terça-feira, 16 de abril de 2019

Ponerologia - o estudo do mal

Terminei de ler o livro Ponerologia meio decepcionada, mas resignada. Não se pode exigir muito de um autor que perdeu duas versões da obra e teve que fazer a terceira (e final) de cabeça, praticamente. No entanto, esse livro acaba por ser leitura obrigatória para os leitores do blog, já que passa por assuntos como percepção, guerra psicológica, evolução negativa e mesmo a questão de evolução da consciência. Esta obra tem por contexto um ambiente que lembra a descrição que fiz no post sobre esquerdismo, o que justifica as perdas dos rascunhos e estudos durante a elaboração do livro.

Obviamente, comentarei o livro dentro da visão deste blog. Como já disse em outros posts, a falha de Hawkins é não apontar de forma direta a questão negativa do desenvolvimento da consciência, muito menos como combatê-la. Uma coisa são pessoas involuídas, outra são pessoas com consciência da manipulação e maldade que fazem. Claro que uma pessoa que não tem o mínimo de consciência pouco tem a fazer para se defender, pelo menos pra começo de conversa: uma acerola precisa de um bom ambiente para crescer bem, para depois influenciá-lo, mesmo que se torne inóspito posteriormente.

Voltando ao Ponerologia, é traçado de forma precisa o perfil de um caracteropata, pessoa com um transtorno de personalidade que a torna "manipuladora". Há vários perfis de caracteropatas, segundo o autor (Andrew Lobaczewsk), que se reconhecem e interagem entre si, buscando controlar as pessoas normais (sim, elas existem!) cada vez mais rigidamente. É uma proporção diminuta da população com sede de poder que acaba por conquistá-lo, já que as pessoas normais (de mente saudável) não têm esse desejo, e acabam sendo manipuladas. Quando a coisa fica feia, estas pessoas começam a criar formas para retomar o controle da sociedade e assim evitar seu fim, tornando-se assim ciclo de saúde e doença, como um organismo que adoece e ganha resistência ao superar o mal que o acometeu.

Interessante que nessa observação, Lobaczewsk aponta que os caracteropatas possuem uma inteligência abaixo da média, dependendo de pessoas normais para tocar os negócios. Acredito que existam caracteropatas com grande inteligência, mas isso me fez pensar no quanto essas pessoas buscam delegar tarefas para se manterem no controle, já que elas mesmas não o fazem. Como o conseguem? Porque sabem manipular - talvez a única coisa que realmente saibam. Tanto é que quando as pessoas de mente normal se revoltam, os caracteropatas perdem tão facilmente.

As coisas não são fáceis assim, contudo. Mesmo uma pessoa com uma formação mental saudável pode sofrer com a caracteropatia e ela mesma se tornar uma, tão perigosa quanto. Por isso que as caracteorpatias não se restringem apenas à formação cerebral (interessante como o autor as apresenta no livro), mas também à própria condição de vida da pessoa. Contudo, a pessoa que sofreu a influência de caracteropatas pode reverter essa situação por tratamento, ao contrário dos caracteropatas natos.

Uma observação a ser feita é que a caracteropatia abrange vários tipos de transtornos, sendo a psicopatia o mais comum. A questão do tratamento vai de encontro com o livro do Dr. Lyle Rossiter, A Mente Esquerdista, que apresenta dois tipos de esquerdistas: um tratável, que apenas o é por conveniência; e o outro que o é por desejo de poder, sendo intratável através de terapia comum. Não sei se o Dr. Rossiter leu o Ponerologia, mas cabe ressaltar aqui que apesar do contexto e da popularização, Ponerologia não fala apenas do esquerdismo, mas de todo e qualquer regime de governo comandado pelos caracteropatas, que ocorreu ao longo da História, que Lobaczewsk chama de Patocracia, governo de doentes.

O ruim é que o livro vai se tornando mais esparso ao longo das páginas, afinal o autor não "lembra de cabeça" todos os estudos que deram origem ao livro. Ou seja, a parte de prevenção é prejudicada, não tendo conselhos objetivos de como evitar a patocracia. Entendo que seja por causa do ciclo natural de a sociedade adoecer e se recuperar, ganhando imunidade. De regra, a ideia é isolar e não dar poder a este tipo de pessoa, não levando a sério o que ela diz. Faz sentido: o caracteropata dá um falso ar de seriedade ao que diz, convencendo os incautos dos maiores absurdos. Analisando a ideia a fundo, percebe-se que a mesma não faz sentido algum, mas explicar isso para uma pessoa que já se convenceu de que isso é certo acaba criando uma imensa dificuldade.

Note, por fim, que a patocracia não ocorre apenas em países. Ocorre na escola, no trabalho, nos mais diversos grupos (Lobaczewsk fala sobre isso também no Ponerologia). Tomar consciência disso já cria uma imunidade contra. O próximo passo é desenvolver e difundir essa imunidade, como uma vacina é difundida para evitar diversas doenças.

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