terça-feira, 18 de setembro de 2018

Um pouco sobre a Beleza

Depois de a Fifa proibir a filmagem de mulheres bonitas em jogos oficiais, acabei por assistir ao documentário Por que a Beleza importa do filósofo Roger Scruton. Nessa toada, percebi que ainda não escrevi um post sobre o assunto, dando apenas algumas pinceladas em outros posts. A Beleza perdeu lugar no mundo em nome do utilitarismo e do egoísmo se fomos pensar: há pessoas que preferem o Feio abertamente, criticando e julgando aqueles que buscam o Belo; e há outras pessoas que acham o belo pouco funcional.


Há pessoas bonitas e feias, em uma questão de gosto pessoal; até aí, isso faz parte do instinto humano de buscar um par para reprodução. No entanto, dentro de todas as pessoas, e de todos os seres, há uma Beleza primordial, oriunda da criação de Deus. Tudo o que Deus criou é belo, e o afastar-se de Deus promove a Feiura - mas o Belo continua lá, escondido, adormecido. Talvez esse exemplo prático ajude a distinguir o que o Scruton comenta sobre o amor erótico e o amor platônico. Essa distorção é o que torna os relacionamentos vazios e frívolos, que são muito bem ilustrados pelas músicas de baixa qualidade de hoje em dia...

Interessante as pessoas afirmarem com tanta convicção que Beleza é questão de gosto: não, não é. Assim como a Verdade, a Beleza é fruto da percepção: quanto mais evoluída, e mais apurada, for a percepção de uma pessoa (seu nível evolutivo), mais próxima da Beleza ela se encontra, assim como da Verdade. Ou seja: falar que a Verdade é relativa e a Beleza é questão de gosto torna-se desculpa de uma pessoa que se recusa a evoluir.

Porque o Belo está dentro de si não significa que ele está presente - ele precisa ser despertado e expressado. E isso é algo absolutamente natural, ou seja, essas "transformações" que vemos em programas de televisão são totalmente falsas. A pessoa apenas colocou uma máscara sobre sua própria incapacidade de descobrir a própria beleza - descobrir e aceitar. Esse ponto é delicado e requer atenção: porque a pessoa precisa expressar sua beleza natural não significa que deva ser desleixada com ela mesma, o que é tão falso quanto se encher de tintas sem motivação interna.

Ao se prestar atenção à Beleza das coisas, a própria Beleza interior é despertada. Isso faz parte do Zen Budismo e da contemplação amorosa do Olavo de Carvalho. Descobre-se o quão feio este mundo se tornou - o quanto as pessoas se afastaram de Deus -, e impulsiona a essa busca da Beleza, que foi incrivelmente retratada n'O Silmarillion. A Beleza tira a pessoa do automatismo e a põe em contato com a Realidade, ou com a Verdade, se preferir. Por isso ao se apaixonar verdadeiramente o amado é tão belo: ele possui esse brilho, esse quê de divino, que nos leva de volta ao que realmente somos.

Eu nem preciso comentar que isso é evoluído por si só, nem fazer referência a Hawkins, que calibra os clássicos em níveis tão elevados. O Belo é algo que se sente, está além da descrição pelas palavras, por isso há várias formas de Arte, caminhos pelos quais a pessoa pode sentir o Belo. Uma obra interessante que enfatiza isso é Sobre Histórias de Fadas do Tolkien. Será que nosso mundo está como está por nos afastarmos de Deus e da Sua Beleza?


O Belo é Bom e Verdadeiro. O Verdadeiro é Belo e Bom. O Bom é Belo e Verdadeiro. Se há uma falha nessas três premissas, é porque algo não é verdadeiramente bom, belo ou verdadeiro. Era algo que eu gostaria de refletir em um post futuro, mas vou adiantar algo do que penso sobre: não faz sentido algo ser Verdadeiro se não for Belo e Bom; não há nada Bom que não seja Belo e Verdadeiro; e não há nada Belo que não seja Bom e Verdadeiro. Parece um jogo de palavras, mas é algo tão simples que muitos passam a vida procurando entender.

2 comentários:

  1. Oiis!
    Tem tanta coisa bonita que por dentro é horrendo e tanta coisa feia que por dentro é belo... mas tem gente que insiste em ver o por fora, então deixa né.
    Quando li a parte de O Silmarillion (consegui escrever sem colar hohohohoho) tive que reler por que não estava entrando na cabeça, depois fez o click e lembrei xD~

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    Respostas
    1. Fofis!
      Beleza é algo tão complexo que me admira ter sido reduzido para a concepção atual.
      O Silmarillion é a principal obra do Tolkien. Foi a que ele dedicou mais atenção ao longo de sua vida. Mesmo quando o adaptou ao Senhor dos Anéis, foi mais para unir este a aquele, não o contrário.

      Bye!

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