terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Fable: entre o bem e o mal


Taí um jogo em que eu tive muita dificuldade de entender. Apesar de antigo, é possível considerá-lo atemporal: é um jogo que trabalha valores e a responsabilidade sobre as decisões tomadas. Ao contrário da maioria dos jogos, em que você é impelido a tomar determinadas atitudes, em Fable você tem uma gama de opções a seguir, porém você sofrerá as consequências de cada ato que realizar, boas ou más. Este jogo não é para relativistas ou desconstrucionistas: mesmo à época, o jogo recebeu uma má avaliação por seu realismo. Se tomar atitudes más, tornar-se-á um monstro; se tomar atitudes boas, tornar-se-á um herói. E a vida é assim, apesar do que tentam incutir hoje em dia.

Fable é um jogo de computador relativamente leve, com seus 2,5GB aproximados, para a quantidade de recursos existente. Tantos recursos e comandos que exigem praticamente o uso de todo o teclado, apesar de que um joystick para ser útil para locomoção. Se bem que com teclados e mouses gamers, a tarefa fica menos penosa. Diferente dos RPG's, em que você escolhe um perfil predeterminado ao criar o personagem, em Fable o personagem vai se desenvolvendo aos poucos, podendo se tornar o que o jogador queira: um guerreiro, mago, comerciante, pai de família, etc.

Ao longo do jogo, você é obrigado a tomar decisões boas ou más, que lhe darão pontos positivos ou negativos. Esses pontos meio que representam seu caráter, e com isso você pode se tornar um herói, um cara qualquer (digamos oportunista) ou um monstro. No primeiro caso, as pessoas te amam e te respeitam; no segundo, você fica à mercê das reviravoltas do jogo; no terceiro caso, no entanto, todos têm medo de você, inclusive os vilões. É uma questão de tomar as decisões corretas, como disse antes: se tomar atitudes boas, tornar-se-á um herói; se tomar atitudes más, tornar-se-á um monstro. Imagino algumas pessoas jogando e não entendendo por que seu personagem é odiado se só tinha uma boa intenção.

É um jogo que requer maturidade por conta da dissonância cognitiva que ele gera. Para quem não sabe, a dissonância cognitiva é um fenômeno psicológico no qual a pessoa gera uma "tensão mental", por assim dizer, por conta de uma atitude que toma, mesmo sem concordar. Para amenizar tal tensão, o inconsciente passa a concordar com tal conceito, e a pessoa acaba por mudar de opinião sem perceber. É uma estratégia utilizada nas escolas para fomentar determinadas programações e visões de mundo, como já devem conhecer. Agora imagine essa dissonância cognitiva no jogo: você toma atitudes que considera inocentes, mas que acabam por mexer lá no fundo, causando mudanças dentro e fora do jogo.

Como a mente não diferencia realidade de ficção, tomar atitudes más, criar um monstro dentro do jogo é a mesma coisa que se tornar um monstro "na vida real". Obviamente você não ficará repugnante na aparência como no jogo, ou mesmo não destruirá cidades inteiras ao seu bel prazer, mas não verá os atos negativos que está fazendo. No jogo, você pode se redimir, e voltar a ser uma pessoa comum, mas não conseguirá se tornar um herói, assim como você pode escorregar como herói e se tornar um homem comum. Aliás, a arma mais poderosa do jogo você só consegue atingindo a maldade máxima, imagine o porquê, assim como você pode imaginar o motivo de o herói não precisar de uma arma assim.

Fable só termina quando você mata o grande vilão. Enquanto isso, você vive em uma espécie de Second Life ou mesmo The Sims. Comparando os três jogos, apesar de Fable situar-se em um mundo fantástico, ele é muito mais realista que os outros dois, por conta do fator responsabilidade ser tão marcante. Além da dissonância cognitiva, suas cenas de combate são realistas demais, podendo chegar ao gore até. Não é um jogo para fracos ou curiosos. Para finalizar, este jogo lembra os filmes Jumanji: quando o jogo torna-se uma realidade a ser vivida, com a finalidade de voltar para "o mundo real". Mesmo não tendo a profundidade de Fable, os personagens voltam com uma grande carga de experiência e aprendizado, passando pela tal dissonância cognitiva comentada anteriormente.

2 comentários:

  1. Oies o/
    Fui me interessando pelo jogo até chegar na parte em que pode chegar ao gore. Ai perdi completamente a vontade xD
    Não consigo nem ver filmes assim quem dirá jogar um jogo =P

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