terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Desobediência Civil e Rebeldia

Essas duas expressões estão ganhando força ao longo das últimas semanas. Desobediência civil nada mais é que descumprir leis que estariam violando princípios elevados, como a vida, e talvez seja o aspecto mais radical da rebeldia, pois ser rebelde por ser rebelde é algo fácil de ser controlado: o atual público "alternativo" é muito mais manipulável do que pessoas comuns, pensando neste aspecto. No entanto, para se pensar em desobediência civil, é necessário refletir sobre as leis e em que elas se baseiam: usos, costumes e princípios.

Uma legislação se baseia nos usos e costumes de sua população - ou pelo menos deveria se basear. Se ela se baseia em usos e costumes, consequentemente não haveria justificativa para desobedecê-la, mas mesmo assim isso ocorre, por vários motivos. O importante é reconhecer que são os usos e costumes que geram as normas em uma sociedade saudável, normal, e que estas normas deveriam ser de fácil dedução pelos usos e costumes, para que as pessoas as absorvam de forma natural.

Atualmente, parece que ocorre algo anormal: normas que destoam dos costumes, ou que tentam obrigar as pessoas a mudarem para se adaptar, ou mesmo para modificá-los de forma inconsciente, através da dissonância cognitiva. As leis parecem perder o sentido quando desrespeitá-las torna-se comum, sobretudo nas normas mais cotidianas, como o código de trânsito ou as normas do transporte público. Se as pequenas leis são desrespeitadas, como obedecer às grandes?

Deve-se frisar que leis são fundamentais para se ter ordem na sociedade, e ordem é necessária para se viver bem. O ponto em questão deste post é quando as leis fogem dos princípios e costumes que a sociedade carrega em si, e começam a atentar contra valores importantes, como a vida e a busca pela genuína felicidade. Como explicar, por exemplo, que desobedecer às leis é errado, mas que há leis que devem ser desobedecidas em nome de algo maior (ex: excludente de ilicitude)?

Existe um ditado que fala que "lei absurda não se cumpre". Faz sentido quando você sabe refletir sobre uma norma e por que você não a está cumprindo. Este é o cerne da desobediência civil: desobedecer leis que claramente interferem na vida e na liberdade das pessoas sem quaisquer benefícios à sociedade em questão. O que é totalmente diferente de violar leis que realmente são necessárias para que todos vivam bem.

Infelizmente, para aprender a diferenciar uma coisa da outra, é necessário discernimento, valores, maturidade, evolução de consciência. Para explicar isso para outra pessoa, são necessárias horas, das quais não se têm, na maioria das vezes - isso quando a outra pessoa tem interesse de ouvir e entender, o que também é raro.

A partir da definição de desobediência civil é que se pode entender o que é a verdadeira rebeldia. Não é se vestir diferente das pessoas, encher o corpo de piercings ou ouvir músicas subversivas (que na maior parte possuem baixos níveis de consciência). Está muito mais ligada à definição de desobediência civil do que de ser "alternativo". O verdadeiro rebelde não é manipulável e tem consciência do que faz, por isso são considerados perigosos por todos, são imprevisíveis.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

O Poder nas Artes

 
Rosácea da Catedral de Chartres - França

Não existe arte sem beleza: beleza é um fator objetivo, não subjetivo; não é mera questão de gosto. Você pode não gostar de determinado estilo de música, mas admite a beleza de uma bem feita. Assim como "beleza real" não é justificativa para desleixo. Os grandes trabalhos artísticos são expressões de elevados padrões de consciência. A arte elevada provém de locais nos quais há o esforço de trazer os valores espirituais à realidade mundana.

Assim como não há arte sem amor: é um processo de criação da alma. Obras digitalizadas têm menor calibragem que as originais, assim como falsificações são testadas como fracas. Das artes, a música é a mais sutil e a mais emocional, que faz as pessoas terem rompantes de amor e criatividade, ou mesmo chorarem profundamente. A música clássica, de forma geral, é a que está mais ligada a padrões atratores elevados em relação a outros estilos.

Já a arquitetura é a mais tangível e influenciadora da vida das pessoas, mesmo que elas não percebam. Vivemos em construções. Note a diferença da qualidade de vida das cidades cujas arquiteturas são mais belas: das casas de palha no interior da Irlanda às catedrais europeias, a apreciação da estética permite demonstrações de beleza das mais diversas formas. Cidades que não se preocupam com a estética arquitetônica costumam ter uma qualidade de vida baixa, com uma população infeliz e altos índices de criminalidade.

As grandes catedrais são as construções com padrões mais elevados: edifícios dedicados ao divino, gerados em nome do Criador, alinhados aos mais altos padrões em todos os aspectos. A catedral não apenas inspira, mas une, ensina, simboliza e serve ao que há de mais nobre no homem. A graça é uma expressão de poder da sensibilidade estética: o poder é sempre manifestado com graça, seja na beleza de um traço ou no estilo de expressão.

Graça é sempre associada com elegância, refinamento, fluidez natural. É um aspecto do amor incondicional, sendo associada à modéstia e à humildade. Grandes artistas são gratos pelo poder de suas obras, pois sabem que é um presente pelo bem da humanidade, envolvendo responsabilidade pelos outros. A beleza se expressa de formas diversas, mas sua essência permanece a mesma. Quem possui alto nível de consciência consegue perceber a Beleza nas mais diversas expressões.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O Poder Social e o Espírito Humano

Ao contrário do que se se pode pensar, o capítulo 13 do Power vs. Force trabalha a questão do poder do espírito humano sem a questão materialista que muitos associam a palavra "social" hoje em dia. O verdadeiro atleta é a demonstração de todos os significados da palavra espírito: coragem, tenacidade, comprometimento, alinhamento com princípios, demonstração de excelência, honra, respeito e humildade. Inspirar-se é estar cheio de espírito, se for pensar, assim como desanimar é estar sem espírito.

O espírito é a presença, a essência vital, que sem ele morre-se nos vários sentidos. Apesar de ser algo não visto e de expressar-se de formas diversas, é algo imutável. Seria o verdadeiro poder, assunto principal deste livro. Este poder está, de certa forma, ligado ao espírito, e quem se desliga do espírito desliga-se do poder, da humanidade, do amor e do autorrespeito. Dá para se pensar, dessa forma, em como este mundo tornou-se material: não exatamente consumista, mas sem valores, sem racionalidade, focado nos próprios interesses.

Um erro comum é associar espiritualidade à religião. Como eu disse em outro post, há uma diferença entre a doutrina religiosa e a experiência espiritual: geralmente, para não dizer sempre, o primeiro limita o segundo. Uma coisa é seguir princípios espirituais, presentes na maioria das religiões; outra coisa é seguir uma doutrina, condenando visões diferentes do mesmo princípio. Ao longo do tempo, os princípios espirituais são distorcidos em nome de interesses pessoais: note que uma pessoa verdadeiramente espiritualizada é tolerante, mas a religiosa não o é.

Algumas religiões e culturas são pautadas em valores distorcidos e/ou mal interpretados. Enquanto os ensinamentos dos grandes mestres espirituais são calibrados em altos níveis, e há uma queda na calibragem do campo de energia quando são sistematizadas em religiões. A mera expressão de princípios elevados é algo fraco: como eu já disse antes, apenas dizer "todos somos um" não significa nada se você realmente não entende e vive isso.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Só por hoje, eu sou calmo... quê?

Como já usei o título Calmaria em meio à Tempestade, mas quero voltar ao tema, decidi usar um título mais objetivo. Ser calmo não é ser passivo, complacente, apático. Eu já falei sobre outras vezes, mas vou tentar centralizar em um post só, baseando-me no primeiro princípio do Reiki: só por hoje, sou calmo, ou só por hoje, não te zangues.

Na maioria das vezes, para não dizer em todas as vezes, a pessoa passiva é rancorosa, amarga. Ela não age de forma ativa pela própria vida, mas espalha sua amargura por onde passa, tornando o ambiente pesado e triste. Por mais que ela escreva textos e compartilhe postagens motivacionais, sempre fica aquele tom de indireta e de agressividade. A pessoa não é calma realmente, ela está se consumindo por dentro.

Por outro lado, a pessoa aparentemente explosiva pode demonstrar calma e autocontrole em situações extremas e mesmo dolorosas. Por ela fazer, por ela tomar atitude, pode-se pensar que ela não esteja bem, que seja uma pessoa amarga e irritadiça. A sociedade desaprendeu a tomar atitude, e por isso não sabe agir com calma perante as situações - e quem o faz não é considerado calmo.

Ser calmo é fazer as coisas que devem ser feitas sem se afobar e sem se descontrolar. Em uma sociedade em que as pessoas vivem fora de controle sem perceber, ter autocontrole parece algo surreal, impossível, e até negativo em alguns casos. A meditação pode agravar o problema pela pessoa dar um direcionamento errado ao processo: acaba-se condicionando a uma passividade desnecessária e pouco saudável.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Mantendo a sanidade

Este ano que se passou foi um grande desafio à sanidade, simples assim. Informações controversas vindas de todos os lados, pessoas que surtaram sem perceber, problemas profundos que vieram à tona nos piores momentos. O pandereco foi muito mais uma questão mental do que fisiológica: epidemias sempre ocorreram e sempre ocorrerão, mas esta foi diferente por um motivo muito simples: controlou-se a mente e o coração das pessoas, fazendo-as tomar atitudes das mais irracionais em nome de algo.

Que as pessoas tendem a ser mal educadas e pouco gentis já se sabe, mas nos últimos meses as pessoas têm apresentado uma agressividade mal contida: ficar preso em casa abala de forma profunda a mente das pessoas. Mesmo quem é mais "caseiro" parece que sofreu com o simples fato de não poder sair de casa à hora que quisesse. Na hora de finalmente sair, parece que o estrago foi consumado: percebeu-se que as pessoas não conseguem mais conversar direito mais umas com as outras, ou mesmo interagir de forma lógica.

Eu já havia escrito sobre essa dificuldade de interação entre as pessoas, isso já ocorria de uns anos pra cá (que eu acredito que sejam décadas). Agora com o ano no fim, notou-se que tudo é binário: certo e errado, nós e eles, aliados e inimigos. Não se evita o diálogo, mas o contraditório, a opinião divergente, discordante. Não se percebe a veracidade da afirmação "não há prova de que dá certo, mas não há prova de que dá errado" - isso é tão possível quanto real.

O problema é que isso não é apenas em nível pessoal, mas em nível social e mesmo mundial: não há certezas porque não há possibilidade de análise das informações transmitidas. O divergente é censurado por ser divergente - parece até o livro de mesmo nome, onde as pessoas eram perseguidas por possuir características de mais um grupo, e divergirem da maioria. Como as pessoas não estão em seu estado mental perfeito, abaladas pelo ocorrido, divergir torna-se ainda mais perigoso.

Para censurar, não é mais necessário um decreto legal. Basta "esconder" a informação das redes sociais, rotulá-la sumariamente de falsa - antigamente os boatos corriam tão livres - e perseguir quem ousar questionar. Essa perseguição sutil gera um tipo de paranoia que sufoca mentalmente o pensamento: mede-se as palavras não para não ser descortês, mas para não tomar um processo - ou um tapa na cara.

Como continuar pensando de forma clara e racional em tempos em que reina a insanidade? Mantendo a consciência do pensamento. Estando consciente de que as coisas estão erradas, de que as pessoas não estão bem e se adaptando à situação de forma que isso não lhe afete mentalmente. Fazer o certo é necessário, principalmente nos momentos mais difíceis, e cada vez mais é necessário fazê-lo com sutileza e sabedoria.