terça-feira, 16 de junho de 2015

Uma teoria sobre Respeito


Cactos coloridos, por Vera Kratochvil

Depois de tantos absurdos que vejo e leio por aqui, e ainda não possuir uma consciência consolidada ao nível da neutralidade, é normal o sentimento de estafa e decepção. Lembre-se que se nós atraímos isso, é porque há isso dentro da gente. Intolerância atrai intolerância, preconceito atrai preconceito. Não serão leis e punições que irão resolver isso - afinal, o rancor fica e procura uma forma de extravasar - de forma extremamente dolorosa.

Acabei inventando um esquema sobre gostar e respeitar. São duas coisas distintas que se relacionam, e muita gente se confunde. E ultimamente as pessoas se confundem muito, e já estão chegando ao absurdo de terem atitudes absurdas.

1- Gosta e Respeita
2- Não Gosta e Respeita
3- Gosta e Não Respeita
4- Não Gosta e Não Respeita

1- Gosta e Respeita
O tipo mais esperado pelas pessoas, afinal é muito legal estar com alguém que, além de respeitar, gosta da mesma coisa que nós. O grande problema é que dentro das possibilidades é bem raro de achar.

2- Não Gosta e Respeita
São pessoas "aceitáveis". Mesmo não gostando de determinada coisa, respeitam-na e principalmente quem gosta, evitando palavras e atitudes grosseiras. O problema é que muitos não as compreendem: um comentário inteligente, ou até mesmo bem-humorado pode ser visto como ofensa, ou mesmo muitos confundem gostar e respeitar, achando que quem respeita deve gostar também.

3- Gosta e Não Respeita
Este tipo é bem interessante: são os famosos haters que encontramos por aí. Na verdade eles gostam, porém exteriorizam de outra forma, que acaba desunindo determinados grupos. Esse tipo de pessoa que mais deveríamos tomar cuidado e prestar atenção, porque independente de gostar, ele não respeita. Os confusos de gostar e respeitar acabam preferindo aceitar pessoas assim do que as do tipo 2.

4- Não Gosta e Não Respeita
Não vou dizer que são os intolerantes declarados, pois muitos acabam se escondendo em discursos "politicamente corretos". Mas quem possui um discernimento mais apurado percebe que são pessoas, digamos, perigosas. O que acontece é que muitos são rotulados como tipo 4 (principalmente os de tipo 2), mesmo não sendo, como se fosse motivo para perseguição. Atitudes merecem providências, não pensamentos.

Gostar e respeitar são coisas distintas. Gostar é uma escolha pessoal, e respeitar é um dever social. Cada um respeita de uma forma, mas o que vale é a sua intenção (hehe, não adianta se esconder por baixo dos discursos!). A atitude é algo a ser apurado em âmbito jurídico e ponderado em âmbito pessoal. Autocrítica e discernimento são fundamentais, além de como uma boa intenção, na mente e no coração.

A ideia não é fechar em regras e esqueminhas, e sim abrir caminho para a reflexão. Em um determinado assunto, como eu ajo? Sou do tipo 1, 2, 3, ou 4? Como eu vejo intelectuais (e pseudo-intelectuais, rs) discutindo sobre determinado tema? É desagradável, mas no final descobrimos que a maior parte do que absorvemos no dia a dia é besteira, e nos abrimos ao que realmente importa, imunes a qualquer lixo que possa ser jogado contra a gente.

2 comentários:

  1. Bah! Complicado isso ... acho que vou transformar teus posts em material para minha autoanálise. Vou precisar ler mais vezes, para ver onde me enquadro. Aproveito para te dizer que comecei uma pintura, inicialmente te confesso que é muito feia, mas vou seguir tua sugestão.
    Gostei desse assunto, você sempre trás coisas que parecem exigir muito de leitura e reflexão. Valeu!
    Boa semana e um abraço.

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    Respostas
    1. Boa tarde!

      Fique à vontade de utilizar meus posts como também para pesquisar outras fontes e outros autores. É muito bom quando a gente pesquisa procurando o crescimento interior. É como se cultivássemos um jardim interior, com tudo aquilo que nos agrada.
      Siga em frente com a pintura! E aproveite para senti-la, o que você sente enquanto pinta.
      A ideia aqui é dar o pontapé inicial para uma reflexão, porque no final cada pessoa acaba tomando sua própria decisão e tendo a própria opinião. Claro que em alguns casos vou falar o que penso sobre - principalmente quando tenho uma ideia mais madura a respeito.

      Boa semana e um forte abraço!

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