terça-feira, 3 de outubro de 2017

O que move este mundo


Infelizmente se engana quem pensa que este mundo é regido por valores elevados. Quem está atento à "realidade" das notícias, do Big Brother, e das fofocas de WhatsApp e Facebook percebe que as duas coisas que movem este mundo são a vaidade e o medo, sendo aquele a principal consequência deste. Não adianta negociar, dialogar, as pessoas agem porque se sentem coagidas a tal - conscientemente ou não.

Dependendo com quem se conversa, ou você é iludido, enganado, ou foi tempo gasto em vão. Se impor pela força torna-se questão de necessidade. A força é a única coisa com a qual falsidade não consegue se impor. Por isso que hoje em dia ser forte é algo tão condenado: é considerado algo extremado, desnecessário à civilização, onde todos são iguais. Além desta última premissa ser falsa, o que se percebe é um acovardamento das pessoas, que buscam resolver as coisas ora com jeitinho, ora com maldade.

É possível perceber isso nas brincadeiras de hoje em dia: uma pessoa ofende claramente outra. Além da ofensa direta, a ofendida não pode se defender, pois era uma brincadeira, algo sem relevância. Se realmente fosse algo sem relevância, não seria nem dito - e se fosse algo importante, outro tom seria dado. O outro extremo - pessoas que se ofendem por qualquer coisa - oriunda da vaidade de querer ser o centro das atenções - a pobre vítima do mundo. Quando se ignora quem se vitimiza, este se revolta por não ser o centro das atenções. Quem quer superar a situação não adota postura de vítima, se esforça para fugir dela.

Quem realmente tem por norte valores elevados acaba por ser crucificado neste mundo, seja no sentido figurado, seja no sentido literal. Interessante notar a raiva natural que sentem por essas pessoas, sobretudo nas pesadas críticas que são feitas, que tem por fim apenas desvalorizar. Não adianta: qualquer atitude pode gerar raiva em outrem, por mais elevada que esta seja e mesmo não havendo a intenção. É como o outro recebe: ninguém quer ser puxado pra cima, forçado a evoluir - tendência é puxar para baixo.

Isso não significa que a pessoa deva desistir de seguir seu norte, pelo contrário: uma atitude elevada buga o sistema e faz as coisas andarem no rumo certo. Nadar contra a corrente parece um esforço hercúleo à primeira vista, mas é a corrente que se encontra em sentido errado. Ter consciência e trabalhar estes fluxos pode facilitar muita coisa: o medo e a vaidade podem, e devem, ser usados para algo melhor.

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