sexta-feira, 3 de abril de 2015

Todo conhecimento é válido

Depois de matutar sobre o que escrever sobre burrices, cheguei à conclusão de que todo o conhecimento é válido. Sim, cada um, com sua experiência, possui seu conhecimento. Ou seja, as pessoas não são burras (por mais que pareçam!), mas possuem sua bagagem de conhecimento conforme seu nível de evolução e maturidade. O que para nós é tão óbvio, para os outros não é, e vice-versa: tem hora que pagamos grandes micos apenas porque não sabemos de algo que as pessoas acham que deveríamos saber.


Green-eyed gatinho, por Alex Grichenko

Estou fazendo uma disciplina na faculdade sobre História da Ciência, e estou gostando muito. É legal ver o desenvolvimento do conhecimento ao longo do tempo, pois abre novas perspectivas e possibilidades dentro da pesquisa histórica, fora o trabalho interdisciplinar que pode ser feito nas escolas (apesar da falta de interação entre Bacharelado e Licenciatura dentro da própria faculdade). O que me chamou a atenção, entretanto, foi a postura dos meus colegas perante alguns assuntos, junto com o conteúdo das aulas, me fizeram refletir para escrever este post.

Em um dos textos, a autora critica a desconstrução da Ciência em favor de outras formas de conhecimento locais. Para ela, a Ciência permite questionar a sociedade e seus valores (ué, isso não é uma forma de desconstrução?) para que a mesma possa continuar se desenvolvendo de forma livre. A autora exemplifica com o caso indiano: a Ciência é uma forma de promover a igualdade entre castas e o conhecimento a todos sem distinção. É até bonito o discurso dela olhando por esse aspecto, mas olhando de outra forma percebe-se que as coisas não funcionam assim.

Em outro texto, o autor afirma que a Ciência não é perfeita: está sujeita a falhas e paixões, aos interesses pessoais, e ela sozinha não pode ser árbitra para qualquer caso. O texto termina com o autor afirmando que as diversas formas de conhecimento devem andar juntas e serem respeitadas como são. Isso de nenhuma forma promove o autoritarismo ou a discórdia - é quando o saber de um ou de um grupo se sobrepõe ao outro que a coisa desanda e o conflito surge. Leve em conta que não há o julgamento do certo e do errado, do que funciona e do que não funciona, pois tudo faz parte do Todo.

Para encerrar com um exemplo bem interessante: até hoje uma boa parte dos estudantes e pesquisadores de História acham que as pessoas que viveram durante a Idade Média eram extremamente ignorantes - nem estou falando do público em geral. O que acontece é que o conhecimento produzido pelas pessoas naquela época era visto como "inferior" pela carga teológica que havia neles. No começo do século XX iniciaram-se linhas de pesquisa nessa área que apresentaram o grande vigor científico da época. Mesmo assim, muitos não acreditam (ou não aceitam?) e possuem bons motivos para tal. Uma coisa é certa: burros não eram mesmo.

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