terça-feira, 4 de julho de 2017

Hipocrisia e questionamento


Vi uma reportagem muito interessante sobre pais que se recusavam a vacinar seus filhos por concluírem que aquilo não era bom para eles, o que poderia ser a causa de epidemias de "doenças controladas" pela vacinação. O que me chamou a atenção, contudo, foi a forma de se afirmar que vacinar era necessário. Não havia exatamente uma explicação, ao contrário das pessoas que recusavam a vacinar-se, mas uma afirmação contundente, de que precisava e ponto, e se havia epidemia, a culpa era deles, ponto final.

Eu sou a favor da vacinação. É um cuidado que evita muitos problemas, entretanto é um recurso que deve ser continuamente aprimorado como qualquer coisa. Ficar apenas afirmando que "temos porque temos", sem uma justificativa plausível, abre brecha para questionamentos mais e mais fortes. E assim as coisas mudam abruptamente (para não dizer dolorosamente): quando não se está aberto a críticas, estas tomam as rédeas da mudança, anulando até o que havia de bom no estágio anterior. Permitir que críticas e questionamentos faz com que qualquer coisa evolua e se torne melhor ao longo do tempo.

No entanto, tem-se a impressão de que questionar é algo negativo. Parece que quem questiona está indo contra o grupo e querendo causar confusão. Quem não conhece os vídeos do Mamãe, Falei, nos quais perguntas viram motivo de agressão? Assumir que não se sabe algo é parte da humildade, que abre portas para o aprendizado e para o crescimento. Por mais polêmico que seja o assunto, ou mesmo que ele tenha aparência de resolvido, sempre há espaço para discutir-se e aprender.

Questionar e ser questionado é estar aberto ao novo e à mudança. Mudar é necessário, por mais inseguro que pareça. O mundo não é mais sólido como antes - isso se alguma vez ele o foi ou apenas agora está visível sua fluidez. Mais importante do que questionar o que está fora é questionar o que está dentro também - o famoso se olhar no espelho. Não é questão de se estar certo ou errado - ora se pode estar certo e ora se pode estar errado - mas ter atenção no rumo o qual a vida está seguindo. É algo ao mesmo tempo maduro e infantil, pois carrega aquela visão de mente aberta a tudo das crianças com uma postura mais postura frente ao que já se passou.

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