terça-feira, 28 de novembro de 2017

Religião da Paz?


Engalfinhei-me com uma pessoa no WhatsApp (deu pra entender que usei a palavra no sentido figurado, né?) por causa de religião. Não por uma ser melhor que a outra, longe disso, mas pela ideia vigente de que há religiões que não pregam valores elevados, sendo uma em específico. O problema é foi que tal pessoa colocou tudo no mesmo saco, tirando só a que ela praticava. Pior do que isso foi uma terceira pessoa enviar mensagem no privado tentando me constranger, e soltou a seguinte pérola: "Para política, só existem três religiões".

Estudo consciência e evolução há alguns anos e percebi que há duas manifestações dentro de cada religião: a institucional e a dogmática. Na primeira, há a atuação "formal" da religião; na segunda, o terreno da fé, que acaba por transcender a primeira. Muitos, por exemplo, se dizem cristãos sem seguir uma igreja em específico, mas pela fé que têm em Cristo. As críticas de Gil Vicente contra a Igreja de sua época foram aprovadas pela Inquisição, por focar na corrupção e não na instituição ou no dogma em si.

É um terreno complicado e delicado de se abordar, sobretudo por conta do preconceito. Concordo que discutir dogma é algo inútil e mesmo doloroso, mas discutir sobre instituições, sobre pessoas, deveria ser algo saudável com o intuito de melhorar a instituição como um todo, pois pior que os tranqueiras são os omissos - e isso acontece em qualquer religião.

Outra coisa que me surpreendeu foi o fato de determinadas religiões (instituições e/ou doutrinas) serem consideradas inferiores a outras. Por algumas possuírem maior número de "adeptos", acabam por ganhar mais importância do que outras, sobretudo em questões que envolvem "coletividades". O nível da conversa diminui a níveis de reservas de mercado e jargões de programação, ou seja, como não se deixar influenciar pelo outro ou mesmo influenciá-lo.

Um dos argumentos usados é de que a religião do outro prega imposição sobre pessoas que não seguem da mesma instituição, cuja doutrina o ratifica. Se isso for realmente verdade, é uma exceção à regra, já que religiões, de forma geral, são caminhos de contato com o Divino, seja lá o nome que deem. Quanto mais elevados seus princípios, mais têm pontos em comum. Se uma "religião" não consegue transcender valores, que contato com o Divino ela tem? É meio que uma ideologia política, não?

"Mas, se alguém vier me atacar em nome da religião?" As pessoas temem ter seus sistemas de crença destruídos por outras pessoas, sobretudo seus desafetos. Fé não é uma coisa que se perde porque o outro te ameaça. A luta é, principalmente, dentro de cada indivíduo, e só ele pode mudar sua própria situação. Sobretudo: a religião é algo muito mais pessoal do que institucional ou coletivo.

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