terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

RIPD - Agentes do Além

Não sei se conto primeiro sobre o filme ou se aviso que o filme é uma comédia, pelo simples motivo de que a descrição do mesmo chega a ser mórbida: um policial morre em serviço e vai trabalhar como policial no além, prendendo espíritos que morreram mas se negam a ir embora do planeta. Por isso o aviso de que o filme é uma comédia: essa prévia está mais para um filme de terror, e mesmo o cartaz não é muito intuitivo. Lembra o Odd Thomas, com a diferença de que este parece ser comédia, mas é um filme de suspense, beirando o terror.

Nick, o policial em questão, havia cometido um pequeno delito e acaba sendo morto pelo parceiro quando tenta reparar seu erro. Nick é encaminhado para o Departamento Descanse em Paz, um trocadilho com a expressão aos falecidos e Departamento de Polícia (PD em inglês). Esse trabalho seria uma compensação pelo que foi feito na Terra para ser utilizada no Juízo Final - uma espécie de Purgatório, por assim dizer. O novo parceiro de trabalho era um xerife que também foi traído pelo colega no século XIX e se recusa a ter um novo companheiro de trabalho.

O interessante deste filme é, assim como O Estranho Thomas, a forma como o mundo espiritual é abordado. Os finados são pessoas mortas que recusam a sair da Terra, como disse antes. Eles apodrecem tudo o que está em volta e se esforçam em esconder a aparência monstruosa que possuem, consequência de suas maldades. Os vivos não percebem a verdadeira natureza dos finados, devendo entrar em ação os agentes do RIPD que, além de trabalharem disfarçados, para não serem reconhecidos após sua morte, conseguem reconhecer seus alvos utilizando diversos recursos e acabam por passar por situações engraçadas para conduzir seus presos.

Se não fosse o tom de comédia muito bem trabalhado na maior parte de filme, algumas cenas seriam realmente tristes: o funeral de Nick poderia causar lágrimas se não fosse Roy, seu novo parceiro de trabalho, tirando sarro. As tentativas de Nick de tranquilizar sua namorada servem de lição para quem sente falta de um ente querido que partiu deste mundo - e que pode estar lá tentando te proteger sem que você saiba. O drama ganha espaço no final do filme - os finados tentam reconstruir um instrumento para inverter a sucção que os leva para o além, enchendo o planeta de monstros.

Por causa deste filme passei a notar as pessoas que apodrecem ambientes nos mais diversos sentidos: relacionamentos que desgastam, aquele clima tenso, problemas diversos, enfim, dificuldades que surgem do nada. E a pessoa lá, aparentando evolução, ou mesmo fé religiosa, que no filme é chamado de desodorante espiritual: uma forma de esconder a podridão do ser através da religião. De forma alguma isso pode ser considerado algo evoluído ou mesmo positivo - não assumir e trabalhar o próprio lado negativo não faz uma pessoa melhor, pelo contrário, você usa de uma aparência para exercer mais maldades. Infelizmente as pessoas no geral não conseguem perceber essa malícia sutil, acreditando que os problemas surgem por surgirem, ou mesmo acreditando no que o "finado da vida real" diz.

2 comentários:

  1. Eu conheço um finado vivo =D ele me faz ter pensamentos nada evolutivos, como por exemplo matar ele com tal requinte de crueldade que deixaria Jason do sexta-feira 13 ficaria aterrorizado =D
    Achei o filme bem interessante, pelo cartaz eu não diria que é uma comédia também, acho que algo perto do terror talvez.

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    Respostas
    1. kkkkkkkkkkkkkkk
      Calma, flor. Joga cominho nele #spoiler
      Foi o que aconteceu comigo: vi o cartaz e não levei muita fé no filme. Aí quando você vai falar do filme, parece que está descrevendo um filme de terror bem pesado kkkkkkkkkkkkk
      O que o torna uma obra genial

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