terça-feira, 13 de março de 2018

Homens são de Marte e Mulheres são de Vênus

Homens e mulheres são diferentes em suas características como consequência da evolução de machos e fêmeas. Por isso é correto usar o termo sexo para feminino e masculino e não gênero como se emprega hoje dia. Este está mais para coisas do que pessoas: gênero musical, literário, de filme. As características sexuais vão além de cromossomos, hormônios e órgãos reprodutores, permeando o comportamento e a mente das pessoas. É algo constantemente moldado pela natureza para perpetuação e evolução de espécies.

Nenhuma pessoa nasce indefinida. O que ocorre é que, pela alimentação, pela educação e, sobretudo, pela mídia e contato social, começou a ocorrer uma distorção dos caracteres sexuais, indefinindo os sexos. Hoje em dia forçam tanto a barra para dizer que podemos ser do sexo que quisermos que as pessoas estão desesperadamente perdidas quanto a isso. Claro que há uma minoria biologicamente anômala, como ocorre com os animais de forma geral, mas isso nunca deveria ser tomado por regra. Enfim...

Faço essa introdução para falar desse livro porque a crítica que fazem com ele recai neste aspecto: não existe essa história de que a pessoa pode ser do sexo que ela quer - ela nasce com determinadas características que florescerão ao longo do tempo. Conhecer essas características permite que relacionamentos tornem-se mais sólidos e duradouros, algo indesejado hoje em dia: veja a "cultura" do pega mas não apega. Formar uma família tornou-se um desafio da escolha do parceiro até a criação dos filhos.

O próprio autor critica obras com esse viés de guerra dos sexos, onde um é oprimido pelo outro (em outras palavras, a ideia de que a mulher passou a História sendo oprimida pelo homem), pois isso agrava mais e mais as divergências entre ambos, ao invés de melhorar o convívio. Aceitar que homens e mulheres são diferentes melhoraria não só os relacionamentos amorosos como também o próprio convívio social. Cada um, por suas características inatas, acaba por ter funções específicas na sociedade e na família - claro que há exceções, mas vamos focar na regra, se não vira bagunça.

Outro motivo de crítica é a questão do sexo oposto. O autor não aborda o homossexualismo, coisa que hoje em dia é comum (o livro é do começo dos anos 1990). Hoje não se fala de procurar o oposto que complementa, mas qualquer outro ser que esteja no mesmo barco. Fica aquele espaço vazio, que dinheiro nenhum preenche, tornando as pessoas presas fáceis para diversas formas de controle. Uma pessoa igual a você mesmo não adiciona em nada na própria vida, é apenas mais uma com os mesmos problemas (e as mesmas chatices, risos). Ao buscar uma contraparte, um complemento, o horizonte de possibilidades expande-se, e aquela sensação de que vale a pena vem à tona.

Pode parecer um discursinho politizado, mas poucos percebem que a família vem sendo desconstruída paulatinamente todos os dias há bastante tempo. Qualquer coisa que gere "caos" é bem-vinda, qualquer coisa que gere "ordem" é mal vista. Uma família bem estruturada é abrigo das divergências sociais, econômicas e culturais. Qualquer coisa que tentem impor na sociedade tem que passar pelo crivo da família. Uma família bem estruturada é base para pessoas equilibradas e com pleno potencial para si e para o outro - pessoas incontroláveis.

Ou seja, diluir o conceito de família é uma forma de quebrar um crivo e permitir a invasão de novos conceitos e ideias. E aí entra uma questão importante: qual a qualidade desses conceitos e ideias novas que borbulham na sociedade atualmente? Se eles fossem realmente bons, talvez não precisassem de um trabalho homérico como esse. Sempre houve conflitos familiares, e desses conflitos surgiram valores que desenvolveram a própria família. Contudo, parece que hoje em dia entrou um cavalo de troia no seio da família, destruindo tudo o que ela foi um dia.

O livro parece bobinho na abordagem do assunto: generaliza homens e mulheres como seres de dois planetas distintos (Marte e Vênus) que ao virem à Terra acabam por esquecer suas diferenças planetárias e entram em atritos conjugais. Interessante notar como as pessoas, que se dizem únicas, encaixam-se tão bem nesses padrões de comportamento e atitudes. O autor não dá uma receita de bolo para resolver problemas de forma instantânea e/ou como viver perfeitamente bem com o parceiro, mas joga uma luz sobre ambos os pontos de vista, abrindo espaço para o leitor tomar novas atitudes da forma que considerar mais adequada.

O autor mostra que atitudes típicas de seu sexo, ou de seu "planeta", podem ser mal compreendidas pelo parceiro. Tentar "igualar" é certeza de fracasso - por isso há tantos divórcios e brigas entre casais (nem vou falar de divergências sociais). A solução é tentar entender o outro, aceitá-lo como ele é e se esforçar para comunicar-se de forma que ele possa entender e apreciar. Ao invés das pessoas mudarem pelo outro, ou forçarem o outro a mudar, elas mostram quem elas realmente são e por que estão juntas. É isso que faz com que aquela sensação gostosa de estar junto de determinada pessoa permaneça.

É uma mudança de postura e de atitude. Isso demanda esforço e comprometimento. É mais fácil chamar de pessoa errada ao invés de reafirmar porque está com ela todos os dias. Interessante como relacionamentos duram anos antes de se dissolver: seria força do amor ou do hábito? Ou mesmo mera conveniência? E o sentimento?

As atitudes que uma pessoa toma com o parceiro é consequência do que ela aprendeu em família (e mesmo em sociedade), e isso é algo que pode ser trabalhado e melhorado. Mostrar ao companheiro o que deseja de forma direta não é forçar a barra, como parece à primeira vista, mas ser honesto consigo mesmo e com o outro. A resposta parece "falsa" no começo, mas é sinal de que o companheiro entendeu a mensagem e está se esforçando para melhorar. Isso foge do que se prega hoje em dia: não se ensina entender o outro, mas que a falta de entendimento é sinal de falta de comprometimento, ou mesmo falta de amor.

O livro apresenta como exercício-chave a Carta de Amor. De uma brincadeira bobinha para relacionamentos, ele se mostra como uma ferramenta de autoconhecimento para as diversas áreas da vida. Nela você consegue expor seus sentimentos em camadas, chegando ao âmago da situação em questão, trazendo à tona seu amor e alegria. De forma simples, o autor também mostra como as pessoas tendem a esconder seus sentimentos, explicando que esses problemas de relacionamento são fruto do relacionamento dos pais: na falta de bons exemplos na família, a pessoa acaba sem referências, cometendo os mesmos erros.

No final, o autor mostra que um relacionamento amoroso traz à tona sentimentos reprimidos ao longo do tempo, e que muitas vezes são confundidos com falta de amor. O amor é um sentimento extremamente elevado, e os relacionamentos verdadeiros acabam por potencializar o processo evolutivo. Nisso despertam traumas esquecidos mas não superados, que são erroneamente considerados como algo do relacionamento atual. Conseguir superar isso com o apoio do parceiro é profundamente enriquecedor, além de ser uma grande lição e exemplo para outros casais e mesmo futuras gerações.

O próprio relacionamento possui seus altos e baixos: as estações do amor. Nada é eternamente belo e fofinho - e isso não é necessariamente ruim. Ter alguém que está nos momentos bons e ruins é algo valioso que deve ser cultivado. Muitos preferem a vida de solteiro por não conseguir resolver divergências com o outro - na maioria delas muito simples. Entender que o cônjuge possui uma visão de mundo totalmente diferente da sua é um convite a conhecer um novo universo com infinitas possibilidades.

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