Guerreiras Mágicas de Rayearth ou Em Tempos de Crise

Outro post que eu estava rascunhando há algum tempo, que ganhou um tempero especial: como estou decidida a resenhar o anime Guerreiras Mágicas de Rayearth, e resolvi mesclar os dois posts pelo seu ponto comum: como lidar com crises. Rayearth conta, em sua primeira temporada, a afobação de salvar Cefiro (há variações nos nomes do original japonês à dublagem em português, passando por inúmeras traduções e adaptações), e na segunda temporada a tentativa de consertar o estrago.

Essa resenha tem spoilers, mas sugiro que leia até o fim, afinal, o post está cheio de surpresas.

Há uma confusão no nome do anime: por que Rayearth se a terra é Cefiro/Zephir? Resposta simples: Rayearth é o nome do principal gênio guardião de Cefiro, e as guerreiras mágicas estão ligadas mais a eles do que à terra que defendem. Sim, já vi gente brigando por causa disso, melhor esclarecer antes do que fazer barraco depois.

Como eu disse antes, a ação das meninas em Cefiro é afobada: enquanto tudo é destruído, elas precisam agir rapidamente para por ordem na casa. Sem conhecer o problema, tentaram dar uma solução conforme a lenda do lugar: tornaram-se guerreiras mágicas, despertaram seus gênios correspondentes (seres com aparência de robôs) e destruíram Zagato/Zagard. Seus seguidores mudam de lado, com exceção de Alcyone/Alcyon, que foge e reaparece na segunda temporada servindo Debonair/Devonair. Quantas vezes nós tomamos atitudes precipitadas, sem entender direito o que está acontecendo, apenas para evitar o pior de uma situação? "Não há tempo a perder", Guru Clef virou pedra e não tem como passar informações mais claras.

Aí que dá a transição para a segunda temporada: a Princesa Esmeralda tem de morrer também, mas, opa!, não era para mantê-la viva? Não era para salvá-la? A princesa havia se corrompido, como é explicado posteriormente. Esmeralda não pensava mais em seu povo, e se tornou a raiz do problema. O que se acha que deve ser salvo na verdade é o que tem que ser destruído. A segunda temporada de Guerreiras Mágicas é deprimente, a ponto da espada da Lucy ser quebrada por ela mesma!

É durante a crise que se reflete sobre o que está acontecendo de forma franca e honesta. Enquanto tudo estava indo bem, nega-se que alguma coisa pode dar problema (não é legal ter uma pessoa que fique rezando dia e noite para tudo dar certo?), mas humanos falham. Humanos são livres para escolherem seus caminhos, independente de ser o certo ou o errado. Lucy é escolhida para ser o novo Pilar de Cefiro, que simplesmente divide a responsabilidade entre os habitantes e volta pra casa. Lição aprendida, problema resolvido.

Cefiro é movida pelos sentimentos das pessoas. Enquanto eles pensavam que havia alguém orando por eles, os sentimentos bons prevaleciam, e o planeta permanecia em harmonia. Quando o pilar foi destruído, todos começaram a sentir medo e insegurança, e foi esse medo e insegurança que quase destruiu Cefiro. Isso fica visível quando em uma das invasões de monstros ao castelo estes ficavam mais fortes por causa do choro e medo das crianças. Quando estas se conscientizam que não precisavam ter medo (as Guerreiras Mágicas estavam lutando por elas!), transmitem isso aos seus pais e vizinhos para evitar que o castelo seja destruído.

Isso é muito real! Quantos monstros são criados na imaginação (medos, rancores, etc) e atacam na realidade? Se não forem combatidos, tratados, transformam-se em Novas e nos arrebentam! Nova nada mais era do que temores, mágoas, rancores acumulados sem resolução por Lucy. E quando finalmente nos resolvemos, fazemos as pazes com nós mesmas, que força poderosa surge dentro de nós! Nós nos completamos e podemos agir, e tudo magicamente se resolve. Separar Nova de Devonair foi necessário para salvar aquela e destruir esta.

Enfim, o anime é muito bom, com a vantagem de estar bem dublado, fora que ensina coisas importantíssimas, na minha opinião: cultivar bons pensamentos é fundamental e que é necessário enxergar o todo da situação para poder resolvê-la sem tomar decisões precipitadas. Na primeira volta a Tóquio, elas sentem que algo ficou inconcluso e decidem voltar. A segunda volta é definitiva, afinal o mundo delas é Tóquio, não Cefiro.

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