terça-feira, 13 de setembro de 2016

Adaptar o Reiki?


Confesso que já tive "bronca" da mestre Takata. Apesar de seu papel fundamental na difusão do Método Usui de Cura Natural, conhecido como Reiki, fiquei meio chateada com as adaptações feitas por ela ao difundir um conhecimento tão precioso. A história do mestre Usui, a criação do Dai-Ko-Myo (há uma hipótese de que foi ela criou este símbolo), os termos utilizados e mesmo a simplificação da técnica em si me deixaram ressabiada. Onde encontrar um Reiki puro, livre de improvisações?

Engraçado que a resposta estava ao meu lado, à minha frente: simplesmente não existe. Como praticante de artes marciais, sei que todo o ensinamento passa por modificações de mestre para aluno/discípulo, ou seja, não existe exatamente uma fórmula primordial, e sim adaptações múltiplas a uma ideia central. Um estilo de arte de um mestre pode ser completamente diferente de outro, mesmo sendo do mesmo ramo. Essa modificação provém da adaptação ao seu tempo-espaço. O que era necessário a uma época não o é mais em outra, e mesmo varia conforme a localidade. O kung fu brasileiro é diferente do norte-americano, assim como o karatê japonês é diferente do europeu. Lembre que a estrutura inicial do Reiki era a mesma das artes marciais.

O que a mestre Takata fez foi adaptar o que aprendeu do mestre Hayashi para sua realidade: o Havaí pós-guerra. Pensa que tenso ser japonês nos Estados Unidos pós-Pearl Habor? Ou seja, como falar de Reiki sem falar de Japão? Outro detalhe: é a primeira estrangeira que se tem registro a aprender o Reiki, e para alguns ramos japoneses, ela nem é considerada mestre Reiki! A solução é simples, porém complicada: adaptar. Tornar a Arte Secreta de Convidar a Felicidade acessível onde eu estou e para quem está. Lembrando que à época do mestre Usui havia várias técnicas de "cura natural", onde se trabalha corpo e espírito em busca de uma saúde como um todo. Usui apenas sistematizou uma dessas técnicas, que com a difusão nos Estados Unidos, tornou-se uma das mais populares do mundo.

As coisas só duram quando são flexíveis. Querer manter uma estrutura do século retrasado sem adaptá-la força a barra. Seguir uma tradição é uma coisa, mas ser obsoleto é outra. Tradição requer adaptação. Não significa perda de identidade, apenas a adaptação da mesma ao longo do tempo (e mesmo do espaço). É quando cada reikiano, mestre ou não, expressa o Reiki da sua forma. O Reiki transforma as pessoas, e as pessoas são transformadas com o Reiki. Sem um deixar de ser o outro. Quanto mais simples, mais flexível é algo, mais adaptável ele se torna, tornando-se mais duradouro (se não me engano, o Twitter é de 2006).

Então, como ensinar e aprender Reiki nos dias de hoje, onde tudo tem que ser rapidinho e eficaz? Não é todo mundo que quer saber tudo sobre Reiki, mas também alguns cursos não deveriam ser dados em um dia, como um micro-ondas. Cabe a cada um refletir a respeito, seja para aprender, seja para iniciar. O que não muda é que aprendizado requer prática, e prática requer tempo. Algumas coisas podem ser simplificadas, o que não significa que perderão a qualidade. Por exemplo: há cursos de Reiki à distância, onde as pessoas são iniciadas sem estarem na presença do mestre. É um assunto deveras complicado: muitos argumentam que "funciona", mas eu possuo minhas reservas: não só a questão dos canais energéticos, mas há a questão do vínculo mestre-aluno/discípulo que é fundamental.

A principal diferença para mim entre aluno e discípulo é que o vínculo do mestre com este último é muito maior. Há um envolvimento a nível pessoal - o mestre não é apenas o fessor. É alguém com quem se compartilha um aprendizado profundo e complexo. Há mestres com muitos alunos e nenhum discípulo, e há mestres com poucos discípulos e nenhum aluno.

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