sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Você quer que o mundo acabe?

Essa pergunta me veio à mente enquanto eu assistia ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. O samba-enredo era o que você faria se faltasse um dia para o mundo acabar?, e fiquei pensando no quanto as pessoas comentam sobre isso hoje em dia. Comentam das desgraças, dos problemas, e ignoram sistematicamente qualquer coisa boa que venha a acontecer. Desde o começo da década, falar sobre o assunto tornou-se comum, corriqueiro, e rendeu até uma série na tv fechada sobre pessoas que se preparam para tal.

É como se as pessoas quisessem mesmo que o mundo se acabe, de qualquer forma. É uma forma de se fugir dos problemas e até de si mesmo. Um grande ponto final na História - o grande foda-se. Só que até o mundo acabar, os problemas estarão aqui, as dificuldades serão as mesmas (e até piores), e teremos que continuar vivendo nossas vidinhas - o que não significa que ela não pode mudar.

Outra coisa que ficou evidente é como as pessoas aproveitariam esse "último dia": largariam as convenções sociais e curtiriam a vida. Algo meio sem noção, já que na hora todos iriam entrar em pânico e agiriam que nem animais em busca de alimento e abrigo - a catástrofe seria mais humana do que "natural". Se é pra curtir a vida, por que não curtir agora? Se o mundo for acabar, com certeza você já vai ter batido o ponto no serviço.

Sua vida aqui irá acabar um dia - haverá muitas outras, nas quais os problemas irão com você junto com as coisas boas. Aliás, já que o mundo vai acabar mesmo, ou você vai morrer antes (mais provável), por que não dar aquele abraço na pessoa que você ama e dizer o quanto ela é especial, ou mesmo pedir desculpas pela merda que fez. Por que não trocar de emprego para algo mais agradável ou fazer aquele curso superdivertido que todo mundo diz ser inútil?


Bench, por George Hodan

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