terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Idade ou maturidade?


A atual geração de idosos é extremamente imatura, e isso é um fato que deve ser exposto da forma mais aberta possível. Falam de respeitar os mais velhos, por conta de sua saúde frágil, sua menor mobilidade, sua experiência de vida. Contudo, os idosos de hoje em dia agem e pensam como adolescentes catapultados no tempo, reclamando de situações que deveriam ter sido superadas na juventude. Não consigo me acostumar com velhos empurrando no transporte público, gritando com outras pessoas, exigindo um respeito que não possuem, buscando impor sua opinião pela idade que consta no documento, sem ao menos ouvir o que o outro tem a dizer.

Parece que aquela imagem do velhinho pacato, carregado de experiência e boas histórias, tranquilo perante o turbilhão de situações a sua frente, simplesmente desapareceu - ou nunca existiu, como a maioria das imagens idealizadas propagadas por aí. É comum na imprensa casos de agressões a idosos, mas nenhuma linha sobre idosos que agridem, em alguns casos deliberadamente por conta dos privilégios da lei. Lamentam dos idosos "abandonados" em casas de repouso e asilos, como se sua família houvesse virado as costas, sendo que em boa parte dos casos a ingratidão do idoso que afastou a família de si.

Digo isso pois essa máxima de aprender com os mais velhos parece não fazer mais sentido algum. Conheço pessoas mais jovens com muito mais experiência de vida, visão de mundo, maturidade e consciência do que aquelas que já se aposentaram. Infelizmente, a opinião destas últimas parece ter uma chancela de razão em virtude do tempo, por mais estapafúrdia que seja. Quando não em uma conversa em que você demonstra argumentos lógicos e óbvios, e o idoso - às vezes uma pessoa apenas mais velha alguns anos - usa o argumento de idade para encerrar a discussão. Se a pessoa tivesse a maturidade que a idade diz indicar, este com certeza não seria um argumento a ser utilizado.

Podem me dizer que um dia chegarei à velhice, que o vigor do meu corpo abandonar-me-á e eu passarei a depender das pessoas. Primeiramente, o ser humano não consegue viver absolutamente sozinho: sempre foi necessária a interação com outras pessoas. A questão de saúde pode ser superada com cuidados na juventude, que boa parte dos idosos crianças não tiveram e agora tentam recuperar. Maturidade não é só chegar a uma idade avançada, é ter uma visão ampla e profunda do mundo. Longe de ser algo bocó, uma pessoa realmente madura é verdadeiramente animada e alegre, pois já conhece as pedras do caminho e seus próprios limites.

Talvez o desafio das gerações mais jovens seja ter paciência com os mais velhos, ao invés de aproveitar sua sabedoria, pois a maioria não a tem. Não entro no mérito de respeitar, pois isso todos merecem em igual, independente da pessoa. Não existe pessoa melhor para merecer um privilégio a mais, mas sim adaptações conforme necessidades reais: o melhor exemplo é o assento preferencial do transporte público, que não deveria existir para que o senso de educação das pessoas fosse baliza para quem realmente precisa no momento - uma pessoa passando mal muitas vezes tem que se deslocar em pé pois teve que ceder o lugar a um idoso que apenas sentou para tirar por gozação.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário. Ao clicar em enviar, aparecerá uma caixinha de confirmação.