power vs. Force, Truth vs. Falsehood e Transcending the Levels of Consciousness.

Claro que irei ler os outros, e publicar minhas conclusões aqui. Acho interessante publicar essas "diversas conclusões" sobre um assunto, pois nenhuma está errada em seu contexto, mas podem estar quando se compara uma a outra. Talvez seja um erro ficar remoendo teorias sem publicar nada sobre o assunto, para chegar num utópico dia e desistir de tudo sem fruto algum. Se há o medo de errar, superá-lo é aceitar e aprender com ele, sobretudo quando se lê em outra língua e não há uma boa tradução disponível (apesar de eu achar que a tradução não oficial é muito boa).

Power vs. Force é o primeiro livro do psicólogo David R. Hawkins, baseado em sua tese de doutorado, em que dá uma visão geral sobre o desenvolvimento da consciência humana. Através da cinesiologia, estudo do movimento humano, Hawkins percebeu que é possível perceber se algo faz bem ou não a uma pessoa através da tensão muscular. A partir disso, o autor concluiu também que é possível responder com precisão a perguntas de sim ou não sobre qualquer assunto. Para que isso ocorra, então, deve haver uma "base de dados universal" na qual estão guardados todos os eventos, atos, pensamentos, etc. que já ocorreram e que todas as pessoas estão ligadas a este banco de dados, podendo acessá-los quando quiser.

Desta feita, foram estabelecidos os níveis de consciência, tão comuns na internet. Interessante que é fácil de encontrar descrições dos níveis de consciência em português, de forma superficial, mas não há nada sobre a origem dos mesmos, nem palavras sobre seu criador. Estes níveis representam a percepção da pessoa em níveis energéticos mais ou menos elevados, que acabam por definir seu padrão de vida em todos os aspectos: saúde, mente, carreira, hábitos, entre outros. Também podem ser utilizados para medir obras (livros, músicas, edificações), fatos históricos, entre outras tantas coisas.

A edição da qual estou me baseando é a de 2012 (o livro foi publicado em 1995), atualizada pelo autor - alguns dados estarão diferentes da publicação original, mas nada que mude o cerne da obra. Tive a felicidade por começar meus estudos através deste livro, pois todos os outros estão ligados a este - algo que eu sugiro fazer para quem está começando. Os livros seguintes abordam aspectos citados no Power vs. Force de forma mais profunda. Vou manter a tag Power vs. Force como venho usado nos posts.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Como ter um blog - Começando a Escrever


Depois de tanta introdução e planejamento, seria hora de fazer o cadastro, as compras, e montar o blog? Talvez. De nada adianta montar tudo e não conseguir escrever um post, nem que seja um diminuto texto de apresentação, explicando de onde o blog surgiu e quais são suas ideias de postagem. Pode até ser melhor começar escrevendo vários textos para depois montar o blog. No entanto, as pessoas tendem a pensar primeiro na forma para depois pensar no conteúdo.

Por isso a ideia do brainstorm no começo para não só ter uma ideia de quais temas serão abordados como também permitir que sugestões de posts venham à tona. O brainstorm é uma excelente alternativa quando "não há assunto" para escrever: não é que o assunto foi esgotado, mas não se sabe o que postar naquele momento.

Como é o começo do projeto, ou a pessoa tem uma miríade de ideias de posts ou há o pavor da página em branco. Caso já tenha alguns posts já prontos para publicação, é só seguir o fio da meada para desenvolver os próximos. É interessante que o blog já tenha algum conteúdo quando for "lançado", assim o leitor tem uma amostra do trabalho que será desenvolvido, sem ficar na ansiedade de esperar o primeiro post.

E as páginas?
Páginas são importantes para o blog: elas são o que é chamado hoje em dia de "conteúdo fixado" nas redes sociais, coisas importantes que tendem a não mudar ao longo do tempo. Enquanto você escreve posts seguindo a fluidez de um assunto, a página apresenta o assunto de forma sólida, sendo melhor utilizada para outras coisas como apresentação do blog e do autor, contato, entre outros conteúdos pertinentes.

Não significa que você é obrigado a criar páginas ao blog - apenas se considerar necessário. Blogs profissionais acabam por utilizar esse recurso para as finalidades acima descritas, enquanto blogueiros amadores podem usar suas próprias redes sociais para manter contato com os leitores. Como sempre deixo ressaltado: não são regras - nenhum blog vai se tornar mais ou menos "famoso" por conta de detalhes.

Como escrever um post
Não existe uma fórmula mágica para escrever um post. Ele vai da criatividade e da habilidade do blogueiro. Ao contrário das "receitas de bolo" espalhadas pela internet, escrever um post com determinadas características não vai lhe garantir mais acessos, mas o empobrecimento da internet como um todo.

É a sua identidade que tem que estar no blog, não a de outro blogueiro. Se prefere escrever parágrafos longos, com notas explicativas, escreva; se prefere inserir imagens e vídeos para melhor apresentar o assunto, vá fundo (respeitando os direitos autorais dos mesmos). Só pense que o jeito de escrever deve estar ligado ao assunto do blog, para melhor transmitir sua mensagem. Acredite, isso é mais natural do que você pensa.

A sugestão que fica é programar a postagem ao invés de publicá-la de imediato. Isso permite que o leitor esteja atento ao seu blog em determinado dia e horário por saber que nesta hora que irá sair algo novo sem precisar de notificações. Nessa toada, é interessante que haja um "estoque" de postagens programadas, para evitar que o blog fique "sem assunto" no dia em que deveria haver publicação, e lhe dê alguma folga para desenvolver novos textos.

Frequência de postagens
Ao contrário do YouTube, que indiretamente força o criador do conteúdo a publicar todos os dias para não perder visibilidade, no blog você decide o quanto e quando pretende publicar. Isso permite que haja tempo necessário para desenvolver o conteúdo com o mínimo de imprevistos, focando a qualidade à quantidade.

E ao contrário do que dizem, menos postagens não significa menos acessos. Se, dentro do assunto do blog e da elaboração da postagem, a publicação é feita mensalmente, não significa que o blog terá menos acessos - apesar de alguns leitores reclamões. Hoje em dia é necessário que haja posts melhor elaborados ao invés de lugares-comuns apenas para ganhar cliques - a internet já está saturada disso.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Invasão de privacidade


Assisti a um vídeo no YouTube que me deixou receosa - e me fez escrever aqui. Trata-se de um youtuber que havia investigado a vida privada dos criadores de outro canal, que tinham escolhido "esconder" sua identidade para preservar sua privacidade. Estes autores não têm nada de ilícito (até agora, pelo que sei) que implique uma investigação apurada. Foi mera exposição da privacidade com intuito de constranger e desmerecer o trabalho alheio. O canal em questão eu só conhecia de nome, enquanto que o bullie em questão eu acompanhava com alguma frequência.

Obviamente não vou citar nomes aqui. Eu temo pela minha privacidade. Motivo? Eu assim o quero, e ponto. Não acho que as pessoas devam saber da minha vida mais do que eu quero que elas saibam. Fiquei me imaginando no lugar desses guris: o cara zuando com a minha vida, com meu trabalho, associando a qualquer coisa apenas para constranger. Percebo que há um excesso de exposição na internet, e "descobrir detalhes ocultos" acaba sendo uma arma contra desafetos. Para mim, isso é algo execrável, aquela crocodilagem que deixa um gosto amargo na boca, dando a impressão de que em um "combate honesto", o detrator não teria a mínima vantagem.

Pode-se argumentar: o anonimato é proibido por Lei. Sim, está na Constituição que é livre a expressão, vedado o anonimato. Isso é diferente de privacidade: ao fazer uma conta no Google, ou em qualquer plataforma, você insere seus dados. Ao se cometer qualquer ato ilícito, os administradores do site fornecem às autoridades o que você apresentou - como uma empresa que fornece as informações de um funcionário que trabalha nela, por exemplo. Se o criminoso em questão inseriu dados falsos, é mais um crime nas costas dele. Não vou entrar no mérito do sistema de lei e ordem vigente, mas essa é a teoria.

Ou seja: eu estou identificada, todos estão. Isso exclui a questão de anonimato por tabela, permanecendo apenas a invasão de privacidade e o constrangimento de quem quer manter sua vida privada apartada da vida virtual. Posso citar um exemplo interessante, que apesar de ficcional é plausível: o personagem Jack Reacher, militar da reserva americano que "sumiu" no próprio país. É praticamente impossível encontrá-lo: não possui residência fixa, nem celular ou cartões. Retira sua aposentadoria de forma que não possa ser rastreado e faz seus gastos com dinheiro vivo. As pessoas se impressionam com sua invisibilidade e ficam incomodadas com o fato de que não pode ser localizado.

Prega-se a valorização do indivíduo, mas para que isso seja efetivo é necessário o respeito à sua privacidade. Se a pessoa não quer ter um perfil no Instagram e o encher de fotos de sua vida, o problema é dela. Se a pessoa cria um blog e não fica exibindo seu "rostinho bonito" porque não quer se promover, o problema é dela também. Agora exibir a vida de alguém apenas para constrangê-la vai contra toda a mensagem que a mesma quer passar - ou essa é realmente a mensagem, transmitida em linguagem direta?

terça-feira, 30 de julho de 2019

Como ter um blog - Tipos de Plataforma


Continuando o planejamento, está na hora de pensar onde o blog será publicado. Para quem terá um blog profissional, usar o Wordpress.Org (com hospedagem) é quase obrigatório, por conta de sua vasta gama de recursos e dinheiro disponível para investimento. Para quem vai "brincar de blog", a plataforma que mais lhe agradar será a melhor a ser usada.

Nada pior que fazer uso de algo só por estar na moda. Boa parte dos tutoriais sobre blogs (ainda) insistem em "receitar" plataformas e métodos de sucesso. No caso desta série, a ideia é apenas orientar o que pode ser feito, não mostrar o caminho para El Dorado.

Nessas horas penso nas centenas de milhares de canais existentes no YouTube que nunca chegarão a ser lembrados e só trarão estresse para quem queria se divertir. Para quem pensou em apenas ganhar dinheiro, este geralmente o consegue, mas com um trabalho de péssima qualidade para um público de mesma mentalidade. Houve essa época na blogosfera, mas você conseguia descobrir blogs de excelente conteúdo, que não eram tão conhecidos, ao contrário do YouTube, cujo sistema te impede de encontrar um canal interessante.

Há várias plataformas de publicação de textos. Com o tempo, infelizmente, algumas perderam visibilidade, outras fecharam, e algumas redes acabaram por adotar o blog como uma ferramenta auxiliar. Vou comentar sobre as mais conhecidas (ou nem tanto).

Blogger/Blogspot
É a plataforma de blogs do Google. Sua principal vantagem é ser do Google, o que leva muitos a começarem por aqui. O Blogger é simples e intuitivo, mas acaba por ser simplista quando se precisa de maior complexidade, como, por exemplo, no gerenciamento de categorias e arquivos de posts, mas nada que gere preocupação para um iniciante.

Wordpress.com
A plataforma gratuita do Wordpress possui mais recursos que o Blogger, mas menos que o Wordpress.org (auto-hospedado). Não há conflito em inserir recursos Google no blog, nem problemas com categorias ou arquivo de posts. Contudo, a dificuldade em manusear o Wordpress.com requer tempo e paciência - algo que vem com a experiência de postagem.

Wordpress.org (auto-hospedado)
A diferença deste para o anterior é que para ser utilizado é necessário adquirir uma hospedagem (um espaço em um servidor particular). Possui mais recursos, como disse antes, e há maior dificuldade no manuseio. Acaba sendo a plataforma de empresas e blogueiros profissionais, o que não significa que seja a melhor de todas. No caso, a grande desvantagem é o custo em adquiri-la, ao contrário das anteriores, que são gratuitas.

Facebook
Acabei por inserir o Facebook na lista já que muitos acabam por escrever nesta rede para ter mais visibilidade ou mesmo para aproveitar que possui um perfil para criar uma página. As desvantagens são várias: os posts são passíveis de censura e redução de alcance sem aviso prévio; há todo um sistema para controlar o acesso se o dono não paga para divulgar a mesma, e caso haja pagamento para divulgação, o aumento de acessos pode não ser feito por pessoas reais; mesmo as postagens sendo públicas, é necessária uma conta para acessar; não é possível criar uma página sem que o autor possua um perfil na rede, etc.

Twitter e microblogs no geral
A ideia de transmitir mensagens curtas a grandes públicos é tentadora, mas o Twitter não é mais o mesmo: após adotar o mesmo padrão de capilaridade do Facebook (fazendas de cliques e quase obrigatoriedade de pagar anúncios), as postagens acabam não tendo tanta difusão como antigamente, fora que são mais fáceis de serem "adulteradas" ou "plagiadas".

Telegra.ph
A plataforma do Telegram é para postagens e não para blogs. Você não cria uma conta nem um blog, você simplesmente escreve o post e o publica de forma anônima. Pode ser útil em alguns casos.

terça-feira, 23 de julho de 2019

As 12 camadas da personalidade


Achei na internet um texto interessante do Olavo de Carvalho sobre o que ele chama de 12 camadas da personalidade. Pesquisei mais a fundo e encontrei duas aulas nas quais ele explica mais sobre este sistema. O interessante é que cada camada representa um signo do Zodíaco, ou seja, para entender melhor o que se passa, torna-se necessário entender o arquétipo daquele signo, apesar de isso não ficar muito patente, nem no texto, nem nas aulas. Eu não poderia de deixar de fazer um paralelo com os 17 níveis de consciência do Hawkins, mas acabei por concluir que não tinha muita coisa em comum.

O ponto mais importante no sistema de 12 camadas é o sofrimento: o aspecto sobre o qual a pessoa sofre indicaria em qual camada ela se encontra. À primeira vista parece algo raso, mas é através do sofrimento que a pessoa define sua visão de mundo. Isso lembra os fatores e os vetores de desenvolvimento: os primeiros, por mais dispersos que pareçam, estão interligados por uma questão principal, que é a lição a ser aprendida, o vetor. E eu já escrevi aqui no blog sobre a abordagem em relação ao sofrimento.

A mudança de camada se dá com a mudança de propósito em relação à vida, com uma nova visão de mundo. A estrutura de personalidade não muda, mas se desenvolve. De certa forma, aproxima-se com o que Hawkins fala sobre a evolução da pessoa: ela não se torna outra, mas quem ela realmente é. No entanto, enquanto Hawkins define regras e mais regras para se analisar um nível de consciência, Olavo afirma que pela autoanálise de sua dor que é possível definir em qual camada se encontra. Pessoalmente, acho ambos os métodos imprecisos: uma pessoa de nível baixo não conseguiria definir por si mesma (nisso concordo com Hawkins), mas a técnica de calibragem também precisa de mais pesquisas.

Achei estranha a noção de consciência dada por Olavo: um valor que se desenvolve quando é perseguido - mas o que se persegue? Talvez dê para encaixar o conceito de Hawkins: a percepção de si e do mundo, além de uma mera resposta neurológica. Essa noção acaba por ficar solta ao longo do texto, mas não pude deixar de pontuar.

A definição até a camada 9 é bem sólida e coerente: é o desenvolvimento da pessoa ao longo da vida, indo de encontro com as manutenções periódicas das quais as pessoas passam, ou deixam de passar. Os signos do Zodíaco acabam, enfim, por ser excelentes representações das mesmas:

  • Primeira: Áries, o princípio da ação;
  • Segunda: Touro, as estruturas externas (família, criação, genética);
  • Terceira: Gêmeos, a cognição e comunicação;
  • Quarta: Câncer, a emoção e o afeto;
  • Quinta: Leão, autoafirmação e poder pessoal;
  • Sexta: Virgem, organização e efetividade;
  • Sétima: Libra, atuação num meio social;
  • Oitava: Escorpião, fim de um ciclo;
  • Nona: Sagitário, começo de um novo ciclo, além do estabelecido anteriormente.


Basicamente, até a oitava camada, são fases fisiológicas de uma pessoa: ela nasce, cresce, amadurece. Se o indivíduo não supera seus sofrimentos, fica com aquele comportamento imaturo, que é tão típico hoje em dia. Isso não tem a ver com o desenvolvimento de consciência, se for pensar em Hawkins. A pessoa pode ser madura mas ter uma visão limitada das coisas, apesar não haver uma pessoa evoluída e imatura (um iluminado pode ser um crianção, mas não por imaturidade). Olavo dá a entender que a pessoa pode chegar à maturidade de forma incompleta, mas isso contradiz com a própria questão de superação das camadas, entrando no aspecto de pseudo-evolução que abordarei mais pra frente.

Por um momento, acreditei que a quarta camada que Olavo tanto fala em outros textos e aulas pudesse ter alguma relação com o nível 200, Coragem. Aquela seria a camada pré-adolescência, quando a criança precisa de afeto. Se ela não passou por isso, afirma Olavo, vai precisar de psicoterapia para superar. Seria essa a camada na qual está a maioria da população brasileira, que quer apenas afeição, nada mais. Isso até lembra de longe os níveis mais baixos de consciência, que realmente precisam de muito carinho para superar e crescer, mas não é um fator definitivo, muito menos é relevante para tomar consciência de suas próprias ações: a pessoa pode ser ciente de seus atos, mas ainda querer afeto.

Os níveis de consciência mais próximos às camadas de personalidade são Disposição (camadas 5 e 6), Aceitação (camada 8) e Razão (camada 9) - os que impulsionam o processo de maturidade da pessoa. Esse intervalo entre camadas pode mostrar os detalhes no processo de amadurecimento sob outro ponto de vista. A pessoa deixa de se melhorar sem uma finalidade definida para ter um resultado efetivo sobre o que faz. Não adianta mais saber fazer, tem que fazer bem feito - isso descreve a passagem da Neutralidade para a Disposição. Interessante que a evolução da Disposição para a Aceitação é um caminho longo, e no sistema do Olavo pode ser representado por quatro camadas de personalidade: quinta, sexta, sétima, para concluir-se na oitava.

A sétima camada de personalidade seria a transição para a Aceitação propriamente dita, e é descrita pelo Olavo como o desenvolvimento de um papel social, que seria a troca de expectativas entre as pessoas. Lembra o post sobre os perfis sociais que criamos para nos entender melhor com as pessoas - sem deixar de ser nós mesmos, mas nos adaptar a quem pode não nos entender. São poucos que realmente nos entendem e nos conhecem: acabar por transparecer isso o tempo todo pode ser doloroso, por mais honesto que possa parecer. Quando isso é superado, a pessoa pode olhar para sua vida como um todo coeso: e você pode escolher se esta afirmação é de Hawkins ou do Olavo (ou dos dois).

As coisas começam a ficar estranhas a partir da décima camada, quando a pessoa começa a transcender sua personalidade em nome de algo "coletivo", aquilo que ela descobriu interiormente traz para fora. Assim como o conceito vago de consciência, a questão das camadas superiores é envolta por uma contradição: a pessoa passa a ter a partir do momento em que ela quer ter. Contudo, se todos têm todas as camadas para desenvolver, como é possível não ter?

Essa camada lembra a Razão de Hawkins, quando a pessoa começa a abrir mão de si mesmo, do seu emocional, em nome de algo maior. Contudo, é um nível que acaba por levar as pessoas ao engano: por acreditarem que a Razão explica tudo, ficam presas neste nível, como bons exemplos há os gênios que Hawkins calibrou em 499, como Freud e Einstein. Já Jung e Bohm, que foram além dos teóricos anteriores, conseguiram alcançar o nível do Amor, o que faz total diferença em seus trabalhos. Apesar do altruísmo presente na nona camada, falta a compaixão necessária para o nível do Amor, e isso persiste nos níveis seguintes. E como disse antes, os paralelos com os níveis de Hawkins acabam aqui.

O "eu transcendental" da décima camada parece mais o despertar da consciência do nível 200 (Coragem) do que algo acima de 400 (Razão) - em aula, é explicado como a pessoa que passa a "manipular o tecido social" ao invés de se deixar manipular. Ora, e como se verá na próxima camada, não é a pessoa que influencia a sociedade per si, são seus atos. Mesmo uma pessoa de nível de consciência baixo pode ter uma atitude evoluída e mudar as coisas - sobretudo ela mesma. É possível o indivíduo ter uma obra ou fazer um trabalho acima do seu próprio nível de percepção. Na décima primeira camada, o indivíduo perante a História, é algo mais próximo à vaidade e à evolução negativa do que à transcendência de si mesmo: com qual consciência ele quer mudar a História?

A descrição de pessoas na décima primeira camada bate com a de qualquer pessoa que fez grandes coisas no mundo: de cientistas a genocidas. O que me deixa na dúvida se os grandes genocidas e afins da humanidade têm estruturas de personalidade sólidas e maduras - talvez de forma doentia, como a evolução negativa da escala Hawkins. Por fim, a décima segunda camada lembra a Iluminação de Hawkins quando se afirma sobre um centro decisório acima da pessoa, que é Deus - o iluminado pensa em Deus sem as fronteiras presentes nas camadas, algo que deve ser levado em consideração. Acredito eu que não tenha sido intenção aproximar esta camada do conceito de iluminação, e realmente parecem coisas muito distantes (Alegria ou Paz, talvez).


Para finalizar, é apresentada uma forma de analisar em qual camada a pessoa está. Reitera-se que o procedimento é mais autoanalítico do que feito por terceiros - a menos que seja uma pessoa do convívio do analisado. O problema é que a própria pessoa a fazer a análise pode se deixar levar pela vaidade de querer se colocar níveis acima de onde realmente está, sobretudo as mais imaturas: pode-se dizer que dói em uma sétima camada, mas ser um problema de quarta, por exemplo. Nessa levada, não se pode analisar pessoas externas, como é feito com Napoleão no texto de Olavo. Acho que ele não viveu com o francês para ter essa conclusão, dentro de suas próprias premissas.

Hawkins afirma que podem ser analisadas diferentes pessoas nas mais diversas épocas, desde que os "sujeitos de teste" (para calibragem) tenham nível de consciência de no mínimo 200 - a partir deste nível, a precisão sobe consideravelmente, chegando ao nível máximo em 500. Ao contrário da escala Hawkins, contudo, em que os níveis se entrelaçam, e a pessoa acaba por aprender lições de diversos níveis enquanto "permanece" em um nível específico, o sistema de camadas separa cada uma como uma cebola, na qual você vai alcançando camadas cada vez mais externas, uma separada da outra, apesar de envolver as anteriores.

Uma coisa importante é que para Olavo você não regride camadas, apenas avança de forma falsa, passando por situações de uma camada superior mas com a mentalidade de uma camada inferior. Pessoalmente, não acredito que seja assim: se uma pessoa passa por uma situação extremamente dolorosa, ela pode sim regredir sua evolução, sendo mais difícil voltar ao nível em que estava antes. Parece que essa "progressão falsa" lembra o que falei sobre o entrelaçamento de níveis evolutivos, sendo um aprendizado de algo mais elevado dentro de uma percepção mais limitada.