terça-feira, 12 de setembro de 2017

Trolls

Época esquisita, onde vampiros se alimentam de sangue animal, minions são amarelos e trolls são fofinhos...

Os filmes infantis acabam por ensinar coisas importantes para qualquer idade. Acabo por preferir filmes infantis a um gênero mais "adulto" pela simplicidade, emoção bem dosada e pelas cores alegres e vibrantes. Os filmes para um público "adulto" acabam sendo sombrios e melancólicos nas suas cores, por mais que os temas sejam alegres. Mesmo os filmes de comédia andam sem graça.

Este filme é uma boa reflexão sobre alegria e felicidade. Os trolls são seres animados, que cantam, dançam e se abraçam o tempo todo, e alimento dos bergs, seres que lembram os trolls da mitologia (os de verdade?). O efeito que o troll causa em um berg é de uma tremenda alegria e contentamento - isso mesmo, como uma droga. Os trolls então organizam uma fuga de sua árvore, mas acabam sendo descobertos e raptados.

O desenrolar da trama poderia até ser chamado de à procura da felicidade. Os trolls não eram realmente felizes, mas quem tinha realmente consciência disso era o Tronco - que sabia também que a imaturidade dos trolls os levaria a uma nova desgraça. Resgatar os amigos também foi um resgate da verdadeira amizade e felicidade. Eles sabiam que a felicidade estava dentro de cada um, mas estavam presos à mecanização do que consideravam a mesma. Assim como os bergs que achavam que só eram realmente felizes ao comer um troll.

Tronco vive traumatizado pela alegria dos trolls, o que lhe dá consciência e maturidade da realidade a sua volta, mas não faz o caminho de volta - não busca sua felicidade interior. Está tão focado em proteger-se dos bergs que acaba por esquecer de ajudar a proteger seus semelhantes, tão crente que estava na inconsciência e imaturidade destes.

Na minha opinião, o ponto mais importante da história é a traição de Creek, o troll zen. Quem diria, o troll iluminado simplesmente se recusa a ser devorado, entregando a vida de seus amigos pela sua. Não poderia ser dito que ninguém esperava isso dele, pois ninguém esperava nada mesmo. Chega a ser uma crítica interessante: aquele que se diz evoluído é quem toma a atitude mais covarde. Quantos evoluídos de Facebook não são assim? Aliás, Creek também não possui nenhum tipo de empatia por Tronco - as coisas começam a estar erradas aí.

Entretanto, mesmo Poppie deixa de lado por um momento a berg Bridget para tentar salvar seus amigos, acreditando que ela teria coragem de assumir sua verdadeira identidade perante o novo rei Gristle. Só que há coisas nas quais que só se consegue fazer com o apoio dos amigos - amigos de verdade. No desenrolar da trama, o povo troll se vê aprisionado dentro de uma caçarola e finalmente cai na real. E quando isso acontece, percebem o que é ser cinza de verdade.

Tronco sempre foi azul, mas os outros não conseguiam ver isso nele até se tornarem cinza. E ao verem as cores verdadeiras (as coisas como elas são, de certa forma?), a alegria é expressa de forma espontânea e natural, independentemente da situação em que se encontram. Quando isso acontece, os trolls ajudam Bridget a assumir seu amor, mostrando que a felicidade encontra-se dentro de cada um, não em alguma coisa. Parece contraditório, mas amar alguém de verdade é encontrar a felicidade interior, porque deixa de existir o eu e começa a existir o nós.

As coisas não mudam substancialmente. Os trolls voltam a viver na cidade berg, mas agora sem a ameaça de serem devorados. Não existe mais hora do abraço: as coisas tornam-se espontâneas. Mesmo os bergs encontram a alegria de viver à sua maneira. Isso sem a cozinheira que dizia que a felicidade estava em comer trolls (a fonte de seu poder), e sem aquele troll que fechava os olhos à realidade em que vivia.

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