quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Somos Todos Crianças


Old Teddy Bear, por George Hodan

Somos crianças, não vamos negar isso mais. Vamos assumir esse lado infantil nosso, seja positivo, seja negativo. Cansei de ver marmanjos fazendo birra achando que têm razão. Se uma criança perde a razão fazendo birra, por que o adulto não deveria? Muitos acham que é a idade que dá razão, o que não é verdade: são nossas experiências de vida, e o aprendizado sobre elas, que nos dão maturidade. Você não vai ter razão meramente pela sua idade.

Além da questão do egoísmo, existe a falta de maturidade também. Crescer não é ficar mais velho, crescer é adquirir experiências ao longo do tempo e saber cada vez mais o que fazer e quando fazer. Não é ter razão, é ter uma opinião mais aprofundada e madura. Ser velho é diferente de ser experiente: há pessoas que passam a vida inteira à pão de ló e nada têm a adicionar, e crianças com experiência de sobra para toda a vida. Experiência vem do aprendizado, que pode ser doloroso ou não - escolha sua sofrer para aprender ou não.

O problema é quando a criança não amadurece - a pessoa se torna birrenta, mimada. Quer tudo do jeito dela, ou de jeito nenhum. E por ser mais velha, por ter maior contato com o mundo, liga-se a pessoas com ideias semelhantes e criam-se movimentos baseados em teorias sem o mínimo de bom-senso. O que se vê na rua não é um juventude engajada e disposta a mudanças, e sim uma criançada que não se conforma com a realidade do mundo e não consegue mudar a própria realidade, tentando, de certa forma, mudar a realidade da sociedade a qual pertence.

Li um texto para a faculdade que propunha uma ideia, mas minha mente teve outra conclusão: independentemente da sociedade ser desigual, ou até mesmo injusta, as pessoas podem ser felizes e viverem bem. Para isso, precisam lutar, correr atrás dos próprios sonhos. O que não significa querer mudar a mente das pessoas (se você sonha com isso, acorde! Isso é um pesadelo!) - mas sim a própria mente. Não se deixe levar pela ideia de que poucos têm muito. Isso é problema deles, não seu.

Não adianta sentar e reclamar que o mundo é mau. Não adianta querer sacanear algo porque não é do seu jeito. Fora que chorar para conseguir as coisas é negar a própria força de vontade e assumir que é uma pessoa incapaz, algo que ninguém é. Ninguém.

Eu me sinto uma criança grande: vejo tudo como novidade, vejo desenhos nas nuvens, adoro bolo de chocolate. Sim, há o lado bom de ser criança, aquele lado inocente e divertido, que não vê maldade nas coisas, que faz traquinagens (aprontar não é algo essencialmente ruim), que morre dentro de nós a cada dia que passa. Estamos estragando nossas crianças interiores, que se tornam seres irritantes e desagradáveis. Sugiro que comece a trabalhar sua infância, refletir sobre seus traumas e seus gostos. Muito do que somos hoje é puro reflexo do que ocorreu no passado. Entender algumas situações de quando éramos crianças ajuda a entender muitas posturas de hoje como adultos.

Ser criança não é algo ruim, é algo a ser trabalhado. Se for parar para pensar, criança sabe ser feliz, sabe se divertir, sabe lidar com a vida sem ver maldade nela (obviamente não estou falando aqui das crianças que são más por natureza - sim, elas existem), e sabe fazer as coisas de forma simples e original. Sua vida irá se encher de luz e cor quando sua criança interior crescer e se desenvolver.

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