terça-feira, 3 de julho de 2018

Sobre a seriedade do misticismo


Assisti a um vídeo interessante do filósofo Olavo de Carvalho sobre Astrologia e me surpreendi com a postura a qual abordou o assunto. Diferente de boa parte dos cristãos e conservadores, que acabam por tratar o assunto como mero charlatanismo, Olavo ressalta neste vídeo a questão da responsabilidade em estudar o assunto e analisar a prática, apresentando a Astrologia com sensatez e maturidade.

Como disse no outro post, não é porque a pessoa tem Mercúrio em Câncer que ela vai ser x, y ou z, mas que o Mercúrio em Câncer representa algo que ela é, que pode ser trabalhado e melhorado, se assim o quiser. O mesmo com o tarô: ele não diz o futuro, ele apresenta uma situação sobre outro viés, e cabe a pessoa decidir se é aquilo que ela quer ou não.

A questão central é a imaturidade que existe no "meio místico". Pessoalmente, acho que isso não deveria ocorrer neste meio, afinal estamos falando de pessoas supostamente evoluídas, que transcenderam o corriqueiro para ver além. O problema é que essas pessoas acabam sendo tão mundanas quanto as "realmente" mundanas, risos, justamente por ostentarem uma postura que não condiz com a realidade, e mesmo pavonear conhecimentos não condizentes com a verdade, ou simplesmente, não factíveis. Mesmo Hawkins detona esse tipo de conduta no Verdade contra Falsidade: é algo ligado a níveis baixos de consciência, calibrado a menos de 200.

Interessante que Hawkins calibrou o tarô em 190, o Reiki em 340 e a Astrologia entre 210-405. No livro citado, há tantas calibragens que, além de me ater às anteriormente citadas, sugiro a leitura e estudo dessa obra. A oscilação da Astrologia depende da responsabilidade do profissional, de acordo com a justificativa dada por Hawkins. O tarô calibrado em 190 é justificado pela visão do mesmo como um mero leitor de sorte ou leitor do futuro. Por mais que existam pessoas que digam "o tarô é um instrumento para autoconhecimento", e o mesmo para a Astrologia, as pessoas tendem a buscar ambos apenas para saber o que vai acontecer.

Já o Reiki considero aquém do que poderia ser - onde foi parar a iluminação do mestre Usui? Não vou entrar no mérito se foi uma iluminação plena (calibrada a 700+) ou se foi a experiência do satori, calibrada em 580. A calibragem se justifica por alguns fatores: a visão do Reiki como "terapia" e a postura dos reikianos, a amostragem da qual Hawkins tinha disponível, além das divergências de aplicação do método em si. A "amostragem" e a "visão" variam nos diversos ramos do "misticismo". Lembre-se de que Mandela foi calibrado em 500, mesmo tendo sua vida manchada por atos terroristas comprovados posteriormente. Isso abriria espaço para outras calibragens do Reiki, podendo o mesmo ser colocado em outro nível.

Veio à mente o famoso zen de Facebook, pessoas que têm uma postura de "iluminação" nas redes sociais, baseada em uma mistura de conceitos contraditórios entre si. Interessante notar o ego inflado que estas pessoas possuem, ofendendo-se com questionamentos e exposição das contradições. Ao solicitar um argumento, um motivo mais consistente a respeito, o relativismo torna-se regra. Aliás, ao atingir-se um nível de percepção mais aprofundado, percebe-se que a vida social é uma trama de posturas e aparências, e a atitude realmente evoluída é irritante por si só.

É uma questão de estudo e aprendizado: discernir o que faz evoluir o espírito daquilo que só cresce o ego e a vaidade. Não que o Reiki seja "involuído", mas a postura de boa parte dos reikianos é, e o mesmo vale para tarólogos e astrólogos, e mesmo outras profissões. Seriedade implica postura, e esta implica maturidade, e esta implica estudo, prática e, principalmente, experiência de vida.

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