terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Regresso tecnológico


Depois da discussão do natureba, passei a perceber que, realmente, o tal progresso tecnológico tem sido cada vez mais lento, para não dizer, regredido. Como se houvesse um desinteresse por parte das pessoas de continuarem a se empenhar por uma melhor sociedade dia após dia. Uma sociedade perfeita não é estática: descobrimos tudo e acabou. O que há de "perfeito" é o aprimoramento constante: estar melhor a cada dia que passa.

Nota-se uma maior preocupação com o vitimismo do que com grandes epidemias; os produtos são fabricados para estragarem de tempos em tempos, e mesmo com características combinadas para não haver concorrência entre empresas. Luta-se não para preservar o planeta, mas para restringir o acesso a bens e serviços de qualidade da maior parte da população. Essa "consciência" de sustentabilidade seria então uma programação para incentivar as pessoas a largarem a tecnologia, apresentando soluções claramente piores como "melhores", forçando as pessoas a voltar a rudimentos desnecessários.

"Vamos largar a tecnologia, os computadores" poderia ser então um "vamos nos deixar de comunicar, de trocar informações". "Vamos utilizar soluções mais naturais" poderia ser um "vamos ficar mais vulneráveis a doenças e pragas". Não sai de minha cabeça o contraste tecnológico em 1984: em uma época de teletelas e métodos de tortura sofisticados, Winston tem uma úlcera varicosa que o incomoda a história inteira, sem a mínima oportunidade de tratamento. Enquanto seu trabalho consiste em modificar jornais, a torneira da vizinha entope constantemente, sem uma reforma definitiva.

Muitos acreditam que uma "postura mais natural" irá economizar recursos naturais e tornar o planeta "mais saudável" para se viver. Engana-se: o desenvolvimento tecnológico é necessário para reduzir a tal poluição e reciclagem de resíduos. Obviamente concordo em evitar desperdícios, mas isso é muito mais um valor a ser ensinado nas mais diversas áreas da vida do que um slogan ambientalista. Repare que a maior parte dos ambientalistas utiliza do medo para impor suas ideias, impedindo qualquer debate ou reflexão: sempre uma mensagem apocalíptica baseada em estudos pouco precisos, deixando no ar a ideia de que se realmente fosse assim, o mundo já haveria acabado.

Acredito eu que estejam restringindo a tecnologia de ponta a apenas um certo número de pessoas, deixando a maioria da população à margem de recursos necessários para a sobrevivência. O economista Mises afirmou na década de 1950 que o que era considerado luxo em uma época, conforme o desenvolvimento tecnológico, tornava-se um artigo comum e necessário, como o papel higiênico e os talheres, para citar exemplos. Agora imagine não haver mais esse desenvolvimento, ou o mesmo tornar-se restrito a alguns privilegiados, impedindo-o de chegar à sociedade como um todo. Não estaríamos caminhando a passos largos a 1984?

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