terça-feira, 29 de maio de 2018

Ofensa e Agressão


Já comentei sobre a dificuldade em conversar com as pessoas hoje em dia, e mesmo pontuo em alguns posts sobre a questão da ofensa e da agressão. Contudo, a impressão que eu tenho é que as pessoas estão se ofendendo com coisas cada vez mais bobas, e criando celeumas desnecessárias. Existe até um termo para isso: violência psicológica, como se uma pessoa pudesse agredir outra apenas pelo pensamento.

Pois bem, mesmo que estejamos em uma era onde a dominação ocorre principalmente pela via mental (reprogramações, lavagens cerebrais, etc), a verdadeira agressão é contra a integridade física do ser. É muito mais fácil lidar com palavras do que com socos, ao contrário do que apregoam por aí. Isso também faz parte de uma estratégia de dominação: sugerir que a pessoa não possui "força mental" para reagir a este tipo de coisa.

Existe um ditado que diz que a substância é venenosa para quem a ingere. A ofensa é basicamente isso: um veneno para quem toma, para quem aceita ser agredido por ela. Eu posso dizer algo extremamente agradável e elevado, mas a pessoa pode se ofender e brigar comigo por isso. E o contrário também é verdadeiro: uma pessoa pode dizer palavras rudes, com o claro objetivo de ofender, mas seu interlocutor não esboçar nenhuma reação a respeito. Isso é diferente de ignorar, pois, para ignorar, deve-se aceitar aquilo como ofensa, o que dá a entender que se ofendeu, mas que irá fazer pouco caso daquilo, abrindo o espaço para mais "agressões".

Agressão é quando uma pessoa busca atingir a integridade física de outrem. Isso não se dá por palavras, mas por ações, seja no corpo, nos bens da pessoa, ou mesmo nas suas contas na internet, e deve ser respondida como tal. Não como vingança, mas como defesa. Interessante que quando a causa é legítima, a resposta é mal vista. Uma pessoa pode chorar por ter sido "ofendida", mas não pode defender-se de um tapa. Perceba então a questão da atitude: tomar uma atitude é errado, mesmo com razão.

Ofender-se com algo não é uma atitude, e ainda abre espaço para que outras pessoas entrem na questão. No fundo, o ofendido teve seu ego ferido, sua vaidade arranhada. Quando se ofende com algo digo, é porque aquilo foi contra o próprio orgulho. Se fosse pensar sobre violência psicológica, seria muito mais as reprogramações nas quais as pessoas estão sujeitas do que uma palavra mal interpretada.

Quando se ofender com algo, reflita sobre o que lhe ofendeu, não com o suposto "ofensor". Na maioria das vezes, é algo tolo que apenas atiçou o ego a reagir ruidosamente. Ignorar é apenas aceitar que aquilo lhe agrediu, demonstrando que não haverá resposta. Seguir em frente, desconsiderando o que foi dito. Se a pessoa o fez para agredir, ela mesma se sentirá "ofendida", pois sentirá o seu ego "rosnar". Se a pessoa o fez sem intenção maldosa, a conversa pode continuar fluindo normalmente, sentindo-se segura em continuar a falar.

É uma questão de maturidade e evolução. Quem se ofende por qualquer coisa, a ponto de produzir transtornos de grande porte, precisa parar e refletir sobre o que está lhe ferindo: se é a ação do outro ou o próprio ego, que discorda da situação e, além de não saber aceitar a opinião e postura do outro, não sabe como reagir. Ao contrário do que pode parecer num primeiro momento, este tipo de resposta não resolve a situação, apenas a agrava, chegando a exemplos cada vez mais absurdos.

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