terça-feira, 27 de novembro de 2018

A fluidez do respeito


Vive-se em uma sociedade fluida. Tudo oscila e muda a cada minuto, para não dizer a cada segundo. Talvez isso tenha sido sempre assim, apesar de ter vindo à tona apenas nos últimos tempos - pelo menos para mim. Com a "descoberta" desta fluidez, as coisas passaram a mudar de forma mais visível, e até mesmo mais rápida. Um exemplo interessante a se notar é o do respeito, que as pessoas dizem ter umas com as outras, reclamam que não o recebem de volta, mas todos acham necessário para uma convivência social.

As pessoas estão em um nível de vitimismo tal que qualquer coisa é motivo de ofensa - basta ler os vários posts que já escrevi a respeito. Contudo, não se busca entender a expressão de respeito do outro, mas apenas tentar entender a atitude do outro baseada nos próprios padrões do que seria respeitoso. Cada pessoa possui suas formas de expressar respeito, assim como os próprios parâmetros de bom senso. Isso varia com a percepção de cada um.

Ou seja, dentro do vitimismo existente na sociedade atual, qualquer coisa pode ser considerada ofensiva, pois irá depender da pessoa considerar aquilo respeitoso ou não. Por mais que alguém tente ser educado e gentil com outra pessoa, esta poderá se vitimizar em relação à primeira, como se sua atitude fosse a mais desrespeitosa possível. No entanto, ao invés de tentar entender o significado daquela atitude, apenas se julga o que a própria pessoa considera por agradável ou não.

Isso causa uma inversão no fluxo natural da espécie: ao invés do predomínio do que há de melhor entre as pessoas, estas acabam tendo que se curvar perante um grupo de pessoas fracas e imaturas. Ao contrário do que se imagina, isso não promove o sonhado equilíbrio social, pelo contrário: com pessoas imaturas "no comando", as coisas só tendem a degringolar cada vez mais, até que alguém "mais apto" assuma o comando para resolver a situação. É o que vem acontecendo nos dias de hoje com o que é chamado de intolerância: o vitimismo atingiu seu ponto de saturação e as pessoas não aguentam mais isso. E isso precisa mudar.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Entre a lógica e a emoção


É um erro reduzir a Razão ao raciocínio lógico, ao contrário do que muitos fazem, por conta da imagem que se tem dos sentimentos e das emoções. Estas seriam parte do arcabouço instintivo humano, cuja imagem é de algo a ser combatido. Comentei em outro post que os seres humanos são animais e que, por conta disso, precisam aprender a trabalhar seus instintos. Consequentemente, as emoções serão melhor trabalhadas e equilibradas, ligando-se naturalmente ao lado lógico, podendo a pessoa ser considerada racional a partir deste ponto.

Como a emoção é considerado algo "irracional", por ser ligado ao instinto, é comum as pessoas buscarem "reduzi-la". Isso as afasta de sua verdadeira natureza, e de Deus - algo a se observar. Longe de Deus, as pessoas se deformam - repare no "visual" das pessoas de hoje em dia, com suas cores sombrias e destoantes, e reflita sobre o post que escrevi a respeito da beleza. Cuidar do instinto, para que possa crescer e amadurecer, aproxima a pessoa dela mesma, suprindo-a de uma das várias coisas de que sente falta. Muitas vezes, quando uma pessoa se acha emocional demais é quando ela está sendo emocional de menos.

O raciocínio lógico, apesar de bem visto, é muito mal trabalhado. Requer treino e habilidade, tanto quanto as emoções e os instintos precisam ser trabalhados e aprimorados. É o que permite seguir o caminho, por assim dizer: o que fazer e como fazer. Só que sem algo que dê direcionamento, você pode ir para qualquer lugar - até mesmo os menos agradáveis - pensando seguir o melhor rumo possível. Isso é o que as pessoas tendem a chamar por "sociopatia": sem sentimentos, a pessoa não consegue se ver no lugar da outra, analisando apenas o que lhe é vantajoso ou não. Ao contrário do que se imagina, uma pessoa realmente egoísta é aquela que não sabe trabalhar os próprios sentimentos; já a que cuida dos seus sentimentos e instintos realmente se ama - esta seria uma diferença básica entre amor-próprio e egoísmo.

Quando combinados, pode-se chegar a tal Razão de que muito se fala e pouco se conhece. Não é escolher um, mas ambos: ser uma pessoa completa, natural. Saber raciocinar sem se deixar levar por paixões vazias, mas tendo por direcionamento valores elevados. A pessoa sabe se colocar no lugar do outro tendo consciência de sua própria posição. A partir dessa harmonia pode-se desenvolver de forma profunda a Fé - esta não pode existir sem uma Razão desenvolvida. Relacionando à escala Hawkins, para chegar aos níveis acima de 500 (Amor), é necessário ir além da própria Razão, que acaba por fechar em si mesma. Interessante notar que a partir do nível 500, como expliquei neste post, o que é conhecido por "sobrenatural" começa a acontecer com frequência.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Sobre autoajuda


Sempre insisti aqui que a evolução é um processo individual, sendo praticamente impossível, pelo menos neste planeta, alcançar dimensões coletivas. No máximo o que pode haver no processo evolutivo é uma interação mestre-discípulo - mais do que isso, o ensinamento vira doutrina, corrompendo-se. O processo evolutivo varia com a consciência e experiência individuais, ou seja, o que funciona para um pode gerar o efeito inverso para outro. Outra coisa importante a ser levada em conta é a diferença que criam entre Salvação e Iluminação, como se a primeira não dependesse da segunda. Nesta linha de raciocínio, a Iluminação de consciência poderia ter efeitos nefastos, sobretudo em pessoas imaturas.

O importante no processo evolutivo é o caminho, não o destino - por isso ele é individual. E através do caminho você "salva sua alma", que nada mais é do que superar os problemas mundanos em nome de algo maior. Veja como isso é importante, independente de instituições religiosas inculcando em sua cabeça o que deve ou não ser feito. No máximo ao seguir uma doutrina virtuosa você pode ter uma outra vida melhorzinha, mas você não saiu do lugar no processo evolutivo - isso não é interessante para doutrinadores.

Se você encontrou alguém que você sente te mostrar um caminho, mestre ou guia, preste atenção: ele sempre te deixará livre para agir, nunca te mandará fazer isso ou aquilo. Esse detalhe é o mais importante: um guia sempre sugere, nunca manda. Além de guiar uma pessoa de cada vez, sem criar grupinhos, pelos mesmos motivos que citei anteriormente. Não pense que seguir o caminho evolutivo com alguém é melhor que sozinho: pode ser até pior, pois essa pessoa pode literalmente inverter seu rumo.

Alguns livros de autoajuda são bons, mesmo sem trabalhar o tema diretamente. Creio eu que, assim como outros ramos editoriais, o de autoajuda é pouco valorizado pelo destaque que dão a determinadas obras e não a outras, que fogem do estereótipo receita de bolo e dão outra visão de mundo para a pessoa. E são geralmente estes que mostram que você pode ir além desses livros e de outros tantos. O grande perigo da sociedade não é um grupo político ou social, muito menos um grupo religioso: é a pessoa evoluída, livre das reservas de mercado. A Iluminação, no caso, apenas coroa e conclui um processo, levando a pessoa para outros processos evolutivos.

E sim, existe evolução negativa, mas ela não é fruto de imaturidade. Para atingir determinados níveis de consciência, de forma positiva ou negativa, é necessário que a pessoa cresça e amadureça - infantilidade acaba por encerrar a pessoa em um nível evolutivo limitado. Talvez um "erro" dos livros de autoajuda seja esquecer que a pessoa precisa de maturidade para evoluir. E maturidade é realmente uma coisa que falta hoje em dia.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O empoderamento e a diluição de conceitos


Palavras são só palavras, que em si não significam nada. E por não significarem nada, as palavras podem significar tudo. O que é chamado de Vazio, ou mesmo percebido como tal, não está literalmente vazio, mas cheio-e-vazio ao mesmo tempo. Por isso que palavras não conseguem definir a realidade - pelo menos não em sua totalidade. E não, não adianta estudar, ter um vasto léxico, ou mesmo conhecer as regras gramaticais de uma língua: pessoas realmente sábias conseguem transmitir suas mensagens mesmo com erros de sintaxe.

Percebi isso ao analisar a palavra empoderamento, um termo muito usado hoje em dia, inclusive pelo Hawkins. Um termo do qual eu não gostava, por se remeter a pessoas com problemas de vitimização que ficam jogando a culpa nos outros ao invés de cuidar da própria vida. Contudo, pode ser uma palavra que resume o processo de desenvolvimento da consciência, já que, para Hawkins, é o processo de desenvolvimento do verdadeiro Poder.

Isso me jogou numa dúvida tal que, pessoalmente, ainda não a resolvi de todo - talvez não se resolva, ou se resolva sem se resolver. Discordo da visão de Hawkins sobre o tal empowerment, já que tal processo seria mais um contato do que um desenvolvimento - as coisas estão lá, só precisam ser acessadas. Como acessar, ou mesmo se é necessário acessar, é outro assunto. E, cabe ressaltar, esse processo é interno, não externo: apesar de os conceitos usados remeterem-se a coisas "de fora", tudo acontece "dentro" da pessoa - ou seja, o famoso sair do sistema é muito mais um processo interior do que exterior.

Outro exemplo que pode ser usado nessa diluição é a própria questão de dúvida-certeza: não quer dizer que por não ter mais dúvida eu tenha uma certeza - eu posso ter apenas um raciocínio sobre que já me orienta por determinado caminho. Talvez certezas tendam mais pro erro do que as dúvidas - e isso eu digo por experiência. Fica a sensação que diz tudo, mas que não explica nada - e talvez, sempre talvez, em outro momento tudo fique claro.