terça-feira, 23 de julho de 2019

As 12 camadas da personalidade


Achei na internet um texto interessante do Olavo de Carvalho sobre o que ele chama de 12 camadas da personalidade. Pesquisei mais a fundo e encontrei duas aulas nas quais ele explica mais sobre este sistema. O interessante é que cada camada representa um signo do Zodíaco, ou seja, para entender melhor o que se passa, torna-se necessário entender o arquétipo daquele signo, apesar de isso não ficar muito patente, nem no texto, nem nas aulas. Eu não poderia de deixar de fazer um paralelo com os 17 níveis de consciência do Hawkins, mas acabei por concluir que não tinha muita coisa em comum.

O ponto mais importante no sistema de 12 camadas é o sofrimento: o aspecto sobre o qual a pessoa sofre indicaria em qual camada ela se encontra. À primeira vista parece algo raso, mas é através do sofrimento que a pessoa define sua visão de mundo. Isso lembra os fatores e os vetores de desenvolvimento: os primeiros, por mais dispersos que pareçam, estão interligados por uma questão principal, que é a lição a ser aprendida, o vetor. E eu já escrevi aqui no blog sobre a abordagem em relação ao sofrimento.

A mudança de camada se dá com a mudança de propósito em relação à vida, com uma nova visão de mundo. A estrutura de personalidade não muda, mas se desenvolve. De certa forma, aproxima-se com o que Hawkins fala sobre a evolução da pessoa: ela não se torna outra, mas quem ela realmente é. No entanto, enquanto Hawkins define regras e mais regras para se analisar um nível de consciência, Olavo afirma que pela autoanálise de sua dor que é possível definir em qual camada se encontra. Pessoalmente, acho ambos os métodos imprecisos: uma pessoa de nível baixo não conseguiria definir por si mesma (nisso concordo com Hawkins), mas a técnica de calibragem também precisa de mais pesquisas.

Achei estranha a noção de consciência dada por Olavo: um valor que se desenvolve quando é perseguido - mas o que se persegue? Talvez dê para encaixar o conceito de Hawkins: a percepção de si e do mundo, além de uma mera resposta neurológica. Essa noção acaba por ficar solta ao longo do texto, mas não pude deixar de pontuar.

A definição até a camada 9 é bem sólida e coerente: é o desenvolvimento da pessoa ao longo da vida, indo de encontro com as manutenções periódicas das quais as pessoas passam, ou deixam de passar. Os signos do Zodíaco acabam, enfim, por ser excelentes representações das mesmas:

  • Primeira: Áries, o princípio da ação;
  • Segunda: Touro, as estruturas externas (família, criação, genética);
  • Terceira: Gêmeos, a cognição e comunicação;
  • Quarta: Câncer, a emoção e o afeto;
  • Quinta: Leão, autoafirmação e poder pessoal;
  • Sexta: Virgem, organização e efetividade;
  • Sétima: Libra, atuação num meio social;
  • Oitava: Escorpião, fim de um ciclo;
  • Nona: Sagitário, começo de um novo ciclo, além do estabelecido anteriormente.


Basicamente, até a oitava camada, são fases fisiológicas de uma pessoa: ela nasce, cresce, amadurece. Se o indivíduo não supera seus sofrimentos, fica com aquele comportamento imaturo, que é tão típico hoje em dia. Isso não tem a ver com o desenvolvimento de consciência, se for pensar em Hawkins. A pessoa pode ser madura mas ter uma visão limitada das coisas, apesar não haver uma pessoa evoluída e imatura (um iluminado pode ser um crianção, mas não por imaturidade). Olavo dá a entender que a pessoa pode chegar à maturidade de forma incompleta, mas isso contradiz com a própria questão de superação das camadas, entrando no aspecto de pseudo-evolução que abordarei mais pra frente.

Por um momento, acreditei que a quarta camada que Olavo tanto fala em outros textos e aulas pudesse ter alguma relação com o nível 200, Coragem. Aquela seria a camada pré-adolescência, quando a criança precisa de afeto. Se ela não passou por isso, afirma Olavo, vai precisar de psicoterapia para superar. Seria essa a camada na qual está a maioria da população brasileira, que quer apenas afeição, nada mais. Isso até lembra de longe os níveis mais baixos de consciência, que realmente precisam de muito carinho para superar e crescer, mas não é um fator definitivo, muito menos é relevante para tomar consciência de suas próprias ações: a pessoa pode ser ciente de seus atos, mas ainda querer afeto.

Os níveis de consciência mais próximos às camadas de personalidade são Disposição (camadas 5 e 6), Aceitação (camada 8) e Razão (camada 9) - os que impulsionam o processo de maturidade da pessoa. Esse intervalo entre camadas pode mostrar os detalhes no processo de amadurecimento sob outro ponto de vista. A pessoa deixa de se melhorar sem uma finalidade definida para ter um resultado efetivo sobre o que faz. Não adianta mais saber fazer, tem que fazer bem feito - isso descreve a passagem da Neutralidade para a Disposição. Interessante que a evolução da Disposição para a Aceitação é um caminho longo, e no sistema do Olavo pode ser representado por quatro camadas de personalidade: quinta, sexta, sétima, para concluir-se na oitava.

A sétima camada de personalidade seria a transição para a Aceitação propriamente dita, e é descrita pelo Olavo como o desenvolvimento de um papel social, que seria a troca de expectativas entre as pessoas. Lembra o post sobre os perfis sociais que criamos para nos entender melhor com as pessoas - sem deixar de ser nós mesmos, mas nos adaptar a quem pode não nos entender. São poucos que realmente nos entendem e nos conhecem: acabar por transparecer isso o tempo todo pode ser doloroso, por mais honesto que possa parecer. Quando isso é superado, a pessoa pode olhar para sua vida como um todo coeso: e você pode escolher se esta afirmação é de Hawkins ou do Olavo (ou dos dois).

As coisas começam a ficar estranhas a partir da décima camada, quando a pessoa começa a transcender sua personalidade em nome de algo "coletivo", aquilo que ela descobriu interiormente traz para fora. Assim como o conceito vago de consciência, a questão das camadas superiores é envolta por uma contradição: a pessoa passa a ter a partir do momento em que ela quer ter. Contudo, se todos têm todas as camadas para desenvolver, como é possível não ter?

Essa camada lembra a Razão de Hawkins, quando a pessoa começa a abrir mão de si mesmo, do seu emocional, em nome de algo maior. Contudo, é um nível que acaba por levar as pessoas ao engano: por acreditarem que a Razão explica tudo, ficam presas neste nível, como bons exemplos há os gênios que Hawkins calibrou em 499, como Freud e Einstein. Já Jung e Bohm, que foram além dos teóricos anteriores, conseguiram alcançar o nível do Amor, o que faz total diferença em seus trabalhos. Apesar do altruísmo presente na nona camada, falta a compaixão necessária para o nível do Amor, e isso persiste nos níveis seguintes. E como disse antes, os paralelos com os níveis de Hawkins acabam aqui.

O "eu transcendental" da décima camada parece mais o despertar da consciência do nível 200 (Coragem) do que algo acima de 400 (Razão) - em aula, é explicado como a pessoa que passa a "manipular o tecido social" ao invés de se deixar manipular. Ora, e como se verá na próxima camada, não é a pessoa que influencia a sociedade per si, são seus atos. Mesmo uma pessoa de nível de consciência baixo pode ter uma atitude evoluída e mudar as coisas - sobretudo ela mesma. É possível o indivíduo ter uma obra ou fazer um trabalho acima do seu próprio nível de percepção. Na décima primeira camada, o indivíduo perante a História, é algo mais próximo à vaidade e à evolução negativa do que à transcendência de si mesmo: com qual consciência ele quer mudar a História?

A descrição de pessoas na décima primeira camada bate com a de qualquer pessoa que fez grandes coisas no mundo: de cientistas a genocidas. O que me deixa na dúvida se os grandes genocidas e afins da humanidade têm estruturas de personalidade sólidas e maduras - talvez de forma doentia, como a evolução negativa da escala Hawkins. Por fim, a décima segunda camada lembra a Iluminação de Hawkins quando se afirma sobre um centro decisório acima da pessoa, que é Deus - o iluminado pensa em Deus sem as fronteiras presentes nas camadas, algo que deve ser levado em consideração. Acredito eu que não tenha sido intenção aproximar esta camada do conceito de iluminação, e realmente parecem coisas muito distantes (Alegria ou Paz, talvez).


Para finalizar, é apresentada uma forma de analisar em qual camada a pessoa está. Reitera-se que o procedimento é mais autoanalítico do que feito por terceiros - a menos que seja uma pessoa do convívio do analisado. O problema é que a própria pessoa a fazer a análise pode se deixar levar pela vaidade de querer se colocar níveis acima de onde realmente está, sobretudo as mais imaturas: pode-se dizer que dói em uma sétima camada, mas ser um problema de quarta, por exemplo. Nessa levada, não se pode analisar pessoas externas, como é feito com Napoleão no texto de Olavo. Acho que ele não viveu com o francês para ter essa conclusão, dentro de suas próprias premissas.

Hawkins afirma que podem ser analisadas diferentes pessoas nas mais diversas épocas, desde que os "sujeitos de teste" (para calibragem) tenham nível de consciência de no mínimo 200 - a partir deste nível, a precisão sobe consideravelmente, chegando ao nível máximo em 500. Ao contrário da escala Hawkins, contudo, em que os níveis se entrelaçam, e a pessoa acaba por aprender lições de diversos níveis enquanto "permanece" em um nível específico, o sistema de camadas separa cada uma como uma cebola, na qual você vai alcançando camadas cada vez mais externas, uma separada da outra, apesar de envolver as anteriores.

Uma coisa importante é que para Olavo você não regride camadas, apenas avança de forma falsa, passando por situações de uma camada superior mas com a mentalidade de uma camada inferior. Pessoalmente, não acredito que seja assim: se uma pessoa passa por uma situação extremamente dolorosa, ela pode sim regredir sua evolução, sendo mais difícil voltar ao nível em que estava antes. Parece que essa "progressão falsa" lembra o que falei sobre o entrelaçamento de níveis evolutivos, sendo um aprendizado de algo mais elevado dentro de uma percepção mais limitada.

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