terça-feira, 16 de janeiro de 2018

E quem é você para me dizer o que eu tenho que fazer?

Indo na levada do post sobre a maturidade para se adquirir conhecimento, assisti a um vídeo esses dias que me deu aquela bugada: um mestre de kung fu, conhecido até fora dos círculos das artes marciais, dando uma tremenda sova em seus alunos durante uma aula. Apesar do vídeo ser antigo, só agora ele tomou vulto nas redes sociais. Talvez o vídeo gere alguns processos e mais alguns "cala-bocas" (que já estão ocorrendo), mas não pude deixar de escrever sobre.

Talvez o que mais tenha me chocado neste vídeo foi a postura de um deles: o guri se atirou no chão, num gesto claro de desculpas. Pera, além dele não ter merecido os safanões que tomou, ele pede desculpa?! Para piorar, dezenas de pessoas comentaram a favor do professor e de seu "método", o que me leva a seguinte conclusão: isso é comum nas artes marciais. Essa tentativa de censurar (o vídeo foi excluído) e repreender tem por objetivo preservar um método de ensino que é cediço entre os praticantes, mas nada é feito em relação a isso.

Interessante pessoas falarem que se tornaram gente após sofrer esse tipo de abuso. É como o guri que sofreu bullying na escola a vida inteira, e ao tornar-se chefe repete as mesmas práticas de que foi vítima. São pessoas que não conseguiram superar o trauma, e tiram proveito de seu vitimismo, agravando a situação. Como você espera aprender, e crescer, passando por determinadas situações?

Um outro aspecto dessa relação professor-aluno é o cerceamento de conhecimento que o primeiro faz em relação ao segundo. Sabe quando eu disse anteriormente que as pessoas não estão prontas para tal conhecimento? Pois é, quem o professor acha que é para isso? Será que existiu (ou existe) alguém, que pode ser chamado realmente de mestre, para sugerir o que deve ser aprendido ou não? Quantos alunos, com enorme potencial, são podados nas escolas, para que não superem os pupilos escolhidos ou mesmo os próprios professores? Passei por isso na faculdade, nunca achei que fosse ver isso nas artes marciais.

Mas pessoas são pessoas, aí entra a questão de ego e vaidade que tantos tentam esconder e outros projetam nos desafetos. Falam que o aluno é imaturo para aprender tal coisa, se ele vai atrás (e aprende, às vezes até melhor), ele é arrogante. Se o desafeto é acima da média, poda-se. Ele quer progredir? Boicota-o. Até ele desistir, até ele largar, achando que aquilo não é pra ele. Se for até o fim? Se, apesar de tudo, conseguir superar, tornar-se realmente alguém? Vira o queridinho-que-nunca-o-foi, o orgulho, aquele que foram dedicados os melhores esforços.

Lembrou-me agora a Diane Stein, com seu Reiki não-tradicional. Sua maestria foi negada pela sua mestra (e deixou um buraco nas árvores de linhagens de reikianos), e mesmo hoje em dia muitos não a consideram reikiana. Indo mais fundo, há reikianos japoneses que não reconhecem a mestre Takata como reikiana, ou mesmo mestre, o que acaba por desconsiderar a pesada maioria de reikianos do mundo - inclusive alguns japoneses, que aprenderam o Reiki por vias ocidentais. No final das contas, foi ensinado e aprendido Reiki? A energia foi transmitida?

Não há o que se concluir, mas muito há para se refletir. Não pude deixar de fazer essas reflexões, depois de tudo o que eu passei ou presenciei.

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