terça-feira, 7 de maio de 2019

O Recomeço da Internet


Com tantos vídeos e artigos sobre o fim da internet, resolvi colocar um título diferente. É fácil falar de fim, mas é difícil pensar em um recomeço, mas este é tão presente quanto aquele. Não sei se eu deveria começar tão esperançosa, mas perante tanto drama, talvez seja necessário. Pois bem, com a aprovação da legislação de direitos autorais do Parlamento Europeu, é questão de tempo para que a produção de conteúdo na internet como conhecemos seja mudada completamente, ou mesmo desapareça.

Esta legislação, em especial os artigos 11 e 13 (que tomaram outras posições na redação final), cria uma burocracia intransponível para a maioria dos criadores de conteúdo virtual, como blogueiros, podcasters, youtubers, etc., além de transferir a responsabilidade pela violação de direito autoral para a plataforma onde estes conteúdos estão hospedados, não mais para o autor, forçando a mesma a criar uma outra burocracia intransponível para disponibilização e bloqueio de conteúdos. Não está especificado o que pode ou não ser considerada violação, ao contrário do que alegam, podendo até mesmo uma frase ser passível de processo e bloqueio por violação de direito autoral.

Duas coisas podem acontecer quando essa legislação passar a viger: a primeira é a saída de sites como Google, Instagram, Facebook entre outros da União Europeia, e consequentemente o bloqueio do acesso a esses sites pelos europeus, que ficariam isolados em uma redoma de informações promovida por agentes do governo e seus queridinhos. A segunda coisa que pode acontecer é a moda pegar. A China já possui um acesso restrito à internet, punindo cidadãos que entram em sites de má reputação, além de uma série de conteúdos bloqueados. Há projetos aqui no Brasil de controle da internet, que podem ganhar força com a aprovação e aplicação desta legislação que está a ser implantada na Europa.

Além do mais, a nova legislação europeia de direitos autorais iguala a notícia à obra artística, e, além da atribuição já corrente, obriga uma taxação, inclusive por cada link para as reportagens, ou seja, o alvo dessa legislação não é a atribuição de direitos autorais, mas sim dificultar a difusão de informações através de agregadores de notícias e veículos menores, considerados difusores de notícias falsas. Porém, basta uma pequena reflexão para se perceber o óbvio: notícias falsas sempre existiram, e o que se busca é um controle na circulação de informações que permite a formulação de outras visões de mundo, indesejáveis para determinados grupos.

Se você ainda não pensou no livro 1984, sugiro ler este post. Será que é possível através da internet um controle total de informações, ou mesmo o surgimento de uma ditadura perfeita? Talvez seja questão de refletir sobre a própria capacidade do ser humano de se adaptar e superar as situações.

Primeiramente: não existe uma ditadura perfeita, porque o gênio humano sempre se supera, a cada dia que passa. Por mais que aleguem que a sociedade está decadente, e realmente está, sempre haverá um Neo para bugar o sistema. Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, esse Neo está em cada pessoa, aguardando o momento certo para despertar. Note que uma falha, em qualquer coisa, raramente é descoberta por apenas uma pessoa, mas sim por várias, quase que simultaneamente. É praticamente impossível não haver falhas nos controles de informação: mesmo com uma política tão dura, será encontrado um jeito para a informação continuar circulando, independente dos "veículos oficiais".

Talvez essa seja a falha do 1984: a impressão de não haver saída. Perguntas podem surgir a cada página do livro, que parece clarear como o sol saindo das nuvens. Sim, sempre há uma saída, uma falha, e esta sempre é descoberta, ou mesmo criada. A adaptação é a principal habilidade do ser humano, que o faz sobreviver em condições extremas. Note que tentam constantemente reduzir a habilidade de adaptação para aumentar o controle sobre a sociedade. Isso pode se voltar a qualquer momento de forma desagradável para todos, colocando em risco a sobrevivência da espécie.

Por fim, penso que a internet envelheceu muito rápido. Atingiu um nível de desenvolvimento tal em pouquíssimo tempo. Já não vejo mais o frescor que havia há dez anos atrás, com mais recursos e conteúdo do que hoje em dia. Atualmente, parece que tudo está centralizado e concentrado, sem alternativas. O que houve de mudança foi a tal da deep web, que se dividiu em duas: a parte criminosa, que continua lá, e agora sites que foram relegados ao esquecimento, por conta dessa centralização de conteúdo.

Uma renovação da internet está por vir, por isso o título deste post tão longo. Acredito que a forma como a internet existe hoje em dia irá acabar em breve - uma questão de tempo, independente de legislações e de tentativas de controle. Hoje o WhatsApp tem mais repercussão que outras redes sociais, o que criou uma nova forma de difusão da informação. A criatividade humana não possui limites, muito menos pode ser comparada às máquinas, como muitos tentam comparar. Mais do que próximo, o fim é necessário para que novas coisas surjam. Os problemas se agravam por conta da resistência ao ciclo natural de nascimento e perecimento, ou mesmo com tentativas de direcioná-lo para algum fim específico. Devemos pensar nisso antes de reclamar e protestar contra alguma coisa.

2 comentários:

  1. Eu vi o pessoal no you tube falando disso, achei bem surreal e parece que vai ser real, mas não fiquei tão traumatizada quanto eles. Não me admiraria nem um pouco se algum deputado tentasse fazer isso aqui.

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    Respostas
    1. Oie, flor!

      O problema é que todos os alardes são verdadeiros. Mesmo quando você lê na página do Parlamento Europeu, você vê que tem algo errado.
      Se a moda pegar lá, é bem possível que aconteça algo do tipo por aqui...

      Bye!

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