terça-feira, 5 de outubro de 2021

Sobre Padrão de Beleza

Esse sumiço virtual tem um motivo importante. Infelizmente não tenho mais tempo para me divertir escrevendo neste blog - espero que seja apenas uma situação temporária, mas enfim...

Um assunto que me chamou a atenção esses dias foi a questão do padrão de beleza feminino, que para algumas pessoas é tão normal que não percebem seus reais riscos e danos. Talvez não percebam que parte da discriminação existente com algumas mulheres seja por isso.

Lembrando que há o preconceito, instintivo nosso, e a discriminação, programada pela sociedade. Eu fiz essa distinção em dois sinônimos para ilustrar o que ocorre, não que exista uma diferença profunda entre ambas as palavras. A discriminação acaba por embotar o preconceito verdadeiro. Cria-se um novo padrão do que é perigoso, ruim ou indesejável, distorcendo o que realmente é perigoso, ruim ou indesejável.

Indo para a questão estética, não é uma questão de indústria, capitalismo nem nada do gênero: se as mulheres, e mesmo as pessoas num aspecto mais amplo, valorizassem quem realmente são, o mercado de cosméticos continuaria existindo normalmente, pois continuaria existindo oferta e demanda de produtos.

A questão é puramente ideológica: há o grupo que só considera bonita a mulher dentro daquele padrão - um pé fora já é considerada "feia", "incompetente" ou mesmo "inferior". Por outro lado, há o grupo do "grotesco": qualquer coisa, por mais bonita que seja, é considerada "feia, "opressora", e se deve adotar sempre o pior como forma de protesto.

Outro dia estavam comentando do conceito de dracofobia: preconceito a pessoas feias. Isso sempre existiu, mas infelizmente vai tomar uma dimensão ideológica e gerar mais uma camada de censura sobre a sociedade - e não vai resolver a questão do padrão de beleza.

Vamos clarear as coisas, expô-las à luz da razão: usar maquiagem, fazer as unhas, aplicar escova progressiva no cabelo e se vestir com a roupa da moda não faz uma mulher mais bonita - simples assim. Isso pode apenas melhorar o que é já é bonito, não fazer uma "beleza estonteante" surgir do nada. Como diz o meme: "que perfume você está usando? Nenhum, apenas tomei banho."

Infelizmente as pessoas pensam o contrário, abrindo espaço e dando razão para quem confunde vaidade com higiene. Um cuidado básico com o corpo é saudável e necessário - o verdadeiro cuidar de si. É necessário cuidar da própria higiene, e isso não tem nada a ver com padrão de beleza. Agora, se você vai lavar o cabelo com shampoo e condicionador ou fazer todo um tratamento capilar, o problema é seu.

Pode-se pensar que essa é apenas uma questão de adolescentes, mas não é. Mulheres perdem o emprego por estar com o cabelo desalinhado ou com uma roupa mais confortável e discreta - sua competência profissional é deixada de lado em nome da aparência.

O ideal é buscar a famosa e clichê "beleza interior", valorizar o que se realmente é, não porque alguém falou, mas porque é legal e divertido de fazer. Você se diverte passando horas num salão tendo seu cabelo repuxado, ou prefere ficar horas com uma touca enrolada na cabeça enquanto um creme atua? A escolha é sua.

Agora algo que parecerá contraditório: aparência é um negócio externo. Em alguns casos, é necessário parecer "aceitável" para outra pessoa, ou, como eu gosto de falar, "fazer cosplay de ser humano". Justamente para não perder um emprego, justamente para ser ouvida. É necessário ter consciência disso e não confundir as coisas: é limpar a maquiagem no final do expediente e voltar para casa.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

O Capitalismo não é selvagem, mas as pessoas sim

Não existe um sistema político-econômico perfeito, tendo em vista que as pessoas não o são. Tudo tende à entropia, ao caos, sobretudo se não houver um esforço genuíno em vista do crescimento e da ordem (cosmos - de onde surgiu a palavra cosmética). Acredito que pessoas evoluídas podem viver bem em qualquer sistema político, pois se pensaria no outro sem fins egoísticos. O grande problema desses sistemas é o desejo de poder escondido sob uma aparência de ordem - ou mesmo de harmonia.

É praticamente impossível pensar nisso sem pensar no clichezão do que foi o Socialismo no século XX: tirania e miséria em nome de uma pretensa igualdade. Este nunca foi o objetivo, e nunca será, vide países socialistas, em situação de miséria extrema ou em vias de. Nem é necessário lembrar-se de uma de suas mutações, o progressismo, que é a perseguição ferrenha a pensamentos divergentes, chegando à irracionalidades que não são questionadas por pavor dos perseguidores.

Como historiadora, devo esclarecer algumas coisas: Capitalismo não é sistema político, e sim um sistema econômico, onde as trocas se dão por uso de uma moeda - representante simbólico de determinado valor. Este sistema de trocas é possível na maioria dos sistemas políticos, dos mais democráticos aos mais tirânicos. Lembre-se de que nos regimes nazi-fascistas havia comércio e consumo, controlados pelos governos através de monopólios e oligopólios.

Avançando no tempo, vendo as pessoas falarem que o "Capitalismo é ruim" e que "consumir é ruim", volto pro começo do post: o problema não está no sistema de trocas, mas em quem os opera. Querer economizar a qualquer custo gera tanto prejuízo quanto um comprador compulsivo. Infelizmente, em busca de uma qualidade de vida melhor, é necessário ganhar mais e mais dinheiro, pois se torna cada vez mais difícil, para não dizer impossível, ter uma vida confortável com o que se ganha.

Hoje em dia é comum a pessoa ter uma segunda ou terceira ocupação para pagar as contas, geralmente ligadas às áreas de comércio e serviços, o que gera uma saturação nesse meio, sobretudo na internet. Tanta gente querendo vender na internet que fica praticamente impossível encontrar pessoas querendo apenas se divertir, fazer o que gosta sem pensar em dinheiro. Qualquer coisa ficou monetizável: de conselhos de vida até como gerenciar a própria casa.

Por um aspecto, isso não é ruim. É essa liberdade de iniciativa que faz as pessoas crescerem e a sociedade como um todo de quebra. Deve haver espaço para escolhas e responsabilidade para com elas. Por isso um regime mais liberal é mais racional e preferível a uma tirania: as pessoas tomando suas próprias decisões e respondendo por elas é muito mais saudável do que alguém "em cima" ordenando o que deve ser feito ou não - a menos que o interesse seja justamente que as pessoas sejam manipuladas.

O lado ruim é que quando um meio econômico está saturado, a qualidade oferecida despenca, o que é surpreendente, pois a tendência é que quanto maior a concorrência, melhor a qualidade para se manter no mercado. Não, busca-se vencer a concorrência não pela qualidade, mas pela quantidade: um serviço perde valor pela quantidade de profissionais disponíveis para tal, em sua maioria desqualificados para cumpri-lo com excelência.

Isso sinaliza algo importante: se apenas um determinado nicho está sendo buscado como uma atividade econômica complementar, é porque os outros nichos estão bloqueados para atuação. Não digo saturados, pois não há excesso de profissionais, mas porque há um domínio de grupos e pessoas que não permitem a livre concorrência em seus meios. Por que em alguns meios há livre iniciativa, concorrência entre profissionais, enquanto em outros há uma estagnação ensurdecedora? O que está realmente acontecendo?

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Não espere pela justiça divina

Antes de tudo, deve-se entender que a justiça divina não é um julgamento no qual todas as pessoas passarão após morrer, sendo punidas ou não pelos seus feitos. Talvez possa acontecer? Talvez. O fato é que deixar uma injustiça acontecer porque "a justiça divina irá dar a devida punição" é tirar a própria responsabilidade sobre e projetá-la em algo considerado inacessível.

Apelar para esse jargão tornou-se comum nos dias atuais, quando as coisas parecem não ter solução prática. Problemas estruturais demandam mudança de perspectiva, de preferência a nível coletivo, sendo este algo extremamente difícil de acontecer. Pessoas que tomam consciência da situação acabam por sentir-se nadando contra a maré, como se lutassem uma batalha já perdida.

Injustiças ocorrem o tempo todo, e parece que hoje em dia ocorrem de forma escancarada. Pensar de forma mais racional tornou-se algo abominável para algumas pessoas, enquanto o relativismo niilista é apresentado como evolução espiritual. O que resta para a geração abstraia é acreditar que Deus irá punir todos os injustos de forma exemplar e que seus eleitos, esta geração se considera inclusa, viverá paz e bonança eternas.

Todos somos responsáveis, de alguma forma, pela situação atual, seja pela ação, seja pela omissão. Omitir-se perante uma injustiça é ser cúmplice dela, e o omisso é tão responsável quanto o injusto. Obviamente deve-se medir as ações no combate às injustiças, pois uma atitude imprudente pode ser tão danosa quanto a própria omissão. Muitos reclamam do silêncio de alguns, mas abrir a boca pode não ajudar. No entanto, a própria postura discordante já gera efeitos quando algo está errado.

Por mais que aqui seja uma realidade simulada, ordem é algo necessário. Não adianta ficar esperando por algo que pode não acontecer: quantos corruptos foram realmente punidos pelos seus crimes escabrosos? Compensa esperar por uma "justiça externa" enquanto estes aproveitam uma boa vida aqui, à custa de inocentes? Mesmo que estes venham a ser punidos lá, suponha-se, qual o exemplo que foi dado: de que o crime compensa?

Esperar por uma solução externa é anestesiar a mente diante do que acontece, acreditando ser incapaz de fazer algo. Grandes coisas acontecem porque pequenas aconteceram. Combater pequenos problemas abre caminho para resolver grandes confusões. Calar as pequenas maldades silenciam os grandes maldosos. É necessário agir, nem que seja começando a pensar sobre de forma honesta.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Refletindo sobre MGTOW

Antes de tudo, vou dar a minha definição sobre o MGTOW, homens que seguem seu próprio caminho na tradução: são homens que desistiram de estabelecer quaisquer relacionamentos com mulheres (seja a nível pessoal ou mesmo social, incluindo nisso amizades e relações de trabalho) devido às mazelas do Feminismo e ao privilégio feminino presente hoje na sociedade.

É necessário deixar claro que o Feminismo desequilibrou as relações entre homens e mulheres, induzindo comportamentos artificiais, contra a natureza das pessoas enquanto animais. De tanto insistirem que as mulheres são oprimidas e desrespeitadas, foram criadas uma infinidade de recursos para privilegiá-las, tornando o homem, considerado o causador de todos os problemas da humanidade, no maior perseguido da atualidade.

Preste atenção às notícias: quando a mulher é vítima, estardalhaço; quando o homem é vítima, silêncio. Em diversas leis é claro o privilégio feminino, onde deveria prevalecer o princípio constitucional de igualdade jurídica entre os sexos, tendo em vista que ambos passam pelas mesmas situações, o que é diferente da pretensa igualdade que se tenta impor nos dias atuais.

Chega a ser complicado de explicar: se são diferentes, as normas deveriam ser diferentes, mas não. Matar é errado, seja praticado por um homem ou por uma mulher, assim como roubar, ofender, perseguir. No entanto, mulheres que cometem estes crimes acabam tendo penas menores, e até sendo absolvidas, sobretudo se a "desculpa" for violência doméstica.

Com isso, entre outros absurdos, alguns homens decidiram afastar-se das mulheres e ignorar sua existência. Sem violência, sem ofensas (pelo menos por enquanto, talvez): apenas seguir o próprio caminho. Comparado com o Feminismo, mesmo o de primeira onda, o MGTOW acaba sendo um movimento bem mais pacífico, embora pouco organizado. E é bom não sê-lo, afinal não é a melhor resposta para a situação, apesar de ser previsível a uma sociedade acovardada.

Hoje em dia, homens sofrem preconceito por serem homens, principalmente aqueles não efeminados. É normal as mulheres tratá-los desrespeitosamente, como pessoas de segunda classe. Caso respondam ou se defendam, são duramente reprimidos, afinal ainda se tem em mente a máxima de que homem não pode agredir nenhuma mulher, sob nenhuma hipótese, mesmo que esta o agrida deliberadamente (ou, inclusive, ponha em risco sua vida).

Como comentei, MGTOW não é a melhor resposta ao Feminismo: é necessário combater o excesso de privilégios que as mulheres possuem hoje em dia e estabelecer um equilíbrio racional e natural. Mulheres sempre puderam seguir seus caminhos, ao contrário do que dizem as feministas, mas na maior parte das vezes optaram por vidas seguras sustentadas por seus maridos, longe dos perigos da natureza e da sociedade.

Se houve uma época na qual os homens eram "donos" de suas esposas e filhas, hoje em dia ocorre o contrário: homens não podem tomar decisões sem anuência de suas esposas; quaisquer bens que adquiram são-lhe retirados para pagar as famosas "pensões alimentícias", mesmo que sejam para dar-lhe o sustento necessário para pagar os valores devidos. Vê-se como algo positivo apenas mulheres em um grupo, mas como algo negativo haver apenas homens.

A questão principal está em estabelecer um equilíbrio natural, o que é diferente de igualdade social, mas ligado à igualdade jurídica. Com a desculpa de promover uma igualdade entre os sexos, o Feminismo destrói cada vez mais a masculinidade, considerando qualquer manifestação como algo "tóxico" a ser banido permanentemente. É necessário, na verdade, banir este tipo de ideia doentia e extremada, permitindo que as pessoas, homens e mulheres, trabalhar em equipe e fazer suas escolhas da melhor forma possível.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Cruella (2021)

Decidi comentar sobre este filme por conta da onda de obras que tentam justificar a maldade das pessoas, sejam estas reais ou ficcionais. O vilão é pintado como vítima, com um potencial (ou genialidade, termo usado pela protagonista no filme) não reconhecido pelas pessoas em volta, sentindo-se impelida a apelar para atitudes cada vez mais baixas para alcançar seus objetivos.

Uma coisa tem que ficar clara: nada justifica a maldade, absolutamente nada. No filme, dá-se a impressão de que Cruella não teve escolha, mas prestando atenção é possível perceber que sempre houve alternativas para tomar boas atitudes, mas aí vem um detalhe interessante: todos os saltos que Cruella teve na carreira foram quando ela deixou sua maldade falar mais alto - que "belo" exemplo, né?

Repare nos dois amigos que viraram seus capangas: meninos de rua que viviam de pequenos golpes. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dão lugar à manipulação e à submissão. Eles se ressentem com isso, mas acabam por aceitar: parece que para eles ter uma família problemática era pior do que não ter família alguma. Fora os ganhos que tiveram ao longo dos anos com golpes cada vez maiores.

A questão da mãe biológica da Cruella talvez seja o argumento mais apelativo para justificar sua maldade. Não sei quem é mais maligna, se mãe ou filha. O filme tenta induzir à conclusão de que a mãe era mais absurda, ao matar sua empregada (e mãe adotiva de Cruella) e tentar matar sua filha. Penso que Cruella foi tão perversa quanto, pois ela não utilizou do homicídio por ver maiores vantagens pessoais em outras alternativas, também de baixo nível.

O ideal é assistir a este filme pensando em 101 Dálmatas, seja em live action ou na versão animada. Pensar que, no final das contas, ela sempre foi uma pessoa amarga e manipuladora. Sua glamorização não a absolve dos crimes que cometeu ao longo da vida. Ela nunca buscou justiça, nem mesmo superação: seu objetivo sempre foi a vingança e a subjugação de seus concorrentes.