terça-feira, 19 de novembro de 2019

Pelo fim do politicamente correto


O politicamente correto é uma armadilha de pensamento mais perniciosa do que aparenta, se bem que boa parte dos "grandes males da atualidade" aparentam uma doçura indulgente. E essa aparente fragilidade lhe dá uma força incomparável quando se tenta combater de frente. Acredito que seja a hora de expor essa falácia para que as pessoas comecem a criar imunidade aos seus efeitos, ressaltando outros pontos de vista que acabam passando despercebidos: é fácil falar que o politicamente correto é nocivo, mas ninguém pensa, por exemplo, nas pessoas que dependem de uma linguagem anestesiada. Quando falei do esquerdismo como doença, mostrei que há pessoas que dependem desse tipo de visão ideológica para compensarem traumas internos.

Talvez seja necessário começar por elas, então. Afinal, são as que reclamam um tratamento mais digno à sua fragilidade. São sensíveis às palavras, aos gestos, como se a palavra veneno, ao ser dita, causasse-lhes problemas de saúde. Esse tipo de pessoa não procura superar seus problemas, mas anestesiá-los e mesmo utilizá-los como arma. A percepção de mundo dessas pessoas é limitada, estagnada, pessimista. São essas que precisam de tratamento, não a cultura humana como um todo, muito menos da forma como é proposta. Interessante que chamar uma pessoa com essa "fragilidade" de doente resulta em um acesso de raiva que dura horas, dias, meses - impregna-se de tal forma no "frágil e sensível" que toda ação terá por objetivo "combater" o novo "inimigo", mesmo que inconscientemente.

Querer orientar a cultura humana através de uma visão involuída só pode levar a humanidade como um todo à decadência. Como disse no post das quatro estações, a tendência da criação é o caos, necessitando um grande esforço para evitar que isso aconteça. Ou seja, acabar com o politicamente correto requer esforço para contê-lo e neutralizá-lo. Não será algo fácil, e talvez nunca venha a ser neutralizado de todo, além de algumas pessoas arranjarem problemas desproporcionais às suas vidas - como disse antes, o "vitimizado" pelo politicamente correto vai tentar destruir o outro de todas as formas, quando não consegue silenciá-lo. É como agir com uma criança que está a fazer birra, porém esta criança possui outros meios além de chorar e fazer escândalo, e neste caso palmadas não irão resolver a situação.


Além dos fragilizados, que "necessitam" de uma linguagem que eles consideram menos rude, há também a questão da boa educação, e ambos se confundem de forma intencional: a ideia é associar uma coisa à outra, o que está errado. A boa educação e a gentileza não são mais vistas como formas de boa educação, sendo que alguns desses fragilizados as veem como opressão. Um exemplo que pode vir a calhar: feministas não gostam de que homens paguem a conta de um encontro romântico, pois acham que também devem pagar a conta. Por um momento, pode até parecer uma boa ideia dividir a conta, mas o gesto de "eu quero fazer mais por você" acaba sendo visto como algo negativo. E como ficar com alguém que é impedido de fazer mais por você?

O problema do politicamente correto, ao contrário da boa educação, é que o primeiro não possui limites. Quando você aprende as boas maneiras, você aprende o que é educado e o que não é: aquilo e ponto. Pode haver variações? Sempre, mas dentro daquele conjunto de possibilidades. Exemplo: as "palavras mágicas" por favor, com licença, obrigado, desculpa. Há outras palavras que podem ser usadas com o mesmo significado: valeu, perdão, posso ajudar, etc. No caso do politicamente correto, as restrições se ampliam de forma doentia: algumas palavras, depois atitudes, então piadas, das mais sarcásticas para as mais bobas, para chegar nas linhas de pensamento. Nessas horas as coisas ficam estranhas, sombrias: não há mais um esforço para falar sem ofender, mas todo um raciocínio para evitar que o outro se ofenda. Dessa forma, a pessoa deixa de perceber a verdade, já que sua mente começa a ficar comprometida pelo medo de ser mal interpretado.

A questão, contudo, não é apenas ser mal interpretado, mas as consequências disso: falei sobre em um post sobre outro assunto, que é a questão de ser processado. O vitimizado, como disse várias vezes aqui, vai às últimas consequências para destruir seu desafeto, literalmente. Esse é o problema: sua mente involuída a impede de perceber as verdadeiras prioridades da vida (sim, elas existem), dando preferência a outras ações, como acionar o Poder Judiciário para reparar um dano inexistente. Infelizmente, como dito no Ponerologia, pessoas de mesmo perfil vitimizado acabam por acolher e lhes dar ganho de causa por se identificar com essa fragilidade. Não há dano, material ou moral, apenas a sensibilidade (ligada à vaidade e ao orgulho) foi atingida.


Ou seja: você discorda de uma ideia, e por discordar é acusado de fazer mal a alguém. É uma forma de controlar o outro através de seu pensamento: quando não se fala sobre tal assunto ou de tal forma, dá-se a impressão de que aquilo foi "pacificado". Como o autor do Ponerologia explica, as pessoas de mente saudável apenas estão criando formas de imunizar e se defender desses ataques. Por dentro, a pessoa é contra aquilo, e começa a criar preconceito não contra o que dizem ter, mas contra a postura frente a determinadas visões de mundo. Isso pode gerar reações mais violentas do que as que os vitimizados acham que sofrem, forçando uma "justificativa" para suas ações e chorando por "mais proteção".

Não ter medo de falar que isso é uma doença é um dos primeiros passos: uma pessoa que se ofende com uma norma gramatical demonstra possuir baixa autoestima, não que a gramática é ofensiva. Outro passo é agir como se estivesse lidando com uma criança fazendo birra, pois é isso que ela está fazendo. Esta pessoa é imatura e depressiva, e se não for tomada uma atitude para que possa crescer e amadurecer, ela corre o risco de desenvolver a depressão de fato (parece que há algumas pessoas interessadas nisso). Outra coisa a ser feita é não se deixar ofender por qualquer coisa: como dito antes, a palavra veneno não mata ninguém. Dar a devida proporção e prioridade aos fatos, para não se deixar levar por qualquer coisa e focar no que realmente importa.

2 comentários:

  1. Oiis fofis o/
    O comentário realmente não foi xD
    Só que não lembro o que escrevi direito =p
    Mas eu li viu xD

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    Respostas
    1. Bom diaaaaaaaaa
      Sabe o que é pior? Eu esqueci de verificar!
      Desculpa T____T
      (Devo estar ficando gagá!)

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