terça-feira, 11 de abril de 2017

Para entender a mente humana


Fiquei doente há alguns dias e procurei repouso na casa de minha mãe, um amor de pessoa que tem a solução para qualquer coisa - do resfriado à falta de dinheiro. O assunto de casa era a atual edição do Big Brother Brasil, na qual uma das participantes havia ganhado destaque pelo seu jeito "desonesto" com os outros concorrentes frente às câmeras. Uma pessoa que, na boca de muitos, não serve de exemplo para ninguém, manipuladora, vulgar, birrenta e irresponsável. Seu "sucesso" estava por atrair pessoas que haviam parado de assistir ao programa para ver suas manipulações e "má conduta", permanecendo na casa e cada vez mais próxima de ganhar o grande prêmio em dinheiro.

Conforme se avança no processo evolutivo, o tema "evolução" começa a fazer parte de assuntos corriqueiros e rotineiros: da fila do pão à política internacional. É incrível ver o sistema agindo em coisas tão mínimas, influenciando mentes e acontecimentos. Ou seja: afastar-se por mero afastamento de certas coisas é perder oportunidades importantes de se conhecer o outro e a si mesmo. No entanto, a aproximação requer consciência e serenidade: consciência do objetivo da aproximação, e tranquilidade para não se criar resistência sobre.

Foi uma experiência interessante. Não formei uma opinião sobre a tal moça, que era peça do jogo como todos os que estavam na telinha. Ela faz sucesso, atrai público e consequentemente dinheiro à produção. Tanta gente que eu vejo assinando o pay per view para vê-la em ação justificaria até uma manipulação de "Paredões" para manter-se na casa e manter a audiência do programa. A situação em si reflete o que está no interior das pessoas sem que elas tenham consciência disso. Se a pessoa simplesmente não ignora e descarta, e tem sua atenção presa, é porque há alguma afinidade.

Outra coisa é a questão da moral pessoal: a pessoa que condena outra por fora, pode simplesmente aprová-la por dentro. Quem não gostaria de ter a sensação de estar por cima, manipulando pessoas, fazendo o que bem quer e tirando vantagem disso? A questão não seria gostar ou não, e sim a atenção atraída, a energia despendida de prestar atenção. Dizer que votou para ela sair apenas para pagar de boa pessoa e não tê-lo feito é outra possibilidade. E isso pode ser visto inclusive na atual situação política brasileira.

Não duvido que tal concorrente ganhe o programa e goze de fama tempos depois. Mas fico a refletir sobre a ação e reação das pessoas a respeito, o que escrevem e desabafam. De certa forma, aquilo influencia suas vidas - não da forma como gostariam. Isso pode ser aplicado para outras coisas, conhecendo o sistema e a si mesmo. Não seria exatamente um "entretenimento" - apesar de ser bastante divertido - mas um estudo de caso e um aprendizado a um nível mais profundo. Conhecer o outro é uma forma de conhecer a si, e conhecer a si mesmo é uma forma de conhecer o outro.

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