terça-feira, 9 de maio de 2017

Como conversar com as pessoas

A impressão que se dá é que hoje em dia as pessoas precisam de um método para conversar umas com as outras. Isso sem falar dos métodos "infalíveis" de se vencer discussões que existem hoje em dia. Parece que conversar virou uma briga ao invés de uma troca. Parece que as pessoas fecharam-se em si e só conversam para uma concordar com a outra. Conversas e trocas de conhecimento provocam bugs na programação, permitindo que os interlocutores evoluam e saiam do "padrão", ou seja, troca de conhecimento hoje em dia é algo perigoso.


É algo maluco, e mais maluco ainda pensando no seguinte aspecto: as pessoas forçam umas as outras a terem razão, portanto ter razão é negativo; só que a busca pela razão é o que faz a pessoa ser realmente feliz e evoluir. Ter razão é uma coisa, forçar sua razão aos outros é outra completamente diferente. Não ter razão, inclusive, é perigoso: a pessoa pode ficar à mercê de qualquer coisa, e se deixar levar por pessoas que se dizem "evoluídas". Ou mesmo a pessoa pode se fechar, tornando-se obsoleta de si mesma, envelhecendo antes do tempo.

Uma conversa boa é quando nenhum lado levanta defesas e se abre para o outro de forma espontânea e amigável. Assim que novos conceitos são trabalhados, independentemente de serem aceitos ou não. Claro que há coisas que são consideradas reprováveis, mas e daí? Quando se levanta resistência, dá-se razão ao outro, e o próprio argumento se perde. Ultimamente algumas pessoas tornaram-se intragáveis de conversar, manipulando ideias e fatos, literalmente enlouquecendo as pessoas. Não se consegue contra-argumentar: a impressão que se dá é que a pessoa tem razão - mesmo sem razão nenhuma.

A organização do argumento é sempre porosa: pontos abertos que permitem a troca de conhecimentos e evolução das ideias. Um argumento muito sólido tende a não possuir sentido algum. Sim, é o oposto do que pregam hoje em dia. O óbvio continua fazendo sentido: ler e pesquisar sobre um assunto para se formular uma opinião. O que deixou de ser óbvio é a análise dos argumentos dos diversos pontos de vista, como um trabalho historiográfico. É muito gostoso sentir as diversas abordagens de um tema, sem se prender a um aspecto ou outro.

Talvez o ponto mais interessante em uma conversa hoje em dia seja o botão de resetar. Quando o interlocutor está quase convencido de um argumento ou ideia, ou mesmo sua mente se abre a um novo conceito, uma frase de efeito é dita e tudo vai por água abaixo. A conversa acaba e meio que a mente do interlocutor é reiniciada para que as novas ideias sejam excluídas de sua mente para que não surtam efeito na programação. Essa frase é meio que um jargão: é uma autoafirmação que dá a impressão de quebra da conversa. Pode ser um xingamento ou um rótulo, ou mesmo um argumento infantil.

Esse jargão quebra a conversa. Não dá pra falar mais nada, apenas se despedir de forma educada, ou mesmo mudar de assunto. Parece uma boa forma de defender-se de argumentos malucos ou tentativas de manipulação, mas acaba fragilizando a própria mente, que se questionada novamente sobre o assunto, levantará menos defesas. E após algumas repetições, o conceito é introduzido à força. Neutralizar isso requer apenas uma coisa: evolução.

Um ser evoluído não é manipulado com facilidade, e apenas um mais evoluído do que outro pode fazer essa reprogramação. Fora que a postura muda: uma pessoa mais evoluída é mais aberta a ideias, e não precisa levantar defesas para evitar questionamentos. Aceitar as próprias ideias e as ideias de quem está em contato já é um diferencial. Ter consciência do que se conversa, e mesmo das conversas alheias (não tô falando de fofoca, e sim analisar como se dá o diálogo entre pessoas), é uma fonte de conhecimento interessante e pouco valorizada. Sem esquecer a questão da evolução negativa: um ser evoluído para um lado negativo tem a mesma capacidade de um ser evoluído para um lado positivo.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário. Ao clicar em enviar, aparecerá uma caixinha de confirmação.