terça-feira, 4 de setembro de 2018

Pérolas aos porcos

Quem nunca teve a sensação de estar certo em uma multidão de errados? Ou de ser a única pessoa acordada no meio de tantos que dormem? Isso dá a falsa sensação de que a situação é contrária: eu estou errado, eles estão certos; eles estão acordados, eu estou dormindo. Acaba minando um pouco a autoconfiança, mas é só continuar o processo para ter certeza de que, realmente, as pessoas estão dormindo, as pessoas não entendem, ou qualquer outra expressão que prefira usar. Evolução é um troço meio egoísta e cruel, como pode perceber.


Egoísta porque só você entende, raramente encontrando alguém que consiga enxergar também. A luz irradiada começa a ofuscar quem está em volta, e as pessoas começam a se afastar e a te rejeitar por isso. Você acha que irá ajudar muita gente com o conhecimento adquirido e que as coisas melhorarão para todos, mas é o contrário que acontece: as pessoas acabam por preferir a própria ignorância, achando que você é o involuído da questão.

Cruel porque você no final passa por cima das pessoas que simplesmente não entendem o que está acontecendo e acabam por te atacar como uma forma de se defender. A força gera a compreensão, mas sem aceitação a mudança não ocorre. Pessoas evoluídas tendem a elevar o nível de consciência de quem está em torno. Como a tendência é nivelar para baixo, a situação é desconfortável. Só se sente realmente bem quem se deixa levar, quem realmente sabe que aquilo é bom.

Parece presunçoso e vaidoso fazer essas observações para quem desenvolveu a consciência. Aí está a armadilha: as pessoas acham (ou querem fazer você achar) que humildade é se diminuir ao máximo. Humildade é assumir quem realmente é, sobretudo os "pontos fortes", sem vaidade (a afamada modéstia). Assumir que pode fazer, que cresceu, é mérito seu, que não podem tirar, apesar de tentarem apagar. Obviamente não é pavonear ou "esmagar" os outros com isso.

Ser evoluído não significa ser perfeito, estando a pessoa sujeita a falhas como qualquer outra. A forma de lidar com elas que é diferente. Geralmente o vitimista acha que tem que ser pajeado, mimado, e faz resistência ferrenha a qualquer mudança. Quando evolui, a pessoa deixa de lado essa postura, buscando se melhorar e se adaptar - é o que promove a mudança da situação como um todo. Ela talvez precise ser amparada, na fase de luto, mas não ser conduzida, como se não pudesse caminhar com as próprias pernas.

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