terça-feira, 30 de outubro de 2018

Por trás da Disney


Em outro post, fiz uma análise rápida sobre dois filmes da Disney: Moana e A Bela e a Fera. Apesar deste último ser mais recente que outros contos de fadas "clássicos", ele se baseia nestas obras mais antigas. Já o primeiro é um filme recente, com uma linguagem mais contemporânea. Contudo, ambos possuem o que eu considero por marca dos filmes da Disney: a presença de duas mensagens, uma externa e outra interna. A externa seria a mensagem que o grande público absorve pelo consciente; e a interna seria o que realmente pretendem passar, que requer mais atenção e uma outra visão de mundo.

Não entenda que apenas meia dúzia pode captar conscientemente esta segunda mensagem. Essa dita meia dúzia de seis pode apenas "ver" a roupa do imperador, e não que ele está nu. Uma das estratégias de controle social é a inserção consciente de valores involuídos com o intuito de causar confusão nas pessoas. Só que essa inserção de valores se dá pela via inconsciente: esta não diferencia realidade de ficção, então leva aquilo que não passa pelo crivo do consciente como verdade.

Enquanto o consciente é distraído pela "mensagem externa" do filme - que é assunto dos estudiosos, inclusive -, a mensagem interna vai alterando a programação da pessoa sem que esta o perceba. Com isso, conceitos que ela nem imaginava existir, ou mesmo não possuía ainda uma opinião formada, são sedimentados e solidificados, e quando a mensagem vem de forma consciente, a aceitação é instantânea. Ou seja, a mensagem externa dos filmes deveria ser analisada com base na mensagem interna, para que esta seja neutralizada.

Pode-se pensar que a mensagem interna seria apenas uma outra visão da mensagem externa, baseada em outra visão de mundo. Não deixa de estar certo, afinal, a mensagem interna precisa de uma camuflagem para não ser descoberta de forma tão fácil. A ideia de uma mensagem oculta infelizmente suscita nas pessoas aquela ideia de algo anormal, o que obviamente não é. Conforme se desenvolve uma maior percepção de mundo, percebe-se o que se quer realmente transmitir através desses filmes, e mesmo como as pessoas nem sequer pensam que isso pode acontecer.

Não pense que esse tipo de coisa só ocorre com filmes da Disney, longe disso. Esse é um pequeno exemplo do que a chamada indústria cultural está a fazer nos dias de hoje para inculcar uma programação específica. Não que a pessoa não deva mais ter seus entretenimentos de final de semana, ao contrário: transformar a análise dessas mensagens de programação em um extra para a diversão. Também não pense que as pessoas irão aceitar que estão sendo manipuladas de forma tão sutil, e esteja pronto para um provável Efeito Matrix - mas saiba que isso vale, e muito, a pena.

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