terça-feira, 25 de junho de 2019

Por o dedo na ferida


Lembrei-me de um desenho que vi estes dias: um guri denunciava seus coleguinhas de escola que estavam aprontando, e em determinado momento, a professora chama a atenção do guri falando que isso não era certo. Este então pergunta se não era certo denunciar as coisas erradas, ao passo que a professora não soube responder e acabou utilizando um clichê. A impressão que eu tive foi a de que nem o criador do desenho sabia como sair dessa. Não se pode mais apontar os erros dos outros, virou uma atitude feia. Com isso em mente, crimes deixam de ser denunciados e más atitudes levadas a público: vive-se uma espiral do silêncio.

O principal argumento usado é: não acuse se não quiser ser acusado. Dessa forma, ninguém corrige seus erros, ninguém busca dar o seu melhor, nivela-se por baixo. Parafraseando Leandro Karnal: "se você arrancava a cabeça das bonecas da sua irmã quando criança, não pode reclamar da corrupção no Brasil". Um sofisma interessante para ser analisado aqui: não se pode falar dos erros alheios porque nós também erramos, isso é considerado fofoca.

Vamos ao centro da questão: todos erram. Com isso em mente, pode-se pensar: alguns esforçam-se para superar seus erros, enquanto outros não o fazem, fora os que prejudicam quem está em torno deliberadamente. Não há problema nenhum em se corrigir, sobretudo quando alguém nos alerta de um erro. Há a questão da proporção: falhas pequenas não devem ser niveladas com erros graves, muito menos com crimes. Hoje em dia, quando alguém é corrigido, este tem por atitude apontar qualquer tropeço como uma vingança tola. Aceitar que errou e buscar se melhorar é mais um passo em direção à maturidade.

Com isso em mente, pode-se pensar então em por a boca no trombone para denunciar casos graves. Se há coragem em assumir pequenos erros e buscar ajudar outros com os seus, não haverá medo ou orgulho para apontar grandes problemas. Ao contrário do que acontece hoje, em que uma pessoa delata apenas por vaidade ou inveja. Isso não passa de mera fofoca, já que muitas vezes o que é delatado são erros pequenos exagerados e tirados do seu contexto. Por isso tanta confusão.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Como ter um blog - Introdução


Decidi fazer uma série de postagens sobre como ter um blog. Não digo um blog "famoso", como muitos procuram mas poucos conseguem, mas um blog que possa trazer bons momentos ao autor. Hoje em dia, as pessoas tentam ganhar dinheiro com vídeos no YouTube e acabam mais com prejuízos e frustradas e apenas alguns acabam por se destacar e levar os lucros.

Apesar de eu fazer uma série de posts, com minhas experiências em blogs, criar um blog é algo muito simples. Tão simples que essa série está longe de ser um tutorial e está mais próxima de ser uma reflexão sobre o tema. Meus blogs sempre me deram muitas alegrias, pois pude conhecer outros blogs, outras pessoas, outras ideias. Parece que isso se perdeu no meio das redes sociais e na monetização desenfreada.

Assim como no YouTube, as pessoas tendem a criar conteúdo em redes específicas (o YouTube não deixa de ser uma), restringindo o acesso aos espectadores, principalmente nos comentários e compartilhamentos. Quantas vezes ao tentar acessar uma página pública do Facebook o mesmo exigia uma conta para poder ler? Quão confiável é compartilhar um screenshot do texto, quando seria mais fácil compartilhar um link em que todos tivessem acesso?

A ideia é sair das redes sociais. Estas viraram bolhas de relacionamento, impedindo que seus usuários conheçam conteúdos novos ou mesmo divergentes de suas visões de mundo. Pior: tentar divulgar um trabalho em rede social é fadá-lo ao ostracismo se não investir dinheiro para tal, com um agravante: não se sabe se os "seguidores" são reais ou não.

Desta feita, percebe-se que "ser famoso na internet" não é algo tão agradável quanto se imagina. Usuários passam o dia online procurando "dados comprometedores" para ganhar projeção (e mesmo dinheiro). Nas redes sociais, você não sabe se está conversando com uma pessoa ou com um robô. Em um blog, o autor conversa com seus leitores, podendo "ignorar" robôs e desafetos com um simples clique.

Outra vantagem do blog está na simplicidade: você só precisa ter acesso ao blog para escrever. Nada de câmeras, microfones, softwares de última geração. Talvez você prefira um bloco de notas para rascunhar, pelo gosto de escrever. A regra é fazer o que te agrada, não o que "atrai visitantes". Blogs que seguem a "receita da fama" acabam por ser enfadonhos e sem conteúdo.

Assim como para escrever é simples, para ler é mais simples também: não é necessário ter cadastro em plataforma, assim como o custo de internet é reduzido para quem acessa de dispositivos móveis. Para se compartilhar um post, é necessário apenas o link, que pode ser enviado até por SMS.

Além do mais, é mais fácil de inserir qualquer conteúdo multimídia em um blog do que em outra plataforma: imagens, vídeos, áudios, assim como citar outros textos. Em um vídeo há a dificuldade em citar textos, assim como em um podcast há a dificuldade em citar imagens. Talvez no caso do blog o empecilho seja os direitos autorais, que são facilmente superáveis.

Com isso em mente, agora é só começar a planejar o que se quer para um blog. Mais importante que um blog famoso é um blog bem escrito, com um tema bem definido, o que não significa um tema restrito. A partir do tema pode-se pensar em outras coisas como nome, endereço, domínio e hospedagem. Sairá uma postagem nova dessa série a cada duas semanas para dar tempo de tirar dúvidas e seguir os passos. Vamos lá.

terça-feira, 11 de junho de 2019

O direito de escolha de cada um


Por mais que haja sugestões, conselhos, dicas de vida e tudo o mais, quem toma a decisão, quem faz acontecer é a pessoa. Esta deve ser livre para fazer suas escolhas, por piores que acreditemos que sejam. Se as pessoas devem ser livres para acreditar no que lhes convém, também o devem ser para escolher o que querem da vida. Obviamente, não estou levando em conta aspectos como a questão da legítima defesa e a responsabilidade necessária para tal, pelo menos não no momento, pois, apesar de necessário, alguns usam esses argumentos nos dias de hoje para controlar a sociedade, de forma sutil.

Permitir que as pessoas possam fazer suas escolhas a nível social é dar espaço para que errem, aprendam e cresçam. Ser tutelado por uma regulamentação excessiva faz com que a pessoa se torne dependente e imatura. A regulamentação deveria, então, ser algo mais fiscalizatório do que restritivo, abrindo caminho para a criatividade e para o crescimento da própria pessoa, pois mesmo os erros beneficiam a todos. Geralmente quem defende uma tutela social maior é porque não consegue tocar a vida com as próprias mãos, precisando que outros o sustentem, ou pior, o façam por ele.

Isso abre espaço para que mais coisas deem errado. Sem maturidade para lidar e superar o erro, este é visto como algo negativo por gerar sofrimento, permitindo que seja usado como instrumento de controle. Sem perceber, as pessoas hoje em dia são programadas para evitar o sofrimento a qualquer custo, inclusive perpetuando problemas para evitar que novos apareçam. Regula-se inclusive para que surjam apenas os mesmos problemas de sempre: à primeira vista parece bom, mas a estagnação impede que novas coisas surjam e que a evolução siga seu curso. Talvez a principal fonte de evolução seja o sofrimento e a vontade de superá-lo.

Quando uma pessoa busca superar os próprios problemas, ela acaba por ajudar outras: experiências são trocadas e novos conhecimentos surgem disso. Isso por si só já se autorregula, não sendo necessária uma intervenção externa constante, mas pontual. Aí que entra a questão da legítima defesa e da responsabilidade: obviamente não é para fazer o que der na telha. Contudo, quando a pessoa adquire maturidade através do próprio crescimento, ela percebe que não precisa disso, e também que ela pode reagir quando algo feito por alguém pode prejudicá-la. O direito de escolha implica o dever de dar seu melhor a cada dia, sobretudo por si mesmo. As coisas melhorarão para todos por si só, de forma harmônica.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Distorções do Feminismo e dos relacionamentos


O Feminismo distorceu ideias tão básicas, que ao se refletir sobre elas, o choque é imenso. As pessoas estão tão acostumadas a tais linhas de raciocínio, que ao se ler uma visão contrária, ou às vezes diferente, o sistema é resetado. Eu tive essa impressão ao ler O Poder da Esposa que Ora, da Stormie Omartian. Eu tinha pensado em fazer uma resenha deste livro, mas como o assunto do livro pode ser abordado de forma mais ampla, acabei deixando de lado esta ideia inicial. Ideias repetidas tantas vezes, de pessoas aparentemente diferentes, acabam por ganhar um vulto de verdade que se mostra ilusório.

Talvez a primeira ideia chocante do livro seja o que é considerado hoje em dia como subserviência ao marido. Ao invés de a mulher tentar controlar seu homem, Stormie é enfática ao afirmar que a mulher deve aceitar os defeitos de seu marido ao invés de tentar mudá-lo. O Feminismo prega a ideia de que as mulheres devem impor sua vontade aos homens, passando por cima de suas limitações e necessidades. Qualquer coisa fora disso é rotulado de machismo e considerado submissão - e tal coisa associada a algo negativo. Entenda que não existe parceria para o Feminismo, ao contrário do que os desavisados acreditam.

Aproveito para observar que não vou especificar correntes feministas, nem ondas, como muitos já devem conhecer. No entanto, essa generalização não causa prejuízos ao post, já são pontos de comum acordo dos "feminismos", que no fundo são a mesma coisa com nomes diferentes. Coloco esta observação porque, infelizmente, o Feminismo está tão arraigado no pensamento que, como dito no primeiro parágrafo, algumas ideias tornaram-se indiscutíveis, ditas "de todos os lados", mesmo com suas consequências catastróficas, visíveis nos dias de hoje. Um exemplo disso são os relacionamentos, cada vez menos duradouros e menos maduros: as pessoas hoje em dia não procuram mais alguém para completá-las e sim mera diversão.

A mulher hoje em dia não vê mais o homem como um parceiro, mas como um animal a ser domesticado. John Gray no Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus aponta que a mulher precisa ser mais flexível e paciente com seu marido, e o livro como um todo possui este direcionamento. A metáfora de dois seres de planetas diferentes deixa clara suas diferenças e peculiaridades intrínsecas. Querer modificar isso não apenas mata o relacionamento, mas destrói o casal. O melhor a se fazer, no caso, é aproveitar ao máximo essas peculiaridades em favor do relacionamento.

Assim como o livro de John Grey, o de Stormie também possui essa perspectiva de que a mulher ser mais flexível em um relacionamento: esta de forma religiosa e aquele de forma "psicológica", por assim dizer. Ao contrário do que o Feminismo prega, essa mudança não é uma anulação, mas uma abertura: de permitir que um aceite o outro como realmente é. Interessante que esse discurso é difundido e aceito pelas pessoas quando não se trata de relacionamentos amorosos, mas em especial com pessoas realmente desagradáveis e nocivas, e não com pessoas das quais queremos realmente bem. Confunde-se o casamento, e mesmo o namoro, com uma amizade íntima: a felicidade de um casal está na maturidade, que vem com os anos e com as dificuldades.

Homens são difíceis de lidar, mas não pense, em um primeiro momento, que seja uma complicação anormal: essa dificuldade é oriunda do afastamento do homem de sua essência masculina. O problema é que, mesmo com este afastamento, ainda existe uma grande influência daquilo que é do instinto, que o Feminismo busca destruir. Essa característica mais bruta, mais simples, menos emotiva, mais lógica é vista como negativa, apenas por ser masculina. Mulheres não conseguem entender o lado bom disso e desaprenderam a conviver com pessoas assim. Por não entender, muito menos aceitar, tentam a todo custo mudar o que não conhecem, machucando quem um dia amaram.

Com isso em mente, pode-se concluir que o problema do relacionamento está na dificuldade em entender e aceitar o outro, em especial em a mulher aceitar e entender o homem. Durante o namoro, a mulher não percebe determinadas características do namorado, ou as percebe mas acredita que ele irá mudar (ou ser mudado) no casamento. E aí as crises começam, e nessa hora o Feminismo entra para agravar a situação, dando toda a razão à mulher, mesmo quando ela não a tem. Não se pensa que o homem está se esforçando, tanto quanto ela, para que tudo dê certo. Reclama-se por uma empatia que não se tem.