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Os Caça-Fantasmas (1984, 1989, 2021)

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Pode-se estranhar por que não está referenciado o filme de 2016, e o motivo é simples: este busca anular o que ocorreu nos filmes anteriores, tentando direcionar a história para uma perspectiva revolucionária, algo que os primeiros tentaram combater. O filme de 2021, apesar da aparência de remake , já que possui a mesma história, vem complementar a trilogia, com cores pesadas e dramáticas. Caça-Fantasmas (sem o artigo, o de 2016) falhou. A geração seguinte a dos anos 1980 falhou em lutar pela liberdade, acomodada pelo mundo confortável após tantos fantasmas aprisionados, chegando ao ponto de desacreditar na existência destes e menosprezar o trabalho d'Os Caça Fantasmas da geração anterior. O que chama a atenção no filme mais recente não é a atualização dos efeitos especiais, mas sim o tom dramático que a história tem. Não é mais aquele filme bem humorado de cientistas excêntricos pesquisando sobre espectros, mas um filme dramático no qual a humanidade está em risco sem pessoas

Shazam! (2019)

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Shazam é um filme que merece atenção. Não irei comentar sobre a história nos quadrinhos, ou quão próximas são ambas as versões, mas como Shazam é um herói de verdade. Apesar de ser apenas um garoto de 14 anos, desastrado e sem noção, ele foi escolhido para herdar um poder ancestral por conta da pureza do seu coração: a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, os raios de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Todo esse poder para combater os Sete Pecados Capitais, que podem lançar a humanidade no caos e na barbárie. Pode-se até pensar no anime Nanatsu no Taizai, mas a temática de Shazam lembra uma história medieval conhecida como A Guerra dos Vícios conta as Virtudes, copiada em diversos mosteiros, com um estilo que hoje é conhecido por gore : as Virtudes lutam contra os Vícios em combates mortais, narrados (e ilustrados) com riqueza de detalhes - aqueles que não irei citar aqui. Não sei se o autor de Shazam conheceu essa história, mas não d

Por que eu não tenho YouTube

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Vira e mexe algum leitor (de longa data ou não) me pergunta por que não tenho um canal no YouTube. A facilidade que as pessoas têm para ouvir e (às vezes) ver os vídeos é proporcional à dificuldade que o dono do canal pode ter para criá-los. Não é de agora que deixei de lado essa ideia estapafúrdia, mas como esta pergunta é recorrente, melhor escrever (ou desenhar) o motivo. Se você não tem rios de dinheiro para contratar uma produtora para gravar e editar os vídeos por você (o que de quebra joga a relevância do canal lá pra cima), você terá que gastar tempo (e dinheiro) para gravar os vídeos. O planejamento que ensinei sobre os temas abordados em um blog, assim como a plataforma em que ele será publicado, estende-se também, no caso de vídeo, da forma que ele será gravado. Dependendo do caso, você terá que gastar em uma boa câmera e em um bom microfone, com a real possibilidade de não receber um mínimo tostão. Não existem editores de vídeo bons e gratuitos: o que existem são platafo

Mulheres que Correm com os Lobos - 15: Encerramento

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Eu analisei o livro partindo do conceito de Feminismo como movimento político-ideológico. Entretanto, pode-se concluir que Mulheres que Correm com os Lobos é um livro que mostra o Feminismo como uma seita de mulheres que busca dominar a sociedade. Seria uma espécie de sociedade secreta baseada em religiões antigas (ou no que dizem ser religiões antigas), com ritos, valores e divindades. A maior parte dos seus membros são de baixa hierarquia, não tendo nenhuma noção do que ocorre lá dentro (ou lá embaixo). Só assim para entender a imagem da Mulher Selvagem que Pinkola Estés apresenta no livro. Não é de um arquétipo, é ampla demais para tal, além das associações constantes com entidades de cultos antigos. Com a mente confusa, pelas histórias e pelos floreios, a mente da leitora é reprogramada para buscar essa imagem como estilo de vida, como resposta a anseios (reais ou inseridos), tornando a Mulher Selvagem uma divindade de um culto ideológico. Isso também explicaria por que feminist

Mulheres que Correm com os Lobos - 14: Bibliografia

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Como a própria autora diz, a Bibliografia não é apenas uma lista de livros utilizados para elaboração da obra, como também uma lista de livros recomendados para a leitora que tiver interesse em se aprofundar na causa feminista e ambientalista. A Bibliografia pode ajudar a descobrir de onde vem a maior parte das citações sem referência presentes na obra, mas como eu disse anteriormente, isso seria trabalho para outro livro, requerendo talvez anos de pesquisa. Alguns livros estavam disponíveis em português à época e mais alguns foram traduzidos posteriormente. Há livros esgotados - e que não estão disponíveis nem em versão digital - e alguns clássicos, tanto literários quanto religiosos. Pinkola Estés sugere a combinação da análise das obras da Bibliografia com obras de Filosofia, como as de Kant, Kierkegaard e Mencken, mas eu tenho uma ideia melhor: analisar as obras mais populares para ter uma melhor ideia da base utilizada pela autora. Os livros de literatura são em grande parte do

Mulheres que Correm com os Lobos - 13: O que as histórias realmente querem dizer

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Olhando Mulheres que Correm com os Lobos de uma perspectiva feminista, como dito anteriormente, vê-se que a obra é um manual de formação de militância. No entanto, é um tipo de militância sutil, que não tem consciência de que atua por uma causa ideológica, o que pode ser chamado de idiota útil , segundo Gramsci. Decidi então mostrar o que a autora quer dizer (ou programar) com as histórias apresentadas, apesar dos floreios e dos recursos motivacionais, além de fazer alguns comentários sobre. La Loba: quebra da ordem natural, ressurreição sem intervenção divina. Começar a aceitar ideias absurdas. Em histórias onde há um "retorno à vida" provocado sem motivação divina, quem a promove é um ser maléfico, com intuito corrompido. Barba-Azul: questionar tudo que vem dos homens, a ponto de gerar a discórdia. Homens apenas podem ser aceitos se submissos à mulher. Nessa história, a mulher tenta negar a cumplicidade que possui com o marido e no final utiliza seus irmãos para sair d

Mulheres que Correm com os Lobos - 12: La Llorona

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A outra vez que eu ouvi falar da Chorona, fora o livro em análise, foi no seriado Chaves, em um episódio onde comentavam sobre assombrações. Ela é o equivalente hispânico do Velho do Saco: uma pessoa que leva embora crianças mal comportadas. No entanto, a história de La Llorona vai além de uma sequestradora, e Pinkola Estés tenta colocá-la dentro dos princípios feministas a todo custo. De acordo com a autora, La Llorona é uma moça que teria aceitado casar-se com um homem que estava perdidamente apaixonado por ela e tiveram dois filhos. Depois de um tempo, ele anuncia que precisa voltar para a Espanha e que levaria os filhos junto para terem uma vida melhor. A moça não aceita e se joga num rio com as crianças. Ao chegar ao Céu, o porteiro (acredito que seja S. Pedro) diz que ela está perdoada, mas para entrar precisaria trazer as almas dos filhos, perdidas no fundo do rio. A lição que ficaria é a de que as crianças não poderiam ficar até tarde brincando fora de casa: La Llorona poderi