Um Eu de muitas caras e muitos jeitos


A expressão "duas caras" possui uma conotação negativa ao se referir a uma pessoa de posturas e atitudes diferentes com o propósito de prejudicar outrem. Busca-se, então, ser a mesma pessoa em qualquer situação, em qualquer ambiente, e isso gera frustração, pois cada ambiente demanda uma postura específica.

Não é possível ser a mesma pessoa no trabalho, na escola, na faculdade, na academia. As máscaras devem ser utilizadas pela própria preservação, como partes de um eu mais completo - partes necessárias. Ser o mesmo em qualquer lugar pode ser danoso.

Isso fica visível na transição da adolescência para a idade adulta, quando se começa a trabalhar e se percebe que qualquer postura não é aceitável no ambiente profissional, tendo que se desenvolver um "eu profissional" que transmita competência a pares e superiores.

Como saber que não se é "completo" em determinada situação? Pelas limitações: quais posturas pode-se ou não adotar no trabalho, na escola ou na faculdade? Como demonstrar respeito, gratidão ou mesmo alegria? Contudo, é possível manter o próprio jeito nesses ambientes, respeitando esses limites.

É longe de ser uma padronização. Tornar-se camaleão, sabendo como se portar em diversas situações, de forma original e criativa, é o ideal, que vem com o tempo e com a prática. Isso está longe de ser falso: ainda é você, é parte de você.

Não é como uma unha que se corta fora quando desagrada: acabou a utilidade daquilo, torna-se outra pessoa. Percebe-se aí a intenção: esses "eus protocolares" têm apenas por finalidade adaptar a pessoa às diversas situações da vida, enquanto que a falsidade tem por fim específico o benefício próprio em detrimento de outrem.

E quando se é realmente? Quando há total liberdade para agir e pensar: não quer dizer que se pode fazer qualquer coisa, mas não existe limitações sociais, como quando se está em casa ou fazendo algo que gosta, ou mesmo com uma pessoa especial. Mesmo em família há limitações protocolares.

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