terça-feira, 3 de abril de 2018

Geração Nutella - Uma reflexão sobre Sofrimento


Desaprendemos a sofrer. Qualquer dor nos incomoda, e é feito de tudo para evitá-la. Os avanços tecnológicos permitem que as pessoas sofram o mínimo pelo menor tempo possível. O problema é que sempre haverá problemas, sempre haverá dor e sofrimento. Contudo, desaprendeu-se a capacidade instintiva de lidar com isso. Busca-se fugir de situações que possam causar dores emocionais e estresses mentais. Resiste-se às situações adversas ao invés de encará-las de frente. O vitimismo hoje em dia está a um nível endêmico. E agora?

A atual geração é fraca, de corpo e mente. Não possui a solidez física dos pais e avós, muito menos possui desenvolvimento mental. Nascer "conectado" não é um mérito, é mera consequência do desenvolvimento tecnológico. A questão é que os jovens de hoje em dia passam por menos problemas que as gerações anteriores, e tentam evitar a todo custo situações inevitáveis. Não falo em "criar problemas", muito menos de "bater de frente" em tudo, longe disso, mas falo de situações que, mais cedo ou mais tarde, terão de ser encaradas e superadas.

Existe até um termo para isso: o creme de avelã Nutella. Exageradamente doce, significa a versão zuada de algo que já era bom. Não dá sustância. A pessoa se sente incapaz de resolver os problemas, ou mesmo recusa-se a passar pelos mesmos. Sofrimento existe, sempre existirá. Sofrer pode até ser bom: depende da postura que a pessoa toma diante da situação. Para quem toma a postura de vítima, sempre será algo doloroso, mas no fundo confortável: quantas pessoas exibem seus status de vítima exigindo "reparação" da sociedade?

Há alternativa: encarar a situação de frente. O sofrimento é real, mas é um processo mental. Não é questão de resistir, e sim de insistir. Repare a diferença de atitude: resistir é não aceitar, querer evitar o problema; insistir é aceitar o problema e se esforçar para aprender e superar. O sofrimento continua existindo, mas é trabalhado de outra maneira, que as pessoas, ao não verem uma atitude vitimista, acabam por achar que o outro não sofre, ou mesmo que é frio ou psicopata.

Na maioria das vezes, as pessoas aprendem pela própria dor. É ela que faz acordar ("me belisca pra ver se estou sonhando") e ter consciência da situação de forma mais profunda. Quando a pessoa resiste, ela tenta anestesiar o que sente ou mesmo fugir da situação - o que aumenta ainda mais o dano. Mudar de postura nessas horas, aceitar o sofrimento e aprender com ele, acaba por mostrar o que realmente importa na vida, e nos tornar realmente fortes para o mundo.

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