terça-feira, 6 de agosto de 2019

Invasão de privacidade


Assisti a um vídeo no YouTube que me deixou receosa - e me fez escrever aqui. Trata-se de um youtuber que havia investigado a vida privada dos criadores de outro canal, que tinham escolhido "esconder" sua identidade para preservar sua privacidade. Estes autores não têm nada de ilícito (até agora, pelo que sei) que implique uma investigação apurada. Foi mera exposição da privacidade com intuito de constranger e desmerecer o trabalho alheio. O canal em questão eu só conhecia de nome, enquanto que o bullie em questão eu acompanhava com alguma frequência.

Obviamente não vou citar nomes aqui. Eu temo pela minha privacidade. Motivo? Eu assim o quero, e ponto. Não acho que as pessoas devam saber da minha vida mais do que eu quero que elas saibam. Fiquei me imaginando no lugar desses guris: o cara zuando com a minha vida, com meu trabalho, associando a qualquer coisa apenas para constranger. Percebo que há um excesso de exposição na internet, e "descobrir detalhes ocultos" acaba sendo uma arma contra desafetos. Para mim, isso é algo execrável, aquela crocodilagem que deixa um gosto amargo na boca, dando a impressão de que em um "combate honesto", o detrator não teria a mínima vantagem.

Pode-se argumentar: o anonimato é proibido por Lei. Sim, está na Constituição que é livre a expressão, vedado o anonimato. Isso é diferente de privacidade: ao fazer uma conta no Google, ou em qualquer plataforma, você insere seus dados. Ao se cometer qualquer ato ilícito, os administradores do site fornecem às autoridades o que você apresentou - como uma empresa que fornece as informações de um funcionário que trabalha nela, por exemplo. Se o criminoso em questão inseriu dados falsos, é mais um crime nas costas dele. Não vou entrar no mérito do sistema de lei e ordem vigente, mas essa é a teoria.

Ou seja: eu estou identificada, todos estão. Isso exclui a questão de anonimato por tabela, permanecendo apenas a invasão de privacidade e o constrangimento de quem quer manter sua vida privada apartada da vida virtual. Posso citar um exemplo interessante, que apesar de ficcional é plausível: o personagem Jack Reacher, militar da reserva americano que "sumiu" no próprio país. É praticamente impossível encontrá-lo: não possui residência fixa, nem celular ou cartões. Retira sua aposentadoria de forma que não possa ser rastreado e faz seus gastos com dinheiro vivo. As pessoas se impressionam com sua invisibilidade e ficam incomodadas com o fato de que não pode ser localizado.

Prega-se a valorização do indivíduo, mas para que isso seja efetivo é necessário o respeito à sua privacidade. Se a pessoa não quer ter um perfil no Instagram e o encher de fotos de sua vida, o problema é dela. Se a pessoa cria um blog e não fica exibindo seu "rostinho bonito" porque não quer se promover, o problema é dela também. Agora exibir a vida de alguém apenas para constrangê-la vai contra toda a mensagem que a mesma quer passar - ou essa é realmente a mensagem, transmitida em linguagem direta?

2 comentários:

  1. Oiis o/
    É aquela, "cada um no seu quadrado", mas tem gente que adora o gramado do vizinho e quer viver nele. Todo mundo tem direito de um pouco de privacidade. Beyoncé tá aí provando que é famosa e mesmo assim consegue manter certa privacidade.

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    Respostas
    1. Bom dia!

      Verdade, a pessoa quer se promover com a grama do vizinho kkkkkk
      Depois reclama que vivemos em um quase-1984.

      Bye o//

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