segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Amélia e as Mulheres "de Verdade"

Na minha tenra infância, eu ouvia a música Ai que Saudades da Amélia. Para mim, era uma música como qualquer outra. Ao longo dos anos, comecei a ouvir comentários do tipo: não seja uma mulher Amélia, Amélia era uma pobre coitada, etc. Só que um dia desses decidi pesquisar a respeito: quem era Amélia? Por incrível que pareça, Amélia existiu de verdade, e não era nada daquilo que as pessoas dizem hoje em dia. Só que não vou me ater a sua história de vida, já que ela não transparece na letra da música:

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade


Ué, cadê a parte em que ela lava, passa, cozinha? Na hora eu nem acreditei: falam tanta coisa dessa música que tem 3 estrofes apenas! Leia a letra de novo. Perceba que na verdade ele faz uma crítica a atual companheira, exigente, alheia à realidade (parece as mulheres de hoje em dia). Nessa hora o eu-lírico lembra de sua antiga Amélia, que estava sempre ao lado dele, mesmo nos momentos difíceis. Agora pergunto: isso é ruim? Estar ao lado do companheiro e o apoiar na dificuldade, para mim é o maior gesto de fidelidade de uma pessoa (que hoje em dia está cada vez mais raro, já que no primeiro problema os casais brigam e se separam).

Indo para outro ponto: qual o problema de ser dona de casa? Qual o problema de não possuir um emprego e deixar a casa em ordem para marido e filhos? Pessoas têm escolhas, e qualquer pessoa pode escolher ter uma vida assim, a responsabilidade é dela. Lutaram para mulheres terem direito de trabalhar e de ter uma vida independente, mas amputaram o direito de quem queria ficar em casa. As mães não ensinam as filhas (nem aos filhos) como lavar, passar, cozinhar. Resultado: mulheres contratando mulheres que o sabem fazer, indo trabalhar para pagá-la quando elas mesmas poderiam ter essa responsabilidade sem ônus. Entendeu a lógica?

Acho que saber cuidar de uma casa é essencial. Não precisa ficar perfeito, impecável - só de ficar limpo e organizado já tá bom. Não precisa saber cozinhar pratos elaborados - arroz e feijão sustentam tanto quanto. Digo isso pra homens e mulheres. Só que, por incrível que pareça, são as mulheres que estão passando por maus bocados por causa disso (homem que cuida da casa é fofinho e prendado, ainda bem).

6 comentários:

  1. Concordo com você, inclusive acho que seria bom que tanto o homem quanto a mulher saibam cuidar de uma casa e cozinhar o básico, até porque o lar é o lugar para qual voltamos, e é sempre bom ter ele aconchegante e limpo. Um abraço o/

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    1. Sim, a casa é um local sagrado em que todos deveriam saber cuidar. Assim como a família.

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  2. Essa história de Amélia me cansa. Pessoas gostam de rotular né?! Aqui em casa eu era Amélia, trabalhava fora, dava conta de tudo! Além disso o maridão divide as tarefas comigo. Agora que estou sem emprego ~snif~ eu cuido da casa sozinha sem problemas nenhum.

    Só tenho preguicinha de cozinhar, haha.

    Bjs,

    www.parolar.blog.br

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    1. Pois é. Rótulos apenas atrapalham a vida das pessoas. Retire os rótulos e veja a vida como ela é ;]

      Beijos

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  3. Então, essa música é sim sobre uma mulher "submissa", que se dedica ao trabalho doméstico, põe a mesa, tira a mesa, pega a cerveja, arruma a cozinha e senta no colo. Quando ele perdeu um concurso com esta música ele "muito bem" disse "as Amélias sempre existirão". E existem. E existo também. Que bom poder decidir, certo?

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    1. Ué... Não tem nada disso na música.
      Isso foi uma construção posterior, principalmente de movimentos feministas, que queriam tirar as mulheres de casa para lutar com elas. Foi uma ideia, só que quando começaram a ver que muitas escolhiam o status quo, começaram a lutar contra estas, que "feriam o movimento".
      Outra coisa: qual é o problema de cuidar de um homem? Lavar, passar, pegar cerveja... Eu fico o dia inteiro em casa pra isso, não? O problema é quando o homem começa a perder o respeito com a mulher. E isso começou a ser usado contra o modo de vida em si, não contra o problema. Por isso os homens de hoje possuem essa postura - não se lutou contra o desrespeito em si, mas muito mais pelo fato da mulher ser dona de casa.
      O bagulho é mais complicado que você imagina. Mas não ligo não.

      Beijos

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