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Mostrando postagens de março, 2019

Procurando os limites da zoeira

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Estou há algum tempo pretendendo escrever sobre a querida zoeira , esta que causa tanta confusão, mas é tão divertida. O problema está nas constantes reclamações sobre seus limites, cada vez mais estreitos, fazendo divisa firme com a ofensa . Até que ponto a zoeira é brincadeira e a zoeira é ofensa? Já comentei em outro post sobre a fluidez do respeito, pensando naquelas pessoas que ofendem conscientemente mas respondem "foi uma brincadeira" . Ou seja, muita coisa que poderia ser engraçada torna-se ofensiva e vice-versa. O covarde usa a brincadeira para esconder sua ofensa, isso é verdade: talvez seja essa a origem da zoeira. O bobo da corte era aquele cara que falava as verdades que ninguém tinha a coragem de contar e todos davam risada. O comediante, por assim dizer, é aquele que ofende de forma tal que nem todas as pessoas se sentem ofendidas e algumas até acham graça, reduzindo a quantidade de ofendidos. A coisa mudou de figura, certo? Só de pensar assim, já se conc

O rebanho, a matilha e o Porquinho Atrapalhado

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Eu já havia escrito no blog que as pessoas são mero gado , não possuem autonomia nem discernimento para atingir tal estado, tornando-se suscetíveis ao controle de qualquer um que tenha disposição para tanto - geralmente com intenções escusas. Por mais que haja um esforço para desenvolver uma maturidade, uma autonomia nas pessoas, a tendência é que elas continuem a agir como rebanho , de forma instintiva e inconsciente. Mesmo quando essa pessoa acha que saiu do rebanho , na verdade ela está mais dependente e muito mais vulnerável do que estava antes. O termo gado é meio pesado de usar para essa situação, concordo, mas acredito que esse é um bom sinônimo, já que o utilizei em outro post. São um grupo de animais coletivistas-egoístas , por assim dizer, pois querem uma vida boa para si mesmos através do grupo, ou seja, vivem em grupo apenas pelo próprio bem estar. Não se importam se o outro está bem, ou mesmo se o grupo está com problema, a menos que influencie diretamente a própria

Escondendo o ouro

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Enquanto eu rascunhava um post sobre a diferença entre postura e estereótipo , este post surgiu com uma determinada urgência em escrevê-lo. Eu já sabia que as artes marciais, em especial o Kung Fu estão em ampla decadência, mas hoje veio à tona o real motivo de isso estar acontecendo: não é a baixa procura per si , não é por conta de outras lutas estarem na moda (modas vêm e vão), muito menos por motivos técnicos (há pessoas que são fascinadas por Kung Fu). O que repele as pessoas das academias que ainda existem é a vaidade insistente nos praticantes, sejam eles mestres ou alunos, fora o controle da circulação de informação, impedindo que mais pessoas aprendam e que o conhecimento se difunda. Não estamos mais em uma época em que o conhecimento em mãos erradas causava desastres para todos. O conhecimento transmitido pela internet, principalmente as redes sociais, faz com que qualquer pessoa possa aprender qualquer coisa. O que um esconde é facilmente revelado por outros, que não t

Sobre vício em música

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Há algumas semanas, caí na real: eu sou viciada em música. Ao invés de tê-la como mero entretenimento ou muleta psicológica , finalmente percebi que a música, de forma geral, estava conduzindo a minha vida. Eu estava me deixando levar pelo que eu estava ouvindo, fazendo coisas que não gostaria de ter feito. Talvez tenha sido uma dissonância cognitiva constante, e só tenha percebido agora. O fato é que eu percebi, e esse é um passo importante para tomar controle da situação. Já fazem alguns dias que não estou ouvindo música, no máximo alguns programas de rádio e videoaulas, e passei a refletir sobre esse vício e mesmo sobre os vícios em si. Para quem não sabe, música pode ser tão viciante quanto drogas. A pessoa não percebe que está viciada, cada vez mais e mais dependente. Pode ser por um estilo de música, por uma banda ou mesmo por um álbum. Aquilo passa a viver com ela e ditar suas atitudes, mesmo sem saber. Interessante notar que, como em qualquer vício, há uma ilusão de que