terça-feira, 21 de março de 2017

Avatar - A Lenda de Aang


Apesar do nome, este desenho (que não é anime) não tem nada a ver com o filme dos Na'vi e do planeta Pandora. Fala sobre a manipulação de quatro elementos através de movimentos que lembram o Kung Fu. Para quem não conhece nada, é algo fantástico, mas para quem conhece um pouco já percebe que as coisas não se encaixam muito bem. A proposta é boa, mas no final o que me interessou foram os combates de manipulação de elementos. A história em si não tem muito o que se aproveitar.

Muita gente já deve ter visto na internet aquela cena do desenho em que um guru ensina sobre os chakras. Não sei se foi falha da tradução (tudo leva a crer que não), mas além dos nomes e das associações estarem erradas, elas não fazem parte da cultura chinesa, e sim da indiana. Mas a proposta é justamente fazer uma salada de tudo! Aliás, quem trabalha com os pontos de acupuntura no combate é uma das vilãs...

Pra variar, os vilões possuem muito mais profundidade do que os protagonistas. É comum hoje em dia as obras de ficção terem heróis idiotas e imaturos e vilões complexos e evoluídos. Tanto é que a 3ª temporada é a menos pior das três. É questionável como Aang consegue com seus amigos vencer uma guerra sendo todos tão idiotas. É como se prática, disciplina e rigor pudessem ser facilmente trocados por brincadeiras e esperteza. Quem busca evoluir sabe que não é bem assim.

O desenho é muito raso e a trama é mais um encadeamento de episódios. Tive diversas vezes vontade de parar e ver algo que preste, mas assisti até o fim, para ter um argumento sólido antes que viessem com aquele "mas você não viu tudo!". Nem precisaria, é bem previsível. O problema nem é tanto a água com açúcar, mas esta disfarçada em lição de vida: que as mulheres podem tudo, e que os homens são, no fundo, crianças imaturas.

Um olhar mais atento percebe que a trama gira em torno da Katara, e não do Aang: ela que orienta o que tem que ser ou não feito, que se revolta para aprender a dobrar água pra combate (e quase põe tudo a perder!). Seu irmão, Sokka, que é bem mais maduro que ela, acaba por ser reduzido e ridicularizado. Ao contrário da Hermione, que faz e acontece por ela ser ela e não por ser mulher: há uma grande diferença nisso, mas acaba passando batido.

Existe uma continuação da série: A Lenda de Korra. Assim como não assisti ao reboot de Thundercats pela total distorção da série original, já tô vendo que a distorção do distorcido vai mais comer meu tempo e minha paciência que poderia usar com coisas inteligentes que ainda existem. Aliás, existe um filme que faz uma espécie de resumo da 1ª temporada: parte das asneiras ficam de fora e dá para aproveitar mais os efeitos especiais.

2 comentários:

  1. Oi, linda. Aqui é a Lígia.

    Finalmente li a sua crítica de Avatar e outros artigos. Por sinal, o seu site está maravilhoso tanto na escrita dos posts quanto na parte estética. A mudança ficou lindona.

    Você escreve muito bem e eu aprecio muito as suas análises de conceitos, sentimentos e da prática do reiki. Só discordo completamente do conteúdo da crítica, pelo fato de eu ter outra visão completamente diferente do desenho e, mesmo ele não sendo anime, gostar demais da obra - você sabe que os personagens são praticamente meus filhos mentais e me ajudaram a sobreviver por tormentas da vida.

    Algum dia, quando sairmos e estivermos comendo algo bem gostoso na Liberdade, falando despretensiosamente, eu comento com detalhes o porquê das minhas discordâncias se você quiser saber. Como é um tema e uma animação que você não gostou em quase nada, eu tenho as minhas dúvidas se será produtivo pra nós, mas se você desejar um dia saber eu terei o prazer de dividir meus pensamentos contigo.

    De resto, ter visto a evolução do seu blog foi incrível, meus parabéns por tudo.

    Só pare de me trollar por ser de esquerda, ô Sakurinha-chan. ;P

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    1. Lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
      Obrigada por vir comentar aqui. É uma honra receber seus comentários e fico mó feliz!

      Eu sei, querida. Eu te entendo.
      A questão é justamente mostrar outra perspectiva das coisas, que ao invés de subtrair, apenas adiciona, multiplica, potencializa. Geralmente não escrevo aqui coisas que eu não gosto. Mas neste caso, eu fiz uma exceção, justamente por querer enriquecer o diálogo sobre.
      [e tô mó feliz que você tenha gostado]

      Sim, eu adoraria saber porque você discorda e aprender com isso. Com certeza você deve ter visto detalhes nos quais eu não atinei. Você é muito perspicaz e atenta - algo que confesso que me falta às vezes (pra não dizer sempre).

      Tá bom, eu paro por você não gostar, mas eu trolo todo mundo. Aqui a zoeira é democrática, não tem posição política nem de por o feijão e o arroz no prato. A ideia é apenas ver as coisas com mais graça de qualquer ângulo que seja. Sobretudo aqui no blog.

      Beijos!

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