terça-feira, 5 de julho de 2016

Seja bambu


"Não há que ser forte, há que ser flexível". Provérbio Chinês

Nos últimos dias, acabei conversando com várias pessoas a respeito de flexibilidade e adaptação. Para minha surpresa, percebi que muitas pessoas resistem à adaptação de forma declarada e consciente, como se fosse algo negativo a ser combatido. Já passei por essa época, em que a adaptação era vista como conformismo e aceitação de que nada irá mudar. Agora percebo que as coisas não vão mudar ao nosso bel prazer, nem seguir os padrões impostos pelos nossos caprichos. O que se pode fazer então é aproveitar o que se tem a oferecer e se adaptar para isso.

Como disse em outro post, a verdadeira Revolução é aquela que vem de dentro de nós, mudando por completo nosso interior, e externando uma nova vibração que acaba por alterar o ambiente a sua volta, contagiando os demais (positivamente ou negativamente). Mudar e questionar é algo bom, mas apenas para efeito pessoal. Discordo de tanta coisa que vejo, que se fosse reagir a cada uma, não teria nem tempo nem energia para o que realmente gosto.

E o que realmente importa?

Seria o buraco mais embaixo da pergunta "você quer ser feliz ou você quer ter razão?". Ser feliz é encontrar sua razão, é ter razão de si próprio, não forçar o outro a engoli-la. Quando encontra a sua razão, pode se adaptar ao meio em que vive, tirando proveito dos revezes que podem aparecer. Não adianta reclamar: use seu potencial para criar sua realidade, não forçar a realidade de outrem.

Há diferença entre o contentamento e a conformação. O contentamento é a alegria pelo que somos, pelo que temos, pelo que está a nossa volta. Está tudo bem, tudo se encaminha da melhor forma possível. Corresponde ao nível de Alegria da escala de consciência do Dr. Hawkins, calibrado entre 540-600, onde ainda não há a Paz interior, mas uma profunda alegria e gratidão por viver. O Amor do nível anterior torna-se completamente incondicional, que não espera absolutamente nada, completo em si. É quando se sorri ante tanta desgraça em volta e faz aquela piada certeira, impossível de não rir.

A conformação está ligada aos níveis baixos de consciência. Como a pessoa pode oscilar por eles ao longo da vida (entre 0 e 200), não está ligada a um nível específico. É aquela sensação de que nada vai mudar, de que tudo vai ser a mesma coisa para sempre, e que não há nada que se possa ser feito a respeito. Aí está a diferença: o contentamento está ligado à capacidade de mudança, de que nada será como antes, de mudar a visão de mundo. O conformismo está ligado à submissão, à revolta, ao ego e à frustração: eu não consigo mudar, nada irá mudar, o mundo sempre foi assim.

Brigar contra o conformismo é como dar murro em ponta de faca. Querer levantar, agir contra o fluxo do universo é gastar tempo e energia com algo que realmente não vai mudar. No entanto, brigar contra a nossa própria passividade não significa que temos que ficar nos mudando constantemente - isso irá acontecer naturalmente. Entra aí a analogia com o bambu: ele se curva às intempéries, mas não quebra. Sua resistência não está na sua rigidez, mas sim em sua flexibilidade. Podemos comparar com outras madeiras, que sob pressão quebram.

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