terça-feira, 15 de outubro de 2019

Eu luto porque lucro


Talvez este possa ser o primeiro apêndice da série Como ter um Blog, mas a ideia não é vinculá-lo a esses posts. É mais um desabafo do que eu vejo na internet que pode ser útil a quem está começando a produzir conteúdo, mas já se imagina ganhando rios de dinheiro e largando o emprego para viver disso. Essa imagem de largar o emprego para focar em algo "melhor" é recorrente em nossa sociedade - o exemplo mais gritante disso são as pessoas que pedem demissão para estudar para concursos públicos. Tornou-se o novo vestibular das nossas vidas.

Acredito que se a pessoa deseja produzir conteúdo para internet, ou mesmo começar um trabalho artístico, ela não deve nunca sair do emprego em que se encontra. Parece aquele conselho dos nossos pais e avós para crianças prodígio: não deixem de estudar, fazer uma faculdade, pois quando isso acabar, vocês poderão arranjar um emprego. É bem isso mesmo: sobretudo quando o projeto ainda não decolou, e talvez nunca decole. Tenho o blog há anos e não vivo dele - mas ele não me dá tanta "despesa" como um canal monetizado dá.

Se a internet (ou o meio artístico, chegam a ser bem semelhantes nesse aspecto) é apenas para ganhar "um dinheiro extra", não reclame se o investimento não tiver retorno. É parte da vida: quantas empresas fecham simplesmente porque não deram certo? Querer fazer conteúdo na internet e ganhar de pronto dinheiro (por mínimo que seja) chega a ser ofensivo com quem trabalha para se sustentar e que publica na internet por divertimento. Ser profissional de alguma coisa requer tempo, paciência e dinheiro, para que em algum dia isso possa dar algum retorno gratificante. Até lá, se possuir alguma segurança (um bom emprego), seja grato a ela.

Aí vem a parte "divertida": pessoas na internet frustradas porque investiram tempo, paciência e dinheiro mas não tiveram o retorno que cobrisse seus custos. Há canais no YouTube que parecem viver de esmola: a pessoa não trabalha, produz um conteúdo de baixa qualidade só para ter visibilidade, e no final das contas o retorno é (muito) menor que o esperado. Vale (muito) mais a pena manter-se no emprego e produzir conteúdo por amor a este: o retorno é mais gratificante, e as pessoas agradecem um conteúdo melhor trabalhado.

E se eu "perder o emprego"? A internet torna-se uma alternativa interessante, já que há tempo disponível para tal, enquanto não se encontra outro trabalho. Dependendo da situação, chega a ser viável iniciar um negócio virtual do zero e viver disso. Lembra aquelas pessoas que ao perder o emprego começam a fazer serviços "para fora": cozinhar, costurar, dar aulas particulares, etc. Toda situação é uma oportunidade de aprendizado e crescimento, e mesmo o emprego também o é. Sonhar é bom, mas botar a mão na massa para realizar é melhor ainda.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Como ter um blog - Feed


Para mim, este é o melhor recurso do blog, mas acho que seja um dos menos trabalhados. Feed é a atualização das postagens do blog, podendo ser inserido em uma plataforma específica, recebido por e-mail ou adicionado ao navegador. O feed foi mais popular à época do Google Reader, e atualmente alguns de seus recursos tornaram-se obsoletos por conta das mudanças nas redes sociais.

Mesmo assim, é uma ferramenta a ser levada em consideração, já que nem todo mundo acessa todos os dias um blog para ler novidades. O feed permite que a postagem chegue ao leitor assim que é publicada. Quem tem página no Facebook ou canal no YouTube sabe que na maior parte das vezes a atualização não é informada ao assinante por conta dos algoritmos dessas redes sociais - algo que não acontece com o feed.

Todas as plataformas de blog criam dois feeds automaticamente, um para posts e outro para comentários. Alguns navegadores detectam os feeds, permitindo ser adicionados para acompanhamento (e avisando sobre as atualizações). Caso prefira adicionar a um leitor de feed (ou ao programa de e-mail), basta adicionar o endereço do blog ou do feed - no primeiro caso, o sistema tende a localizar automaticamente o endereço do segundo.

O conceito de feed é complicado para boa parte dos internautas, que acabam tendo dificuldade de assinar os feeds de seus blogs favoritos. A solução é o recurso o "feed por e-mail", disponibilizado pelo FeedBurner, ligado ao Google. O leitor cadastra seu e-mail e passa a receber os posts novos em sua caixa de entrada. Não é um mailing, como pode parecer, não podendo ser enviados e-mails além das postagens publicadas, ou seja, não há risco de spam.

Para instalar esse recurso no blog, você tem que cadastrar o endereço do feed do seu blog no FeedBurner, que irá criar um novo endereço, onde outros recursos poderão ser utilizados. Adicione esse novo endereço nas configurações do blog, para quando uma pessoa assinar seu feed, utilizar o endereço do FeedBurner, que possui uma série de recursos tanto para o leitor quanto para o autor, inclusive monitorar a quantidade de assinantes e acessos ao blog a partir do feed.

Apesar de alguns recursos estarem obsoletos (adicionar o feed ao Meu Yahoo, por exemplo), o feed é um recurso prático para o blogueiro porque permite que seu leitor tenha acesso ao conteúdo do blog sem precisar entrar nele. Com isso em mente, termino com uma sugestão: ao invés de configurar o feed como "texto parcial", configure-o como "texto integral", permitindo que o leitor leia o post todo sem entrar no blog. Motivo: é incômodo ao leitor ter que acessar o blog apenas para ler o post. Se fosse para ir ao blog, o leitor o acessaria todos os dias.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Levar as coisas a sério


Além do jeitinho brasileiro, outro costume comum aqui no Brasil é o de não levar as coisas a sério. Talvez seja consequência do jeitinho, já que se dá um jeito para que as coisas não aconteçam de forma efetiva. Seja um projeto, uma promessa, ou mesmo um contrato, quando a coisa precisa ficar mais séria, ela é deixada de lado, como se não fosse importante. O medo da responsabilidade que faz com que a pessoa não se comprometa e acabe empurrando com a barriga as situações do cotidiano.

Comprometimento requer responsabilidade e maturidade, seguir cada passo do que foi assumido para se chegar ao objetivo, com seus ônus e bônus. Temem-se os ônus a tal ponto que se abrem mão dos bônus: vive-se uma vida morna por medo de um balde de água fria, que inevitavelmente cai, congelando até os ossos. Então para que evitar riscos se, além de uma vida vazia, problemas virão? O que está por dentro deste medo de que as coisas aconteçam? É uma reflexão corajosa a ser feita. Mesmo que haja consciência de que algo não vai dar certo, a experiência é válida na maioria dos casos - e será mesmo que algo não vai dar certo?

Por outro lado, é impressionante o engajamento das pessoas a coisas tão bobas, como, por exemplo, o "combate" ao canudo de plástico. Uma coisa que realmente poderia ser ignorada (resolver a questão do lixo como um todo é muito mais eficaz que a mera questão de canudinhos) é levada a cabo pelas pessoas de forma tão intensa que é de se surpreender como, em poucos meses, os canudos de plástico foram substituídos por canudos de papel ou "biodegradáveis" (na verdade, plásticos de qualidade inferior, assim como as sacolas). Outro exemplo é o esforço que vejo muitos fazerem para retirar a carne da alimentação: ao invés do esforço de ter uma alimentação mais balanceada, a pessoa busca alternativas pouco saudáveis para substituir um alimento vital para sua saúde.

No fundo, o canudo de plástico não faz diferença nenhuma na quantidade de lixo produzido, mas dá a sensação de que foi feito algo. A mesma coisa o consumo de carne: os problemas de saúde subsequentes são "efeito da desintoxicação", não decorrentes da ausência de nutrientes essenciais ao organismo. Pode-se dizer que é uma motivação vazia, pois não leva a lugar algum. Se for tentar aplicar esse engajamento em algo realmente importante, como desenvolver uma nova habilidade, ampliar a percepção em relação ao mundo, a coisa não anda.

Volta-se, assim, ao começo da questão. E como desenvolver essa motivação verdadeira e levar a sério a vida? Depende do que impede cada pessoa, mas de forma geral é a falta de maturidade frente às crises da vida. É quando se acha que pode escolher entre ser feliz ou ter razão: ambos andam juntos, mas depende do crescimento do indivíduo em perceber a profundidade disso.