terça-feira, 17 de dezembro de 2019

O coaching e o livre-mercado


Para quem não sabe, o coaching existe há décadas. Eu já o conhecia muito antes de vir à tona essas postagens aparentemente combinadas na internet. Sempre foi uma alternativa interessante para quem queria dar um upgrade na vida sem precisar se enfurnar em um tratamento psicológico padrão. Afinal, não é todo mundo que quer ir a um psicólogo, ou mesmo precisa de um. Geralmente quem precisa se recusa a ir, inventando uma série de desculpas e projetando seus problemas em outras pessoas - mas não é sobre isso que irei falar aqui.

Basicamente, o coaching busca traçar estratégias para que as pessoas possam dar o melhor de si e assim alcançar seus sonhos - algo bem prático e objetivo. No entanto, é uma profissão que não requer registro ou mesmo formação, e o trabalhador na área pode ser um mero palpiteiro, dando conselhos sem sentido apenas para ganhar dinheiro. É uma profissão de reputações e aparências, que podem prejudicar o cliente no final das contas, assim como a maioria das profissões que envolve pessoas.

Isso não é nenhum demérito se for comparar com outras profissões. Maus profissionais existem em todas as áreas, em maior ou menor concentração. Dependendo da situação, um profissional é considerado ruim apenas por possuir uma visão do problema divergente de seu cliente, e isso causar aborrecimentos a este. Claro que o mau profissionalismo pode levar a consequências catastróficas - neste caso, o conselho profissional atua para julgar se a conduta foi correta ou não - algo que o coaching não tem.

Aí entra a questão do livre-mercado: quanto menos regulação, maior a concorrência entre profissionais e consequentemente melhor a qualidade de seus serviços. Quem irá decidir se um coaching é um bom profissional ou não serão os clientes, não uma possível panelinha a julgar o serviço alheio. Existe uma tendência a profissões não reconhecidas pela sociedade buscarem uma regulação para melhorarem sua imagem. Isso acontece com o Reiki: briga-se por uma regulação para fugir do crime de Charlatanismo (previsto no Código Penal, apesar das recomendações da OMS).

No entanto, a regulação não separa bons e maus profissionais, mas acaba por ditar regras que atrapalham a rotina profissional de cada pessoa. Não é todo reikiano que faz Byosen-ho, por exemplo, ou faz aplicação cronometrada. Isso pode ser aplicado ao coaching e mesmo a outros terapeutas complementares. No caso de problemas graves envolvendo profissões não arriscadas, o Poder Judiciário poderá sentenciar a respeito de forma eficaz.

Eu poderia dizer que existe o pensamento contraditório de que a nossa sociedade quer pagar menos impostos sem perder ou mesmo aumentando a regulação, mas prefiro terminar o post afirmando que maus profissionais existem em todas as áreas. Diminuir a imagem de uma área profissional é abrir espaço para que sua própria profissão seja reduzida, já que a pessoa que critica já se mostra uma má profissional. Deve-se valorizar o que há de melhor nas profissões, para que as críticas sejam apenas aos problemas reais.

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