terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Interligações

Nenhum ser humano é uma ilha isolada no nada, nem uma peça fora da máquina, ou mesmo um código sem sistema. Pode até tentar ser, tentar viver sem depender dos outros, ser totalmente autônomo. A pessoa se deixa levar pela falsa sensação de autonomia que o orgulho traz, e pode nunca chegar a perceber que sempre dependeu de alguém ou algo. Não há nada de ruim nisso, muito pelo contrário: as pessoas fazem parte de um organismo harmonioso no qual há múltiplas relações de interdependência.


Pessoas precisam de pessoas, do ambiente, e de uma série de outras coisas. Não existe vida isolada, solta. Talvez a questão esteja então na qualidade da dependência. É o que se chama comumente de trabalho em equipe. Cada um faz sua parte da melhor forma possível - por si e por todos. Não adianta: as pessoas estão todas no mesmo barco - o que afeta uma afeta todas. Ninguém está "ocupando espaço" - é um equilíbrio dinâmico, onde as peças se reencaixam constantemente.

Quando uma pessoa busca essa independência solta, ela busca fugir de si mesma, de sua ligação com o mundo. Aceitar que a dependência é necessária é o primeiro passo para o crescimento. Não é a aprovação do parasitismo, e sim o contrário: ter atitudes mais maduras com as pessoas que um dia poderão estender a mão. Atitudes mais maduras melhoram a convivência entre as pessoas e as relações de dependência tornam-se mais sutis, mas não deixam de existir.

A relativização de alguns conceitos acabou por distorcê-los e causar consequências danosas às pessoas. Nenhuma pessoa é completamente independente de sua sociedade, mesmo do sistema. O que ela pode fazer é melhorar essas ligações, por si e por outrem.

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