terça-feira, 24 de abril de 2018

A diferença entre Ser e Estar


Estou passando por alguns problemas nos quais não acho que é hora de escrever aqui. Se a coisa degringolar de vez, farei um post a respeito. Enfim, o vetor está trazendo um aprendizado importante e transformador: o que seria realmente o preconceito, a arrogância e mesmo a humildade. O preconceito está tão arraigado na sociedade que as pessoas não percebem que são preconceituosas. Até aí, parece aquele discurso padrão que se vê por aí. A diferença está no objeto considerado como alvo de preconceitos.

O post é sobre o Voluntariado do Emílio Ribas, que acabei publicando antes desse devido à temporalidade da questão.

A língua portuguesa possui uma diferenciação entre ser e estar, o que eu acho muito boa para trabalhar ideias, ao contrário do inglês (to be) e do francês (être), em que são considerados uma coisa só. O Ser indica maior temporalidade do que Estar, ou seja, o que você é, é e ponto - praticamente imutável. Quando você está algo, aquilo vai mudar, hoje ou amanhã. Muitos confundem o Estar com Ser, tentando inflacionar-se perante os demais, quando no fundo se é quase nada. E a maioria das pessoas é assim.

E o que é Ser e o que é Estar? No aspecto social, o que você é basicamente é a sua formação: seus estudos e práticas. Faculdades, cursos, carreira. No aspecto pessoal, os seus hobbies, habilidades, e aspectos da sua personalidade. Elas tendem a não mudar. Por mais que você perca a prática, ou seu trabalho não seja da sua área de formação, você não deixou de ser aquilo. Já o que você está (soa esquisito, mas gramaticalmente correto) é seu trabalho, principalmente, e mesmo um estado de espírito (estou animada, triste, brava, etc). Um dia ele irá acabar e você estará outra coisa.

Exemplo: eu sou historiadora. Eu sou formada em História, mas estou trabalhando em outra área. Estar trabalhando em outra área não interfere no eu ser historiadora. E quando deixar de estar neste emprego, não deixarei de ser historiadora, mesmo que nunca venha exercer a profissão de fato. Outro exemplo é o advogado: ele está advogado, mas quando se aposentar, apenas será um bacharel em Direito aposentado. Se continuar advogando, ele continua estando advogado - ele precisa de um aval para exercer a profissão, no caso, da OAB.

A sutileza do ser e estar é ofensiva para alguns, pois vem à tona a mediocridade da pessoa. Quantas pessoas estão isso e aquilo sem ser nada propriamente dito? Ao invés de se esforçar para melhorar a cada dia, o que dá muito trabalho, diga-se de passagem, a pessoa acaba por tentar anular o que a outra é, nivelando por baixo. Aí que entra o preconceito: isso é preconceito. Um preconceito sutil, já que é mascarado pela vaidade de falsa humildade.

Falar que não faz diferença um curso livre ou um curso profissionalizante, ou mesmo um curso de línguas para proficiência ou para encher currículo: isso é tão preconceituoso quanto dia da mulher, com o mesmo agravante de ninguém perceber. Por mais que você se esforce para fazer um bom trabalho, sempre haverá o risco de ser nivelado por baixo pelo profissional chulé, que o fará (inconscientemente ou não) para não perder espaço. Por isso a qualidade das coisas de hoje em dia é tão rasa.

Esforce-se para Ser. Se o outro achar arrogante de sua parte, é o peso por forçar a elevação de padrão. Conforme a pessoa evolui, sobretudo perto do nível da Aceitação (350), ela começa a puxar para cima as pessoas que estão a sua volta. Isso é muito desconfortável para quem não quer evoluir: isso justifica o esforço para nivelar por baixo ou mesmo anular ou boicotar quem se destaca. Não se lamente porque o outro não se esforça: a vida dará um jeito, por mais que ele resista.

terça-feira, 17 de abril de 2018

O esquerdismo como doença


Talvez isso soe como algo extremamente preconceituoso à primeira vista. Contudo, depois de décadas de distúrbios ideológicos, pode-se concluir que existe algo de patológico entre as ideologias que estão à esquerda do espectro político. Não que não haja pessoas de Direita que possuem desvios de caráter e de personalidade, mas que as próprias ideologias de esquerda possuem traços doentios em suas estruturas.

Pode-se começar com a afirmação do Dr. David R. Hawkins, célebre pesquisador da consciência humana, de que o marxismo, pai de todas as ideologias de esquerda, está calibrado em 130, abaixo do nível “neutro” de consciência, situado no nível do Desejo, próximo à Ira. Em comparação a outras correntes de pensamento, o marxismo é talvez a única que esteja abaixo do nível dos níveis saudáveis de consciência dentro dos estudos deste pesquisador.

Delongando-se mais no assunto, em uma escala que vai de um a 1000, onde este é a iluminação absoluta e aquele é a ausência de vida, a faixa entre 200 e 250 é considerada um “divisor de águas” entre o Poder, o verdadeiro potencial do ser humano, e a Força, uma tentativa de controle não natural, na qual a humanidade se baseia em sua maioria. Grandes linhas de pensamento, como o Racionalismo e a Psicanálise, situam-se entre 400, nível da Razão, e 700, nível da iluminação.

Analisando a fundo os desdobramentos do marxismo até as teorias sociais que existem nos dias de hoje, podem-se perceber algumas patologias presentes nessas linhas de pensamento, que podem ser as causadoras dos distúrbios sociais e políticos dos dias de hoje. Esse tipo de pensamento deveria ser analisado mais a fundo pelos profissionais das áreas da psique, como psicólogos, psicanalistas e mesmo psiquiatras. Infelizmente entre os primeiros a “doença esquerdista” já criou raízes profundas, o que atrapalharia uma análise mais eficaz do objeto de estudo, agravando o problema ao invés de criarem-se soluções.

Talvez um dos aspectos mais marcantes das filosofias de esquerda seja o vitimismo. A ideia de que o outro cerceia sua liberdade, impedindo-o de agir conforme seu livre-arbítrio, foi mascarada por centenas de discursos como os de “minorias sociais”, feminismos, e afins. É ignorado que a pessoa é responsável pela própria vida, podendo agir como bem lhe apetece, devendo ser, contudo, ciente de seus revezes. É mais fácil ser beneficiário de programas sociais, ou mesmo “protegido” por uma legislação desigual e constrangedora, do que “dar a volta por cima” ou “fazer a própria vida”.

O vitimismo é um dos sintomas da depressão, doença pouco estudada pelos médicos, sobretudo em seus desdobramentos sociais. Talvez exista uma ligação muito forte entre movimentos sociais e pessoas depressivas que não é observada. A perda da vontade de viver faz com que a pessoa acuse outras de seus problemas, mas não como uma forma de buscar soluções, mas sim para manter o status quo da situação, que consome menos energia e é mais “confortável”.

Outro aspecto relevante é a manipulação mental massiva feita ao longo das últimas décadas. Como uma Matrix, as pessoas, já afastadas da realidade pelo seu próprio nível evolutivo, são reprogramadas para responder aos impulsos das ideologias de esquerda, mesmo não concordando com elas, sem o mínimo questionamento. Como se questões como “educação escolar”, “direitos das mulheres”, “saúde pública gratuita” existissem desde os primórdios da humanidade e não houvesse alternativas a elas.

Essa manipulação mental, muito bem elaborada, impede que as pessoas tenham reações rápidas e concretas ao discordarem de alguma coisa. Primeiramente, o medo de ofender toma conta da pessoa: o medo de sofrer um processo judicial ou mesmo o escárnio público a impede de ser honesta em relação à situação. Segundo, a pessoa teme ter que tomar cada vez mais e mais atitudes contra algo que discorde: a máxima “você quer ser feliz ou você quer ter razão?” separa dois conceitos que deveriam andar juntos, tendo em vista que a razão é caminho para a verdadeira felicidade. Terceiro, a pessoa fica sem ânimo para agir, pois lhe foi inculcado ao longo dos anos de que a situação nunca irá mudar. Quarto, a pessoa só irá reagir a um “comando de boiada”, quando muitas pessoas irão fazer o mesmo, encobrindo suas atitudes individuais.

O esquerdismo busca solapar a fé e a religião das pessoas de diversas formas. Estes seriam como que antídotos eficazes à patologia marxista, portanto perigosos para aqueles que buscam “contaminar” as pessoas com suas ideias. Por mais que pessoas e instituições falhem, os conceitos religiosos, sobretudo em seus ensinamentos originais, raramente estão calibrados abaixo de 700 e 800 na escala de consciência de Hawkins, sendo grandes auxílios para o desenvolvimento das pessoas no aspecto mental.

Talvez o socialismo/comunismo seja a ideologia esquerdista mais conhecida por tentar expurgar a fé da sociedade, destruindo igrejas e perseguindo religiosos quando assumiu o poder do Estado russo no começo do século XX. Hoje em dia, contudo, a estratégia de eliminar os antídotos consiste em distorcer conceitos religiosos em “mistura de doutrinas”, ou mesmo valorizando vertentes religiosas que permitem que seus praticantes prejudiquem deliberadamente outras pessoas, considerando como “minorias religiosas”.

Deve-se notar que o esquerdismo sai do âmbito político e passa a dominar o estilo de vida das pessoas. Não existe um “estilo de vida conservador”, mas existe um “estilo de vida marxista”. A pessoa passa a consumir determinados produtos e boicotar outros, ler determinados livros e páginas na internet e redes sociais, vestir determinados tipos de roupa e mesmo adotar certos hábitos de vida que lhe dão a sensação de “pertencer a algo maior”. A noção de indivíduo é diluída na noção de “classe social”, em guerra com outras. A guerra em si é ilusória, presente apenas na mente dessas pessoas, mas alimentada constantemente pela própria ilusão.

A gravidade da situação está no aprisionamento mental em que situa a pessoa. Por conta de delírios ideológicos, perde-se a capacidade de discernimento e autocontrole, agindo como que manipulada por um titereiro invisível. Vidas são destruídas em nome da “causa”, que se arrasta ao longo das gerações e toma um vulto cada vez mais assustador a apocalíptico. Famílias são anuladas; relacionamentos instabilizam-se; perdem-se referências que outrora orientavam a sociedade, se não ao progresso, mas ao seu desenvolvimento; em nome de algo que traz morte, doenças e miséria por onde passa, mas é negado ou ignorado.

Nesse aprisionamento mental também há a negação das mazelas que as ideologias esquerdistas causaram nas últimas décadas, ou mesmo a ignorância. Poucos comentam que o comunismo chinês matou aproximadamente o décuplo de pessoas que foram mortas pelo nazismo, ou mesmo que a miséria que assola a Venezuela atualmente é fruto de um governo que tinha por objetivo “acabar com a miséria e a opressão”, mesmo que forçando reeleições duvidosas. Mesmo Cuba é retratada como um “paraíso” por se “sublevar” ao domínio estadunidense, enquanto pessoas fogem desesperadas da ilha em busca de uma condição mais digna de vida.

Ao tentar conversar com esse tipo de “adoentado”, seja para esclarecer, ou mesmo para entender melhor sua posição, este se revolta violentamente, buscando evitar que sua programação sofra alterações – como se estas alterações pudessem causar-lhe algum mal efetivo ou sua própria corrupção. O diálogo perde espaço todos os dias, a menos que seja apenas para afirmar ou engrandecer o que se concorda. Não existem argumentos para quem não consegue aceitar que o outro tem uma visão de mundo diferente. O esquerdista conversa como que de forma automática, através de chavões e sofismas, sem buscar entender, na maioria das vezes, o que está falando.

Talvez o leitor deste artigo esteja “rezando” para que o mesmo termine com um “remédio” para este mal. Os estragos causados por essa “nova patologia”, cuja ação e contágio ocorrem apenas por via mental, talvez não possam ser revertidos ao “estágio original”, mas serem “superados”. Toda doença é uma forma do indivíduo crescer, e consequentemente a humanidade como um todo. Não esmorecer frente ao desafio talvez seja a providência número um: assim como o esquerdismo é algo presente há décadas na humanidade, levarão séculos para uma cura efetiva do mesmo.

Outras providências que podem ser tomadas estão relacionadas aos sintomas: o vitimismo deve ser paulatinamente neutralizado socialmente e pessoalmente. As pessoas devem ser encorajadas a superar as próprias situações sem o auxílio externo exagerado, devendo ser ignoradas as birras sociais, como manifestações violentas ou absurdas. A extinção de determinadas políticas públicas e mesmo uma legislação mais imparcial seriam grandes auxílios ao quebrar o círculo vicioso do vitimismo: menos a pessoa age por conta própria, mais reclama de outros grupos sociais, mais o poder público busca “equilibrar a situação” desequilibrando-a.

O conhecimento deve ser novamente difundido pela sociedade. Ao invés de “martelar-se” em questões como “ideologia de gênero” ou “machismo”, o estudo de sistemas clássicos de filosofia, da Grécia ao Oriente, por exemplo, podem elevar o nível das conversas e mesmo do intelecto das pessoas. Isso reflete diretamente no ensino escolar, que atualmente forma um “cidadão” sem senso crítico ou visão aberta, algo que só pode ser adquirido pelo conhecimento e gosto pelo saber.

Uma coisa nova a ser inserida é o autoconhecimento. Talvez esse assunto tenha sido relegado a filosofias orientais e distorcido pelos movimentos de Nova Era. A pessoa deve se olhar como indivíduo pertencente ao Todo, não a um determinado grupo ou classe, mas único em relação ao mesmo. Formular um estilo de vida dentro do que considera ser adequado aos seus valores, e não porque determinada ideologia o “determina” a ser assim.

Por último, e talvez o mais importante, é a difusão da fé. O estudo da religião e das doutrinas religiosas como religação com o Divino. É a fé que “move montanhas” e que pode fazer a transformação do indivíduo, superando-o dos males que o aflige. Deve-se lembrar de que conceitos evoluídos, se levar em consideração a escala do Dr. Hawkins, são iguais em sua essência, apesar da diferença de discurso. Ensinamentos de Jesus Cristo são encontrados no Confucionismo e no Budismo. Talvez o maior mal que assola a humanidade atualmente seja na verdade o desafio necessário para a própria evolução.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Desmistificando O Pequeno Príncipe


Rascunho de uma das aquarelas queimado de cigarro e manchado de café, exposto no The Morgan Museum and Library em 2014

Coisas que aparentam perfeição devem ser analisadas com mais atenção. Muitos acabam por ser levados sem o mínimo questionamento, achando que as coisas são o que dizem ser, não o que realmente seriam. Algumas pessoas chegaram ao estágio de unanimidade forçada: todos concordam, ou melhor dizendo, a maioria concorda, enquanto uma minoria se vê coagida a não criticar. Vi esses dias um vídeo no qual um filósofo afirma que Platão estava errado com o seu Mito da Caverna, contudo não explica o motivo. Ele mais se vangloria por discordar do que explicar porque discorda.

Não é esse o caso. Falo de pessoas nas quais estão cada vez mais difíceis de tecer críticas - quando feitas, o são de forma "controlada". Para ilustrar, com o trocadilho, comentarei um pouco sobre O Pequeno Príncipe e seu autor, o conde Antoine de Saint-Exupéry. Já escrevi anteriormente sobre o filme baseado neste livro, mas as opiniões mudam, e não se deve ter medo da mudança.

Apesar de todo o misticismo sobre ambos, autor e obra, não há nenhum santo propriamente dito - só no título nobiliárquico. Poucos param para refletir sobre a vida do autor, imaginando uma vida extraordinária e frutífera. Não, não foi. Depois de uma doce infância, o autor é jogado num colégio rígido no qual lhe gera traumas profundos - e a própria vida aristocrática acaba por lhe gerar repulsa. Depois de tantas notas baixas e revoltas em ambiente escolar, decide correr atrás do prejuízo para entrar na Escola Naval, indo parar na Força Aérea.

Ele não era um cara de personalidade agradável, não mesmo. Casa-se com a guatemalteca Consuelo em uma viagem à Argentina - dando a entender ser mais por revolta do que por sentimento. Ela também não era lá flor que se cheirasse - mais trocadilhos, rs. Os dois brigam, e muito, e acabam por traírem um ao outro. Nessa celeuma, Saint-Exupéry se refugia nos Estados Unidos, onde escreve a obra que o marcaria. Logo depois, retorna à Europa para lutar na guerra, tendo o avião abatido durante uma sessão nostalgia de voar pelas regiões de sua infância. Seu corpo nunca foi encontrado, e os destroços do avião o foram décadas mais tarde.

Isso não prova nada com coisa alguma, mas já dá para chacoalhar a cabeça. Saint-Exupéry não dedica O Pequeno Príncipe a sua esposa, mas sim ao seu amigo Léon Werth, um escritor com tendências socialistas 20 anos mais velho. Como um conde, educado no seio da nobreza francesa, com educação religiosa e monarquista, poderia ter um amigo assim? Concordando com ele, talvez, por mais que não fique explícito. Fora que o soldado alemão (nazista?) que o abateu lamentou-se por tê-lo matado, segundo alguns depoimentos. Ideais concordantes, através de caminhos diferentes, talvez fossem companheiros.

A obra é publicada em 1943 e não teve lá muito sucesso, que foi aparecendo décadas mais tarde. Em si, ela não tem significado algum, como todas as outras obras de Saint-Exupéry, que são mais desabafos de experiências de viagem com um misticismo cristão fruto dos estudos de escola. Note como os menos ligados ao Cristianismo acabam por ter mais conhecimento que a maior parte dos cristãos praticantes. Quem insere tantos significados são os próprios leitores. Uma pesquisa rápida na internet mostra quantos simbolismos a obra pode ter, mas não exatamente que tenha. Esse é o ponto mais importante.

Se a obra possui múltiplos significados sem uma intenção explícita, ela não possui significado nenhum em si. O castelo desmorona, ou melhor dizendo, o asteroide vira areia. Dê-lhe numerosos significados, serão apenas seus, não da obra. É a sua visão sobrepondo-se à obra. E por permitir múltiplas interpretações, caiu no gosto de muitos, pois cada um a vê da forma que a convém. Como eu mesma o fiz há dois anos atrás. As interpretações giram em torno do tema da Paz Mundial, o famoso clichê de misses.

Uma obra vazia para pessoas vazias - este é o estereótipo das candidatas e vencedoras dos diversos concursos. Quase que como leitura obrigatória, foi uma febre nos tempos áureos dos concursos. A popularidade d'O Pequeno Príncipe foi meio que forçada ao longo das gerações. Quase rejeitado em sua época - tenha em mente que não ganhou nenhum prêmio literário, ao contrário de outras obras menos expressivas do autor - hoje é uma das mais traduzidas e mais vendidas, equiparando-se à Bíblia.

Por não ter uma definição, o bálsamo pode ser um veneno para gerações, por abrir espaço para reprogramações perversas - como um trojan. O que as pessoas veem como salvação pode ser a própria perdição. A interpretação mais bacana que conheci do livro é a da perda do instinto e da masculinidade: o homem que não quer crescer e assumir quem é. Perceba quantas pessoas são assim hoje em dia, recusam-se a crescer e a aceitar as mudanças.

Talvez algumas pessoas pensem que falta uma bibliografia para este post. Existem duas biografias do Saint-Exupéry que fornecem algumas informações sobre o que eu falei: Vida e morte do Principezinho e A Vida Secreta de Antoine Saint-Exupéry. Outras informações foram coletadas aqui e ali na internet - eu quase pirei com tanta pesquisa. As conclusões são minhas. Uma pessoa não é sábia por citar inúmeros outros para confirmar o que diz.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Geração Nutella - Uma reflexão sobre Sofrimento


Desaprendemos a sofrer. Qualquer dor nos incomoda, e é feito de tudo para evitá-la. Os avanços tecnológicos permitem que as pessoas sofram o mínimo pelo menor tempo possível. O problema é que sempre haverá problemas, sempre haverá dor e sofrimento. Contudo, desaprendeu-se a capacidade instintiva de lidar com isso. Busca-se fugir de situações que possam causar dores emocionais e estresses mentais. Resiste-se às situações adversas ao invés de encará-las de frente. O vitimismo hoje em dia está a um nível endêmico. E agora?

A atual geração é fraca, de corpo e mente. Não possui a solidez física dos pais e avós, muito menos possui desenvolvimento mental. Nascer "conectado" não é um mérito, é mera consequência do desenvolvimento tecnológico. A questão é que os jovens de hoje em dia passam por menos problemas que as gerações anteriores, e tentam evitar a todo custo situações inevitáveis. Não falo em "criar problemas", muito menos de "bater de frente" em tudo, longe disso, mas falo de situações que, mais cedo ou mais tarde, terão de ser encaradas e superadas.

Existe até um termo para isso: o creme de avelã Nutella. Exageradamente doce, significa a versão zuada de algo que já era bom. Não dá sustância. A pessoa se sente incapaz de resolver os problemas, ou mesmo recusa-se a passar pelos mesmos. Sofrimento existe, sempre existirá. Sofrer pode até ser bom: depende da postura que a pessoa toma diante da situação. Para quem toma a postura de vítima, sempre será algo doloroso, mas no fundo confortável: quantas pessoas exibem seus status de vítima exigindo "reparação" da sociedade?

Há alternativa: encarar a situação de frente. O sofrimento é real, mas é um processo mental. Não é questão de resistir, e sim de insistir. Repare a diferença de atitude: resistir é não aceitar, querer evitar o problema; insistir é aceitar o problema e se esforçar para aprender e superar. O sofrimento continua existindo, mas é trabalhado de outra maneira, que as pessoas, ao não verem uma atitude vitimista, acabam por achar que o outro não sofre, ou mesmo que é frio ou psicopata.

Na maioria das vezes, as pessoas aprendem pela própria dor. É ela que faz acordar ("me belisca pra ver se estou sonhando") e ter consciência da situação de forma mais profunda. Quando a pessoa resiste, ela tenta anestesiar o que sente ou mesmo fugir da situação - o que aumenta ainda mais o dano. Mudar de postura nessas horas, aceitar o sofrimento e aprender com ele, acaba por mostrar o que realmente importa na vida, e nos tornar realmente fortes para o mundo.