Entre Fatos e Factoides


Factoide, fugindo um pouco da definição padrão, é um fato distorcido ou falso para favorecer determinada pessoa ou grupo. Existem então os problemas de destrinchar o factoide para encontrar o fato verdadeiro e mesmo de discernir um fato de um factoide, tendo em vista que aquele não é relativo como alguns pregam por aí.

No geral, as pessoas fabricam factoides para levar vantagem em determinadas situações, interpretando o que ocorreu de forma distorcida e removendo quaisquer aspectos que lhe possam desfavorecer: é algo natural, inclusive alguns acontecimentos historiográficos são factoides que ganharam status de fato ao longo do tempo.

No filme Uma Cidade Sem Passado, os factoides preenchem o espaço de onde deveria estar a História da cidade, e quando a protagonista Sonja (leia-se Sônia) busca investigar mais a fundo, começa a sofrer com a revolta dos próprios habitantes.

Resolver o factoide pessoal ajuda a resolver os factoides coletivos. Encarar o fato como ele é pode ser doloroso de início, mas o sofrimento é uma questão de escolha. Na maior parte das vezes, as coisas não são como o esperado.

A relatividade do fato se deve à forma de como é visto e não ao fato em si. Distorcê-lo agrava a situação da vítima e anula forças de mudar a situação. Torna-se cômodo ser vítima, criando-se factoides dos acontecimentos subsequentes para manter esta posição. É um recurso constantemente empregado pelas pessoas para terem razão, tornando-se até um vício.

Com um ensino de História fraco e repleto de factoides, os estudantes são condicionados a criar os próprios ao invés de vencê-los. Parece que se está em um mundo de factoides sem fim, em que cada vez mais e mais são criados para não se ver a Verdade.

Não se engane: os factoides caem, a Verdade aparece. As pessoas tendem a cair em conflito quando os factoides se desmancham. Isso é bom, pois um grande passo pode ser dado rumo ao amadurecimento, já que se abre oportunidade para o questionamento, não da situação, mas da própria pessoa.

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