terça-feira, 23 de outubro de 2018

A importância das muletas psicológicas


Todas as pessoas possuem muletas psicológicas, com exceção talvez daquelas evoluídas, de um nível extremamente avançado. Mesmo a maioria das pessoas evoluídas também precisam das ditas muletas, por conta da carga pesada que têm de aguentar neste planetinha. Não adianta a pessoa querer largá-las de uma vez, acreditando que assim conseguirá dar um grande salto evolutivo rumo à Iluminação. Não mesmo. No máximo acaba por estagnar-se no processo, sem perceber que está usando de forma inconsciente tais muletas para manterem-se onde estão.

Pois bem, as muletas psicológicas podem ser qualquer coisa: hábitos nos quais as pessoas se apegam para poder superar determinadas situações, como comer um doce, tomar café, jogar horas a fio, entre outros. O importante é que transmitam segurança durante o momento de tensão, como uma criança que dorme abraçada a um bichinho de pelúcia com medo de pesadelos. Entenda que não há nada de negativo nisso, e mesmo durante o processo evolutivo, para não dizer que durante a vida inteira, as muletas psicológicas são necessárias.

O aspecto mais conhecido das muletas psicológicas é quando crescem a ponto de tornarem-se vícios: aquele docinho para acalmar torna-se uma obsessão por comida, a taça de vinho para relaxar no final do dia transforma-se num alcoolismo descontrolado. Por isso as pessoas tendem a acreditar que para evoluir precisam largar disso de uma vez. Controlar os vícios com certeza, mas principalmente ter consciência deles. Ter consciência de que você se apoia neles por conta de uma insegurança que existe em determinada situação.

Como uma pessoa que está acamada e precisa de muletas para voltar a caminhar, as pessoas precisam de muletas psicológicas para seguir em seu processo evolutivo. E assim como o acamado deve ter consciência de se esforçar para abandonar suas muletas pouco a pouco, as pessoas devem ir largando aos poucos suas muletas psicológicas, seja reduzindo seu uso, seja trocando por outras menos "agressivas" ao organismo e à mente. O importante é ter consciência de usá-las apenas quando necessário, de que é necessário usá-las, e que não há nada de mau nisso.

Negar suas muletas psicológicas é relegá-las ao inconsciente e continuar usando-as, mas de forma a travar o próprio processo evolutivo. Assumir que precisa dessas muletas permite usá-las quando necessário e controlá-las para que não seja controlado por elas. É libertador saber que pode se apoiar em algo aparente bobo por um determinado tempo para superar problemas realmente difíceis. No entanto, deve-se ter em mente que logo que o problema é sanado, as muletas psicológicas devem ser deixadas de lado, e a cada novo problema, esforçar-se para usá-las cada vez menos.

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