terça-feira, 27 de setembro de 2016

Por trás da não-violência


Creio eu que este conceito está distorcido em nossa sociedade. Prega-se a não violência como a obsessão de evitar qualquer ato agressivo/violento em que a pessoa esteja envolvida: seja uma discussão ou mesmo as vias de fato. O problema está quando a pessoa deixa romper seu limite (seja ele qual for) e se submete ao agressor apenas para evitar a "briga". Isso não gera paz, como alguns podem dizer, apenas cria traumas, rancores, que um dia vão extravasar de forma desproporcional.

Muitos confundem as artes marciais como a arte de bater em alguém. Longe disso. A arte marcial consiste no trabalho do equilíbrio interior para formar um ser humano forte, sadio. Um guerreiro deve ter a cabeça no lugar, dentro e fora da batalha. Todos somos, de certa forma, guerreiros. Arte marcial é disciplina, técnica, persistência - algo que deve ser cultivado e fazer parte da vida, em qualquer tipo de confronto, sobretudo os internos.

Alguns criaram "artes marciais" que são apenas "técnicas de defesa pessoal", vazias de significado. Podem ser eficientes em diversas situações, mas não trazem o essencial: o equilíbrio entre corpo e mente, que permite o agir pensando. A finalidade seria a agressão, com a justificativa de que as artes marciais, de forma geral, não são objetivas. De alguma forma, busca-se por essa agressividade, essa autodefesa, mas não a autoproteção, muito menos o controle de si mesmo.

Aprender a se defender não é apenas em uma briga, mas em situações cotidianas. É não ter medo, primeiramente, da própria agressão: dar o cara à tapa. Firmar posição é algo que todos querem, mas são sistematicamente adestrados para não o fazerem, sob diversos nomes, inclusive o de negar o ego, que, como disse anteriormente, é parte fundamental de nosso ser. É uma tentativa de submeter as pessoas sob o jugo de terceiros, com a desculpa de deverem ser mansos com outrem.

A verdadeira não-violência está em evitar-se o conflito até certo ponto. Evitar uma briga é o melhor a ser feito - mesmo nas artes marciais-, o que não significa que não se pode ser ríspido de vez em quando. Limites existem e devem ser respeitados. Deve-se estar sempre pronto ao diálogo, às novas ideias, assim como estar sempre pronto para um confronto, para bater e apanhar.

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