sexta-feira, 10 de abril de 2015

Avatar

Este filme sempre me chamou a atenção, principalmente por ter perdido um Oscar para o Guerra ao Terror. Claro, Avatar dá um soco no ego das pessoas ao mostrar como nossa sociedade está decadente e como nos ressentimos frente a outras alternativas de vida. O filme conta a história de um ex-militar paraplégico que é chamado para uma missão no lugar de seu irmão que havia falecido. A missão consistia em assumir o corpo de um habitante nativo do planeta Pandora e interagir com os demais, além de fornecer informações sobre este povo para uma possível dominação. O protagonista acaba se identificando tanto com esse novo estilo de vida que acaba se voltando contra os terráqueos numa tentativa de invasão.

De início, o filme lembra a trilogia Matrix, por chamar a atenção pelos seus efeitos visuais. Não foi uma revolução, mas muitos acabaram se admirando com a beleza de Pandora que esqueceram da mensagem a ser transmitida - que, como Matrix, fica nas entrelinhas, devendo o expectador prestar atenção e refletir consigo próprio. Basta comparar a beleza de Pandora com o declínio da Terra - quase inabitável, a beira de um apocalipse, por assim dizer. Sem querer ser pessimista, estamos seguindo por este caminho (e olha só: o filme é de 2009!).

Os habitantes de Pandora possuem uma característica especial: estão ligados uns com os outros em uma fortíssima rede energética. Quando digo habitantes, vou além dos na'vi - estou falando das plantas, dos animais, das pedras, da água. Tudo está ligado em fluxos de energia que tornam impossível o uso de radares terráqueos. Os na'vi conhecem bem essa ligação e buscam viver da forma mais harmoniosa possível, o que os terráqueos já não sabiam mais fazer em relação ao próprio planeta e davam pouca importância ao fato - o foco deles era outro: a grande mina de um metal específico que valia bilhões.

Só com isso podemos refletir nossa situação atual. Não estaríamos fazendo a mesma coisa? Só porque não temos um metrô de ponta-cabeça, nem aquele incinerador lúgubre, não quer dizer que não somos assim. E nossa busca desvairada por dinheiro, prestígio e poder, que nos faz passar por cima de tudo e de todos, independente do que é ou quem seja? Nem vou entrar no mérito das Grandes Navegações, das nações dizimadas em nome de Deus e da Coroa só pra não misturar as coisas - apesar de uma cena do filme falar justamente disso. É um sinal de alerta ao que estamos fazendo com nós mesmos, e um convite a nos voltarmos a nossa própria fonte de vida.

Essa ligação poderosa existente entre os habitantes de Pandora é real. Tudo está ligado e o que acontece na China pode refletir dentro da gente. Basta sentir e se deixar levar, entrando em harmonia com o ritmo do Universo - nós fazemos parte dele. E essa ligação nos torna mais fortes e mais presentes, permitindo o que façamos o que deve ser feito. Nós não nos anulamos em nome de um coletivo, nós nos harmonizamos ao todo, sem deixar de sermos nós mesmos. Não precisamos correr atrás de um remédio poderoso ou de um grande tesouro para mudarmos nossas vidas - está tudo dentro da gente.

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