terça-feira, 21 de agosto de 2018

O limite do natureba


Parei para refletir sobre a questão ecológica, que tem um peso tão grande no pensamento que as pessoas deixaram de questionar sobre seus limites. Se é ecológico, é bom e verdadeiro, e ponto. Se não o é, deve ser corrigido imediatamente, sem ao menos ser questionado ou refletido. Parei para pensar nisso depois de ver um documentário sobre uma série de estudos que mostram que o aquecimento global não é tão culpa do ser humano assim, e a censura que há sobre o assunto.

O que chama mais a atenção, para começar, é a censura existente sobre a discussão. Simplesmente não é possível discordar sem ser boicotado ou desacreditado de alguma forma. O clima é demasiado complexo para o ser humano querer entender com algumas décadas de observações mais precisas. Alguns questionamentos lógicos, como a questão galática, tiram do ser humano a "total" responsabilidade sobre a situação. Concordo que é necessário cuidar do meio ambiente e não ficar destruindo a torto e a direito, mas será que isso não está virando desculpa demais, a ponto de a sociedade começar a regredir estruturalmente?

A impressão que eu tenho é que há pessoas que querem voltar à Idade da Pedra, deixando de lado todo o conforto conquistado pelo progresso humano para se submeter a revezes desnecessários. Sabe-se que o que permitiu a sobrevivência da espécie no planeta foi justamente o desenvolvimento do intelecto, já que não havia outro diferencial biológico, como asas, garras e afins. Ou seja, negar o intelecto e adaptação ao ambiente de forma racional é extinguir a própria espécie. Um exemplo disso está na alimentação: a valorização exagerada dos alimentos orgânicos esconde a baixa capacidade de se produzi-los, assim como a questão do vegetarianismo e veganismo.

Outro exemplo está nas "alternativas natureba" para problemas simples. Recentemente, tive problema de formigas em casa, e ao procurar na internet uma solução, encontrei receitas que utilizavam café, pimenta, coisas que serviam apenas para espantá-las. O que realmente resolveu foi uma única aplicação de veneno, que nunca mais utilizei. Fora as receitas de bicarbonato de sódio para tudo, da limpeza da casa a substituir o desodorante. Deve-se ter em mente que mesmo as coisas "artificiais" foram extraídas da natureza de alguma forma: o ser humano não as "criou do nada", apenas lhe dando nova configuração. Claro que algumas coisas são prejudiciais, como algumas coisas da própria natureza.

Infelizmente, a intenção política se sobrepõe à boa intenção. Tome por exemplo uma usina hidrelétrica: ela não produz poluentes em sua operação, mas tem um impacto ambiental gigante em sua construção. Até conseguir por em funcionamento, deve-se "vencer" aqueles que são contra a construção, por mais que insistam que a energia tem que ser "limpa". As fontes eólica e solar são pouco eficientes, necessitando de mais e mais estudos para uma produção em larga escala - mas será que existe essa intenção, ou seria um mero mecanismo de controle? Impedem países em desenvolvimento de usar petróleo e carvão como matriz energética em nome do "desenvolvimento sustentável", mas até que ponto isso é praticável ou factível?

Ciência é discussão, é troca de ideias de forma racional. Onde não há discordância, não há ciência: veja a própria treta entre Einstein e Heisenberg sobre a Física Quântica. Não é quem está certo ou errado, mas quem vê melhor determinada situação e qual teoria resiste aos questionamentos ao longo do tempo, de forma racional, não política. E é esse racionalismo que permite que o meio ambiente seja menos agredido e o ser humano se perpetue no planeta da melhor forma possível sempre.

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