terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A programação humana


"Somos en serie fabricados
Como unos clones programados
Siempre imponiendo que pensar
Que j***r que amar que pensar que pisotear"


Combatiente - Maná

Tenho a impressão de que as pessoas são programadas, como uma máquina. Reagem imaginando estarem agindo, imitam pensando estarem sendo únicas, sobrevivem achando que vivem. É algo confuso e maluco a se pensar, mas ao se vencer o ego e começar a aceitar a ideia como plausível, uma nova estrada de pensamento pode aparecer para a mente.

É fato que as pessoas são 98% inconsciência e 2% consciência. Para mim, é claro que os 2% agem sob influência dos 98%, uma vastidão de ideias e padrões desconhecidos. Os bloqueios energéticos derivam de padrões negativos, que podem até causar problemas físicos, e na maioria das vezes causam o que chamam vulgarmente de Lei de Murphy. Pode haver qualquer coisa lá, e mesmo vigorar ideias que o consciente diz discordar. O que é chamado de consciência acaba por agir como um autômato, ilusoriamente independente.

Isso explica a impressão de que as pessoas parecem ser produzidas em série, como se fossem iguais umas às outras dentro de determinados rótulos. Os padrões estão lá dentro, por mais que as pessoas digam repudiá-los ou mesmo se considerem únicas. Ao longo da vida, as pessoas recebem uma miríade de informações, que são absorvidas sem alguma avaliação. É fácil falar de golpe, difícil pensar em crise política. É fácil olhar o fato, difícil olhar a situação. É fácil rejeitar uma ideia, difícil é refletir a respeito.

E as pessoas são programadas umas pelas outras, ou seja, a programação está em constante mudança. A troca de ideias e conceitos vai reprogramando o inconsciente, e mesmo o consciente, constantemente. Quando se busca uma terapia, por exemplo, busca-se reprogramação. Um guru, um mestre, por mais evoluído que seja, é um programador, como qualquer outra pessoa. A diferença está na qualidade de informações inseridas. Uma pessoa mais evoluída acaba por reprogramar quem está a sua volta com ideias mais elevadas, e vice-versa.

Ao evoluir a própria consciência, a pessoa começa a se autorreprogramar. As ideias já inseridas passam por avaliações e o que é captado não é mais aceito "logo de cara". Na maior parte das vezes, é como se nada fizesse sentido subitamente - ou mesmo o contrário. Manter a atenção e a consciência são incentivos cada vez mais comuns, mesmo que a maioria deles esconda uma tentativa de controle. O autocontrole existe, mas é algo graduado: uma coisa é não perder a cabeça em uma situação de nervosismo, outra coisa é tomar uma decisão de total livre e espontânea vontade.

E como toda programação, as coisas podem bugar. A tentativa de inserir determinada ideia pode simplesmente inserir outra, ou mesmo criar uma forte resistência ao conceito inicial. O filme A Origem retrata a tentativa de convencer uma pessoa a desistir de um projeto através da manipulação de seu inconsciente. Deixando de lado o objetivo para o qual o plano é executado, a visão que se tem do inconsciente humano mostra como as pessoas estão expostas à manipulação continuamente, e como podem reagir a ela - dentro ou fora do previsto. Os meios de comunicação utilizam de diversas técnicas para "fisgar" o inconsciente, o que pode ser negativo ou não.

2 comentários:

  1. Vc já tentou capturar o presente em seu conciente, é estranho perceber que para vc perceber a consciência existe algo que não mais existe, estranho né?

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    Respostas
    1. Bom dia, tudo bem?

      É uma questão de percepção: o que a gente chama de "presente" pode ser um mero instante ou uma situação mais ampla.
      Talvez não seja uma percepção ativa (de querer perceber), mas uma percepção passiva (deixar-se perceber).

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