terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Ler ou não ler os comentários?


Há alguns anos atrás, vi um vídeo que explicava o motivo pelo qual o dono do canal desabilitava os comentários: a maioria dos comentários seria "inútil", não valendo a pena responder, fora alguns comentários que serviriam apenas para "estragar o trabalho feito". Ao invés da trabalheira de ler cada comentário e dar a devida resposta, ou mesmo apagá-lo, melhor não tê-los - principalmente para quem recebe muitos. No Wi-Fi Ralph, mesmo fazendo sucesso e conseguindo o dinheiro que precisava no site de vídeos, Ralph fica triste ao ler tantos comentários negativos sobre sua pessoa, e a administradora do site chega a comentar: nunca leia os comentários.

Afinal, lê-los ou não? Seja para quem está produzindo o conteúdo, seja para quem o está consumindo, os comentários são importantes ou não adicionam em nada? É fácil falar que comentários são inúteis quando você tem milhares para moderar antes de publicar e mesmo para responder, mesmo que com um simples obrigado. É fácil, também, evitar críticas e questionamentos usando a ideia de que tudo é inútil. Ao se comprar um produto, quem nunca mudou de ideia de adquirir determinada marca ou em determinada loja por conta de um comentário bem escrito? Quem acredita apenas nas resenhas mas não se dá ao trabalho de procurar pessoas usando o produto de verdade?

Não vou entrar mais a fundo nessa questão de compras para não fugir do assunto, mas já deu para ter uma ideia. Comentários são importantes: são a resposta ao trabalho publicado, simples assim. Aprender a geri-los, ou a digeri-los, faz parte do trabalho do blogueiro, do youtuber ou mesmo do podcaster, entre outros. Muito do que não é dito no post, vou focar no blog agora, acaba sendo explicado nos comentários. Saber o que as pessoas acham (ou não acham) pode ajudar em novos posts ou mesmo mudanças estruturais do blog - sabe aquele link quebrado, a imagem que não carrega? Pois é. Fora o leitor que não entendeu um ponto e outro leitor acaba por esclarecer.

Falei uma coisa ao longo do post que muitos acabam por não utilizar: moderação de comentários. Ou fecham a porta ou a abrem pra todo mundo falar o que vem à cabeça, sem o mínimo controle. Moderação é fundamental, por mais trabalho que dê - a menos que o volume seja desproporcional ao tempo disponível. Este blog recebe pouquíssimos comentários, não sei se por conta da plataforma, ou mesmo pela falta de interesse em fazê-lo. Isso me permite ler cada comentário e o responder sem pressa. O comentário acaba se tornando parte da postagem, e não mais uma parte a ser ignorada. Perceba a diferença de postura: não é o objeto de muda, mas a forma de vê-lo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Wi-Fi Ralph - Quebrando a Internet

Este filme é a continuação do filme Detona Ralph, um filme divertido no qual os personagens de videogames possuem uma vida fora do jogo. Ralph era vilão de um desses jogos e fica amigo de uma guria "excluída" de outro. Neste segundo filme, a máquina do jogo dela quebra, e a dupla viaja para a internet em busca da peça necessária para o conserto. Contudo, a guria se "apaixona" por outro jogo, enquanto Ralph vira "youtuber" para conseguir dinheiro. Enquanto este está focado em ajudar a melhor amiga, esta acaba se deixando levar pelos encantos da internet, separando-se de seu melhor amigo no final. "Gostei tanto" do filme que contei o final, risos.

Pois bem, como quase todos os filmes da Disney, esse filme também possui uma dupla mensagem, fora uma estratégia interessante de derrubar defesas mentais para introduzir a mensagem desejada. Como percebem, vou contar spoilers detalhados para poder explicar sobre o filme. Pessoalmente, gostei muito do primeiro filme, e não encontrei nada de diferente a ser comentado aqui - mesmo a questão do vilão como herói não é lá muito interessante no momento para virar post.

A guria que falei anteriormente é princesa de um jogo de corrida e também uma das corredoras. Ela tem um tilt que a permite teleportar metros a frente, o que acaba por definir diversas competições. No filme em questão ela está entediada por já conhecer tudo e vencer sempre. Ralph, como destruidor que é, monta uma pista de corrida nova, fazendo com que a menina que estava no controle do jogo force a máquina a seguir o trajeto certo, quebrando o volante. Para que o jogo não seja descartado, por ser antigo, Ralph e a guria viajam pela internet para encontrar um volante novo, e o encontram no eBay. Ao tentar comprar, descobrem que precisam pagar com dinheiro real, algo que não têm.

Aí que começa a parte analisável do filme. A representação das páginas e dos usuários é deveras interessante, difícil de uma pessoa não se identificar e baixar suas defesas mentais. Enquanto procuram uma forma de levantar a fortuna necessária para comprar o volante, a dupla encontra um jogo de corrida no qual a guria se apaixona, sobretudo pela protagonista do jogo. Esta, esperta pra caramba, acaba por aceitar que a guria participe do jogo e corra com ela. Entenda que não há amizade verdadeira, apenas um jogo de interesses: mais uma coleguinha para competir e só. Enquanto as duas se divertem, Ralph segue as recomendações da corredora online e vai para um similar do YouTube fazer vídeos e ganhar dinheiro.

Note que Ralph mantém-se focado até o final de sua tarefa. Ele não se importa com o sucesso que faz na internet, apesar dos comentários que recebe em relação a seus vídeos. A dona do site então explica que comentários não devem ser lidos - o que vou explicar em outro post. Ralph responde que o importante era a tarefa que estava concluindo, em nome da amizade que tinha pela guria. Enquanto isso, ela está na página da Disney, onde conhece as Princesas, que acabam por terminar de corrompê-la. Claro que não mostram dessa forma: mostram uma princesinha que busca seus sonhos, abrindo mão de uma amizade verdadeira.

Aliás, por falar em princesa, a guria sempre negou sua nobreza: no final do primeiro filme, ela decide tornar seu reino uma república (o que não acontece), e não usa as vestes reais, preferindo algo mais descolado. No meio das Princesas da Disney, contudo, ela precisa se apresentar como princesa para não ser levada pelos stormtroopers. As Princesas acabam por criticar indiretamente Ralph, e mesmo na cena em que elas o resgatam, não o fazem pela amizade, como dizem (ou ousam dizer?), mas para salvar um homem forte indefeso. Como se, depois de tudo o que ele fez, assim o fosse.

A representação da deep web é a mesma que já se encontra na mente das pessoas: reduto de criminosos. No entanto, com tanta restrição de informação que existe, a deep web acaba se tornando um reduto de informações censuradas, mais para uma floresta fechada do que o subúrbio de uma cidade. Ralph entra na deep web em busca de algo que convença sua amiga a voltar ao seu jogo de origem, mas acaba causando uma confusão em toda a internet "normal". A guria "salva" a internet, expondo seus sentimentos da Ralph: ela não pretendia voltar tão cedo para seu jogo. Ela estava encantada com a web, principalmente com o joguinho novo e a "nova" amiga, que não é tão amiga assim.

E assim o filme acaba. Imagina receber essa mensagem com as defesas mentais abaixadas? Fica uma sensação amarga na boca, e uma "esperança" de que haja um terceiro filme, onde as coisas se resolvam. Eu acho difícil, a ideia era essa: aceitar a amizade falsa entre as corredoras e os "encantos" das Princesas. Fora a questão de ganhar dinheiro com vídeos: não há crítica sobre isso, pelo contrário, é um incentivo claro para fazê-lo. A cena da dupla no eBay não é uma crítica a futilidades vendidas na internet: eles que são os caipiras estagnados no tempo. Com isso em mente, reflita se um terceiro filme é necessário. Acredito que não.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

RIPD - Agentes do Além

Não sei se conto primeiro sobre o filme ou se aviso que o filme é uma comédia, pelo simples motivo de que a descrição do mesmo chega a ser mórbida: um policial morre em serviço e vai trabalhar como policial no além, prendendo espíritos que morreram mas se negam a ir embora do planeta. Por isso o aviso de que o filme é uma comédia: essa prévia está mais para um filme de terror, e mesmo o cartaz não é muito intuitivo. Lembra o Odd Thomas, com a diferença de que este parece ser comédia, mas é um filme de suspense, beirando o terror.

Nick, o policial em questão, havia cometido um pequeno delito e acaba sendo morto pelo parceiro quando tenta reparar seu erro. Nick é encaminhado para o Departamento Descanse em Paz, um trocadilho com a expressão aos falecidos e Departamento de Polícia (PD em inglês). Esse trabalho seria uma compensação pelo que foi feito na Terra para ser utilizada no Juízo Final - uma espécie de Purgatório, por assim dizer. O novo parceiro de trabalho era um xerife que também foi traído pelo colega no século XIX e se recusa a ter um novo companheiro de trabalho.

O interessante deste filme é, assim como O Estranho Thomas, a forma como o mundo espiritual é abordado. Os finados são pessoas mortas que recusam a sair da Terra, como disse antes. Eles apodrecem tudo o que está em volta e se esforçam em esconder a aparência monstruosa que possuem, consequência de suas maldades. Os vivos não percebem a verdadeira natureza dos finados, devendo entrar em ação os agentes do RIPD que, além de trabalharem disfarçados, para não serem reconhecidos após sua morte, conseguem reconhecer seus alvos utilizando diversos recursos e acabam por passar por situações engraçadas para conduzir seus presos.

Se não fosse o tom de comédia muito bem trabalhado na maior parte de filme, algumas cenas seriam realmente tristes: o funeral de Nick poderia causar lágrimas se não fosse Roy, seu novo parceiro de trabalho, tirando sarro. As tentativas de Nick de tranquilizar sua namorada servem de lição para quem sente falta de um ente querido que partiu deste mundo - e que pode estar lá tentando te proteger sem que você saiba. O drama ganha espaço no final do filme - os finados tentam reconstruir um instrumento para inverter a sucção que os leva para o além, enchendo o planeta de monstros.

Por causa deste filme passei a notar as pessoas que apodrecem ambientes nos mais diversos sentidos: relacionamentos que desgastam, aquele clima tenso, problemas diversos, enfim, dificuldades que surgem do nada. E a pessoa lá, aparentando evolução, ou mesmo fé religiosa, que no filme é chamado de desodorante espiritual: uma forma de esconder a podridão do ser através da religião. De forma alguma isso pode ser considerado algo evoluído ou mesmo positivo - não assumir e trabalhar o próprio lado negativo não faz uma pessoa melhor, pelo contrário, você usa de uma aparência para exercer mais maldades. Infelizmente as pessoas no geral não conseguem perceber essa malícia sutil, acreditando que os problemas surgem por surgirem, ou mesmo acreditando no que o "finado da vida real" diz.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Os 17 níveis de consciência humana, parte 2

Leia a parte 1


Não achei que faria uma continuação do post sobre os 17 níveis de consciência. Achava que eu partiria direto para os níveis em específico, contudo concluí meses depois que é necessário fazer um breve resumo sobre cada nível em um post só, como uma forma de apresentar a continuidade destes níveis, como um desemboca em outro. Não pense, contudo, que a evolução de consciência é uma linha reta: como já expliquei, a pessoa pode oscilar em níveis de consciência, sobretudo nos mais baixos, aprender lições de níveis superiores estando em um nível mais baixo, ou mesmo ter um salto e atingir um estado evoluído sem passar pelos outros níveis.

De 1 a 200, a pessoa não fica num estado fixo de consciência: ela pode estar um dia na Raiva, e em outro na Vergonha. A partir de 200, além da evolução tornar-se mais lenta, a chance de cair de nível torna-se menor, mas possível. E ao cair, é necessário um esforço ainda maior para prosseguir no caminho evolutivo. Como dito antes, torna-se cada vez mais comum aprender lições de níveis elevados (como do Amor e da Paz), ou ter uma experiência que "projete" a pessoa a um estado elevado: Hawkins mostra que a Experiência de Quase-Morte (EQM) eleva a consciência da pessoa ao nível da Paz, em caráter temporário ou definitivo. Fora que são conhecidos casos de pessoas que "se iluminaram do nada" e precisaram de meses, ou mesmo anos, para se adaptarem à nova percepção.

Segue, então, um resumo dos níveis de consciência, de forma que mostre o encadeamento entre cada um. Imagine as 12 casas do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, onde cada casa é um nível de consciência, e as escadarias que ligam uma casa a outra o processo de evolução.

Vergonha (20): o nível mais baixo de consciência, próximo da morte. A pessoa literalmente desistiu de viver, e necessita de um esforço externo para sair desta situação. Algumas pessoas, quando começam a ter mais energia, tentam retirar a própria vida, necessitando de atenção e muito amor.

Culpa (30): a pessoa se sente culpada por tudo - ela pede desculpa por existir. O mundo para ela é uma grande expiação, reduzido a pecado e punição. Nível de consciência dos vitimistas, que jogam a culpa nos fatores externos, sem olhar para as próprias responsabilidades.

Apatia (50): neste nível, a pessoa vê o mundo sem esperança - o futuro é sombrio. Por ela ainda considerar sua condição como fruto de fatores externos, se deixa levar à mercê das situações. Repare como estes três níveis se conversam e são instáveis.

Luto (75): nível da tristeza e da perda. A pessoa sente que perdeu algo importante - sem saber exatamente o quê. Essa sensação é uma constante em situações difíceis. Saber lidar com a perda - real ou não - é uma forma de superar a tristeza e esses padrões de consciência.

Medo (100): a pessoa começa a reagir. Nisso desponta o primeiro sinal defensivo, o medo. Ela teme sofrer danos, ou seja, começa a se preocupar consigo mesma. O medo é um grande aliado quando bem trabalhado, pois evita ações inconsequentes.

Desejo (125): este é o nível dos vícios. No entanto, comparado aos níveis anteriores, é um nível no qual a pessoa desperta suas vontades. Com a prudência desenvolvida pelo medo, a pessoa começa a discernir o que ela quer ou não para a própria vida.

Raiva (150): o desejo gera frustração, e este gera raiva. Raiva é um maior padrão energético, porém descontrolado. Aliando o desejo de evoluir com o ímpeto da raiva, pode-se chegar ao próximo estágio e superar a linha que divide os padrões negativos dos padrões positivos de consciência.

Orgulho (175): o primeiro nível no qual a pessoa se sente bem. Contudo, essa sensação boa é falsa - apenas fruto do egoísmo pela responsabilidade ser projetada ainda a fatores externos. É o segundo grande obstáculo da evolução - o primeiro é a decisão de evoluir.

Coragem (200): agora a pessoa se sente verdadeiramente bem, pois ela toma consciência de sua responsabilidade na própria vida. Este é considerado um nível neutro, uma transição para uma consciência superior.

Neutralidade (250): hora de descansar. Muitos param neste nível - muitos de poucos, já que cerca de 15% da população do planeta está acima de 200, apenas - pela sensação de real bem estar. A pessoa não se preocupa com o amanhã - busca melhorar o agora, melhorar a si mesma.

Disposição (310): apesar da grande diferença de nível, este é uma continuidade do anterior, agora com mais energia e menos preguiça, por assim dizer. A pessoa começa a perceber a realidade de forma consciente, e esse é o elo entre este nível e o próximo.

Aceitação (350): a pessoa começa a separar o que é fato de opinião, aprendendo a lidar com as emoções. Nessa hora, há uma sensação de orgulho, este saudável, que faz parte da transição para níveis ainda mais refinados de consciência.

Razão (400): nível dos gênios da humanidade. O conhecimento toma conta da pessoa, que passa a raciocinar além das emoções. O que é o grande diferencial deste nível torna-se a própria armadilha: por racionalizar tudo, perde-se o verdadeiro sentido das coisas.

Amor (500): quando a pessoa consegue ver além da razão, seu ego "se resolve". A pessoa começa a se abrir para o mundo, sem deixar de se esquecer. Ela começa a pensar verdadeiramente no outro, no coletivo sem parasitismos ou vaidade.

Alegria (540): nível do amor incondicional: a pessoa simplesmente ama. A pessoa contagia o ambiente com sua vibração, afetando positivamente as pessoas a sua volta.

Paz (600): o nível da paz interior e prelúdio da Iluminação - mesmo Hawkins já considera esse nível uma iluminação. A "vibração" da pessoa é outra, incompatível com este planeta, por isso muitos acabam por ir embora ao atingir este nível, já que viver aqui se torna um fardo.

Iluminação (700 a 1000): é o nível máximo que pode ser alcançado neste planeta. Ao contrário do que se imagina, a pessoa não se torna um ser diferenciado: quem a percebe como tal são as outras, ela mesma não se vê como tal.