terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

As quatro caixas, ou as quatro estações


Depois da pirâmide dos quatro pilares, venho falar sobre as quatro estações e os quatro tipos de pessoas, sendo este uma versão reduzida da escala Hawkins de consciência. As quatro estações seriam as fases do processo de criação, e os quatro tipos de pessoas refletem esses estágios. Compreender e aceitar esses processos contribui para o próprio desenvolvimento evolutivo, saindo desses padrões. Uso o termo caixas pelas pessoas estarem presas a determinados padrões e regras.

O que dá início a esse ciclo, e acima desses quatro tipos de pessoas, está a criação e as pessoas que são chamadas de fora da caixa: a coisa surge do nada, a partir do nada, ou de algo que já existe, mas ganha força e vida próprias. Não existem regras, mas não existe a "maldade".

  • Primavera - os pioneiros: seriam os desbravadores, os que receberam a criação e tentam aprimorá-la e mantê-la ao máximo. Não possuem a capacidade de criar algo "do nada", mas possuem capacidade (e energia) criativa para manter e melhorar o que já existe - fazer o máximo com o mínimo. É tudo novo - a época boa. Todos se ajudam, tudo é lindo e maravilhoso. A maldade ou é controlada ou inexiste.
  • Verão - os medíocres: esses são os arroz-com-feijão. Nada criam, nem copiam. Apenas fazem sua parte com honestidade. Começam a aparecer os primeiros parasitas, mas existe um esforço coletivo para contenção. Seria a fase de estabilidade após o ápice, antes do declínio.
  • Outono - os espertos: as coisas começam a degringolar. São pessoas que tentam tirar vantagem da criação, e acabam por afastar os medíocres, acelerando o processo de declínio. Quando surgem as reclamações de que as coisas não vão bem. Dos primeiros, poucos restam, por consciência de que devem estar onde se encontram. Não se busca conter o parasitismo, tornando-se regra.
  • Inverno - os parasitas: eu iria usar como termo ou os vagabundos ou os bandidos, mas soaria pesado demais, tamanha a imagem de vítima que transmitem, mas são essas pessoas mesmo. São pessoas que não dão a mínima à moral estabelecida e tentam sugar o que ainda existe. É o fim do processo.

Contudo, não pense que o processo criativo para - os criadores continuam criando e criando, os pioneiros estruturando, e por aí vai. É desconfortável saber que tudo irá acabar um dia, mas é o que ocorre para que a criação continue a acontecer - se não tudo para e morre de vez. Todos os ciclos de vida (e mesmo de evolução) pautam-se nesse ciclo.

Quando a pessoa evolui, ela passa a desenvolver sua habilidade criativa - criar é divino. Ela sobe de nível das caixas de limitação até livrar-se dos padrões das mesmas, assim como pode descer de nível de caixas. Perceba que quanto menor o nível, maior número de pessoas envolvido e no equilíbrio de consciência entre eles, como Hawkins exemplifica no Power vs. Force: uma pessoa iluminada neutralizada milhões de pessoas de níveis baixos de consciência.

Como falei anteriormente, os criadores não possuem regras, assim como os parasitas. O que difere um do outro é a capacidade criativa: um cria, desenvolve, enquanto o outro se aproveita da situação para tirar o máximo de vantagem possível. Por isso a sociedade precisa de regras e limitações: sem elas, o caos se instalaria (e por isso algumas pessoas não gostam de ordem).

Aceitar que as coisas são assim permite que os processos fluam com maior naturalidade - e mesmo renovar este processo. Sim, é possível regenerar os estágios, assim como as pessoas podem evoluir de suas caixas. Para isso, no entanto, é necessário força. Evoluir é despertar a força interior e desencadear o próprio processo criativo.

Por isso as pessoas não gostam da força - ela impõe a ordem, regenera do processo destrutivo e obriga as pessoas a evoluir. Disso surge a máxima: a força gera a compreensão. Com a força, é possível compreender o processo da natureza e controlar pessoas de má índole, que se vitimizam jogando a culpa nos outros - sobretudo nos que se esforçam dentro do processo criativo.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Poder ou Força?


Eu tinha pensado em escrever sobre há alguns anos, mas quis estudar um pouco mais a obra antes de postar sobre. Agora que estou na última parte, e meus dedos agitam-se para escrever mais coisas sobre, penso em escrever uma conclusão que eu tive sobre esses dois conceitos que Hawkins usa em sua obra. Tanto o Poder quanto a Força seriam as bases das atitudes e pensamentos da pessoa, conforme seu nível de consciência. Até um determinado ponto evolutivo, ela deixa de usar a Força para usar o Poder que possui dentro de si.

Basicamente, a Força seria o conceito bruto, involuído, do ser humano. Atitudes baseadas na Força tendem a não durar e a serem sobrepostas por atitudes baseadas no Poder. A Força está ligada à faixa de níveis de consciência da Vergonha (20) à Coragem (200). Este seria um nível de consciência "neutro", onde a pessoa começa a abandonar padrões de Força para adotar padrões de Poder, este sim, evoluídos e duradouros - os que fazem a diferença na humanidade (e mesmo no Universo como um todo). A Força seria, então, algo fraco, sendo forte, então, o Poder.

Pessoalmente, creio que houve uma troca de termos: a Força é algo natural, inerente ao ser humano, e mesmo ao Universo. É algo não-forçado, como a não-ação do Taoísmo, e mesmo assim, profundo e transformador (além de duradouro). Já o Poder, este corrompe, é algo artificial, pressionado. É mais fácil associar o Poder com os níveis mais baixos e a Força com os níveis mais elevados - é mais natural. Dá até para fazer uma referência com a Força de Star Wars: quando manipulada sabiamente, faz coisas incríveis; do contrário, torna-se instrumento de dominação.

Refletir sobre o que é Poder e Força é um bom começo para estudar a obra. Você muda a forma com que toma as atitudes, muitas vezes sem mudar as mesmas. Tem uma máxima que as pessoas tendem a não gostar, de tão verdadeira que é: a força gera a compreensão. Não é o Poder, não é a imposição: é a própria natureza do Todo. Apesar de parecer mera discussão terminológica, dentro das próprias observações de Hawkins, uma palavra pode fazer toda a diferença no padrão de um discurso. Pequenas ações elevadas fazem toda a diferença.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Fake News - a verdade inevitável


Eu tenho um apreço por esta expressão, que remete à historiografia e estudo de fontes. Quantas vezes não encontramos notícias, ou mesmo relatos, de realidade duvidosa, e mesmo quantas vezes não nos deixamos levar por eles? História é a construção de uma realidade em um tempo ilusório - geralmente o que querem que permaneça. Distorções e "forjas" de notícias são mais comuns do que se imagina. Já escrevi sobre antes, mas sinto que deveria me alongar um pouco mais a respeito.

O Passado é uma montagem criada por determinado grupo de pessoas, o Futuro é uma ilusão criada pelas projeções de algo melhor, o Presente depende da percepção de cada um. Viver isso, aplicar isso, é pedir para enlouquecer (mais?). Imagine depois de cinco anos de faculdade de História concluir que tudo não deixa de ser uma montagem? Por mais que alguns considerem isso óbvio, quão óbvio isso é para causar mudança?

Liberdade e Realidade andam juntas, se anulam e se potencializam. Quanto mais próximo da Realidade se está, menos Liberdade se tem, e o contrário é verdadeiro também. Ou seja, quanto mais ilusórias as notícias e os fatos, maior a sensação de liberdade que as pessoas sentem: a mente não sabe discernir o que é realidade do que é ficção. Perceba a sensação de sair do cinema ou mesmo após um capítulo decisivo de uma novela televisiva: é como se a pessoa tivesse vivido tudo aquilo, junto com os personagens. Mas para isso você precisa ficar preso a uma sala, a uma tela, a algo externo.

Parece maluco, mas as pessoas precisam de regras, pois não têm evolução suficiente para viver sem. Sair do sistema, da caixinha, seja lá o que for, não é para qualquer um, apesar de todos poderem fazer isso. A ilusão da Liberdade é tão boa! Só seguir algumas regras, que são tão óbvias, que quem não as segue é obviamente mau caráter - ou tão involuído que não possui noção de determinados conceitos sociais. Como discernir? É a mesma coisa que perguntar a um cego a diferença entre as cores que estão diante dele.

Uma pessoa evoluída não precisa que lhe inculquem regras: ela sabe viver em sociedade, e dobrar as regras ao seu favor. Tornam-se imprevisíveis - e isso não é visto com bons olhos. Mesmo criminosos perigosos, se previsíveis, nada são perto de pessoas imprevisíveis. Psicopatas tendem a ser rejeitados pela sociedade por conta de sua imprevisibilidade e falta de controle. Não poder controlar (algo ou alguém) é um medo que permeia o inconsciente das pessoas - basta prestar atenção na reação das pessoas quando algo foge do controle: os instintos vêm à tona porque o "consciente" não sabe lidar com a situação, agindo literalmente como um animal.

Trabalhar o instinto não é controlá-lo, e sim saber viver com ele. A consciência deve basear-se no instinto, e não o contrário. É o que permite ter consciência do controle que buscam exercer diariamente sobre si. Quem controla, quem está no controle? Pode ser qualquer coisa. Talvez a liberdade que buscam não seja algo tão desejável quanto ter consciência do constante controle que é imposto sobre a própria pessoa.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Sobre o que eu aprendi na faculdade


Sou formada em História, o que gera a curiosidade de muitas pessoas. É uma carreira sólida? Dá pra ganhar dinheiro? O que se aprende na faculdade? Como é o dia-a-dia da profissão? Bom, a ideia do post é refletir sobre História dentro do contexto do blog, já que o fator base da História é o Tempo, e este não é tão sólido quanto se imagina - assim como os fatos e as pessoas.

Acho que faltou no curso reflexões mais profundas sobre o Tempo, e mesmo sobre a questão documental e sua relação com ele. Ao invés do questionamento de políticas e inculcamento de visões de mundo, poder-se-ia abrir espaço para que os futuros historiadores pudessem trilhar os caminhos do Tempo, e permitir que outras pessoas também o façam dentro de suas limitações.

As pessoas não sabem ir além de uma notícia de jornal ou mesmo detectar um anacronismo. Para mim, o pensamento lógico difere do pensamento racional: o primeiro está relacionado a números e cálculos, o segundo seria o primeiro mais esse raciocínio sobre coisas não-tão-lógicas assim, onde a História tem seu lugar.

Não, isso não forma uma pessoa historiadora, mas lhe dá a capacidade de discernir meandros da sociedade, formulando as próprias ideias e agindo em função delas. O estudo dos fatos sob esse prisma ajudaria a formar uma sociedade mais madura, mas talvez seja exatamente isso que não queiram - mesmo as próprias pessoas.

História acabou deixando de ser uma profissão para mim e se tornando um caminho de reflexão e orientação. Muitos dizem que ela deixou de ser a magistra vitae, mestre da vida, mas esse aspecto ressoa nos corações das pessoas até hoje. As pessoas continuam a procurar a História para orientar as próprias vidas, infelizmente sem as habilidades necessárias para navegar por este mundo.

Mas como falar de Passado que este é uma mera construção? Talvez o maior choque que já tive depois de ter concluído o curso foi perceber que o Tempo é uma ilusão: o Futuro é uma ilusão criada com base nas nossas esperanças; o Presente é fruto da percepção; o Passado é uma construção feita com base nos nossos medos. Aceitar este fato para então extrair aprendizado da História de forma profunda.

Esse aprendizado torna-se experiência pessoal, e acaba por voltar a profissão de vez para si mesma. Talvez História possa "dar dinheiro" se vinculada a alguma exposição de sucesso, tão comum e tão vazia hoje em dia. Penso que assim a História possa ter função no cenário atual, além de um hobby para poucos.