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Mostrando postagens de 2020

Só por hoje, eu sou calmo... quê?

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Como já usei o título Calmaria em meio à Tempestade , mas quero voltar ao tema, decidi usar um título mais objetivo. Ser calmo não é ser passivo, complacente, apático. Eu já falei sobre outras vezes, mas vou tentar centralizar em um post só, baseando-me no primeiro princípio do Reiki: só por hoje, sou calmo , ou só por hoje, não te zangues . Na maioria das vezes, para não dizer em todas as vezes, a pessoa passiva é rancorosa, amarga. Ela não age de forma ativa pela própria vida, mas espalha sua amargura por onde passa, tornando o ambiente pesado e triste. Por mais que ela escreva textos e compartilhe postagens motivacionais, sempre fica aquele tom de indireta e de agressividade. A pessoa não é calma realmente, ela está se consumindo por dentro. Por outro lado, a pessoa aparentemente explosiva pode demonstrar calma e autocontrole em situações extremas e mesmo dolorosas. Por ela fazer, por ela tomar atitude, pode-se pensar que ela não esteja bem, que seja uma pessoa amarga e irritadiça.

Mantendo a sanidade

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Este ano que se passou foi um grande desafio à sanidade, simples assim. Informações controversas vindas de todos os lados, pessoas que surtaram sem perceber, problemas profundos que vieram à tona nos piores momentos. O pandereco foi muito mais uma questão mental do que fisiológica: epidemias sempre ocorreram e sempre ocorrerão, mas esta foi diferente por um motivo muito simples: controlou-se a mente e o coração das pessoas, fazendo-as tomar atitudes das mais irracionais em nome de algo. Que as pessoas tendem a ser mal educadas e pouco gentis já se sabe, mas nos últimos meses as pessoas têm apresentado uma agressividade mal contida: ficar preso em casa abala de forma profunda a mente das pessoas. Mesmo quem é mais "caseiro" parece que sofreu com o simples fato de não poder sair de casa à hora que quisesse. Na hora de finalmente sair, parece que o estrago foi consumado: percebeu-se que as pessoas não conseguem mais conversar direito mais umas com as outras, ou mesmo interagir d

Poder e os Esportes

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Vamos agora comentar o capítulo 12 do livro Power vs. Force, dando continuidade à sequência. Esporte sempre foi símbolo de maestria e excelência, e os atletas sempre foram considerados heróis ao longo da História - basta pensar nos ídolos do esporte brasileiros, como Senna ou Pelé. O esporte é uma forma de superar questões do quotidiano e alcançar a transcendência da vida comum. O esporte mostra o lado bom do orgulho: a autoconfiança, a humildade e a determinação em superar os próprios limites de forma honesta e saudável. Durante a prática esportiva, é normal sentir dor, e superar a dor é necessário para se superar como atleta, e mesmo como pessoa. A sensação de paz e alegria após competições é largamente documentada, sobretudo em modalidades de grande esforço físico. Esta sensação de paz não é por conta do sucesso, não de quebrar um recorde: mas de permitir que outras pessoas o façam. Quando uma consegue, outras também o fazem, de forma muito mais simples. Filmes com temas esportiv

O Poder no Mercado

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Indo para o Capítulo 11 do livro Power vs. Force, vou comentar sobre a análise do Hawkins a respeito dos níveis de consciência e do método de calibragem criado por ele em relação ao mercado. Interessante notar que ele começa o capítulo falando que sem liberdade de escolha não é possível ter responsabilidade, e que escolhas de baixo atrator podem destruir civilizações inteiras. As pessoas fazem compras baseadas no que tentam perceber de campo atrator, e muitas vezes acabam por se deixar levar por algo de baixo atrator pelo glamour que este aparenta, como aquelas propagandas idealistas que mostram situações idílicas para apresentar um produto ou serviço. Não dá para falar sobre propaganda sem pensar em marketing digital ou em uma modalidade que tem ganhado força ultimamente: o marketing de conteúdo. Basicamente: marketing de conteúdo é quando a empresa fornece conhecimentos úteis a possíveis clientes como uma forma de criar uma boa imagem e assim convencer, de forma inconsciente, a comp

Progressão de Consciência

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  A consciência de uma pessoa cresce cerca de 5 pontos durante uma vida inteira, ou seja, a tendência natural é a de que não mudem de nível de consciência, tornando o nível de consciência na ocasião do nascimento um fato de grande importância. Isso sem contar que uma pessoa pode regredir sua consciência ao longo da vida: se 85% da população está em uma faixa de consciência abaixo de 200, e estes níveis são instáveis entre si, a vida de uma pessoa pode ser uma oscilação na qual termine com pouco avanço ou algum regresso. Hawkins ainda aponta de 2,6% da população mundial tem a polaridade invertida: sentem-se bem com coisas ruins, mas se sentem mal com coisas boas (o teste de calibragem é o contrário). Estas pessoas seriam responsáveis por cerca de 72% dos problemas sociais atuais. Isso vai de encontro ao que eu já comentei sobre níveis negativos de consciência e erros da calibragem do Hawkins. É interessante comentar, então, sobre como funciona o vício em drogas sob a ótica dos nívei

Power vs. Force na Política

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No capítulo 10 de Power vs. Force, o Hawkins comenta sobre as interações entre Poder e Força no meio político. Vou comentar algo sobre aqui no post, levando em consideração outros fatores notados que não constam no livro, como as falhas na calibragem e a evolução negativa , que acabam por explicar alguns "erros" e imprecisões presentes no trabalho. O autor começa o capítulo falando de um princípio fundamental para a vida em sociedade que é a Liberdade. Lutou-se por séculos para alcançá-la, seja superando a escravidão, o colonialismo, ou mesmo ditaduras e tiranias. Povos que se alinham a princípios elevados tendem a tornar-se invencíveis, como é o exemplo dos Estados Unidos: Hawkins afirma que cerca de metade da população norte-americana está acima do nível 200 de consciência, ou seja, tem o básico de noção da própria vida. Quando se luta por liberdade, seja pela guerra ou mesmo de forma não-violenta, como no caso de Gandhi, os exemplos tendem a afetar a humanidade por longos

História e Narrativa

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Eu sou formada em História e, como aprendi na faculdade, sei que devo pesquisar os documentos de época para entendê-la. Posso estudar pesquisadores da área para comparar seus estudos com minha pesquisa, e assim chegar a um trabalho mais apurado. Contudo, uma coisa que nos últimos tempos têm chamado, e muito, a atenção é a confiabilidade das fontes. Como assim? Hoje em dia o foco está maior na criação de uma narrativa do que de preservar um legado histórico para as próximas gerações. Tenta-se apagar documentos, vestígios diversos, que vão contra a narrativa desejada, literalmente tentando criar uma história ficcional ao invés de se relatar os fatos ocorridos. Isso vai de encontro com o livro 1984 , onde não há passado, apenas um presente atemporal onde os fatos se desenrolam. Ao pensar assim, imediatamente olho para trás e penso: quanto os vestígios passados foram adulterados , tanto pelas pesquisas quanto pelas pessoas ao longo do tempo, a ponto de alterar a realidade dos fatos? Será

Pensamento Binário

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Uma coisa comum nas pessoas é o pensamento binário , isto é, concluir que se alguma coisa não possui tal característica, com certeza ela possui a característica oposta. Obviamente não é bem assim; no entanto, as pessoas são tão automáticas quanto a isso, que horas e horas de explicações causam mais confusões do que as encerram. É possível que algo não seja uma coisa muito menos o seu oposto. Um exemplo é uma pessoa que não tenha uma religião definida: ela pode ou não acreditar em Deus, independente de seguir uma igreja ou não. Contudo, é comum que quando uma pessoa diga que não possui religião, logo concluam que ela não acredita em Deus. Existem infinitos exemplos para essa situação: posição política, aderência à determinada ideia ou projeto, visões de mundo, etc. Esse binarismo acaba por encerrar-se na oposição bem e mal, na qual se algo não é bom, com certeza é ruim. Talvez algo não seja tão bom quanto o esperado, o que não o torna automaticamente maléfico.   Se uma pessoa não gosta

Jogador nº 1

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Depois de falar sobre realidade simulada, eu não poderia deixar de resenhar este filme. Jogador nº 1 passa em um futuro distópico, em que as pessoas desistiram de viver a realidade para passar seus dias no jogo Oasis , um oásis no "deserto do real" (não poderia deixar de lado o trocadilho). Neste jogo fantástico, você pode ser qualquer coisa e fazer praticamente qualquer coisa, tendo como limites apenas a imaginação dos jogadores. O criador do jogo, James Halliday, cria ao falecer um desafio no qual está em jogo seu bem mais precioso: o controle do jogo e da empresa desenvolvedora. A ideia era que o sucessor da empresa fosse alguém que realmente admirasse sua obra e entendesse os anseios mais profundos de seu criador. Contudo, como toda boa história, havia um vilão querendo o controle de tudo: Norlan Sorrento, cuja empresa agia nas sombras do jogo, buscando vencer o desafio e assim tomar o controle em definitivo. Pode-se dizer que toda história realmente fantástica, talvez a

Ódio do Bem?

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Confesso que fiquei muito reticente em escrever sobre este assunto, afinal, ambas as coisas deveriam (de regra) estar separadas e bem definidas. Não existe ódio ao praticar o bem, nem uma atitude virtuosa carregada de ódio. No entanto, em um mundo onde o balizamento está na mera conveniência, no sentido egoísta do termo, atitudes reprováveis tornam-se louváveis em virtude de quem as pratica ou a quem se destinam. O contexto não se basearia mais em fatos, mas em factoides , fatos distorcidos pela mente da pessoa, de forma em que ela esteja sempre certa. É algo complicado a se trabalhar, pois não adiantaria mostrar os fatos, pois a pessoa não os aceitaria como verdadeiro - lembre que algumas pessoas acham que a verdade é algo relativo ao ponto de vista, cada um tendo o seu. Nessa linha de raciocínio, a conclusão que se chega é a de que tudo não passa de mera conveniência para a pessoa. Ou seja, atos absurdos ou maléficos tornam-se atos heroicos dependendo de quem os praticou ou contra qu

Sobre a limitação do pensamento

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  Já escrevi aqui sobre o 1984 e sobre a fluidez da linguagem ao longo do tempo, mas acredito que ainda não escrevi nada sobre o uso da linguagem como forma de desenvolvimento das ideias e, consequentemente, da evolução de consciência. O que eu noto hoje em dia é um movimento de limitação da linguagem que acaba por atrapalhar o fluxo de pensamentos na mente da pessoa, já que a mesma acaba por se vigiar de forma tão incisiva, o que prejudica até o desenvolvimento de sua consciência. Comentei no post sobre o politicamente correto um pouco da limitação da linguagem, pelo fato de pessoas se ofenderem com coisas cada vez mais banais, querendo a todo custo bani-las da existência, transformando em vilões quem ainda as usa. Não se pode mais pensar se algo é ofensivo ou não, pois qualquer coisa pode ser ofensiva - e muitas vezes, o ofensivo é associado ao criminoso diretamente, sem a mínima proporcionalidade. Se tudo é ofensivo, nada é ofensivo, ou seja, a questão de ofensa torna-se uma mer

Em Defesa do Preconceito

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Apesar de eu usar o título do livro do Theodore Dalrymple, este post não é uma resenha do livro, o qual achei muito confuso. O autor mistura de forma desproporcional o argumento de autoridade - ele é psiquiatra - com uma linguagem mais informal, para tornar o livro acessível ao grande público. No entanto, o texto fica enfadonho para um leigo, e não muito confiável a nível profissional. Deixando isso de lado, o assunto é realmente interessante e importante, sendo que eu já escrevi sobre aqui no blog. O preconceito é parte do instinto animal: como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica . É difícil a pessoa mudar seu conceito sobre algo depois deste primeiro contato - as informações subsequentes apenas vão solidificando o que já ficou marcado. É algo natural, mais comum do que se imagina, e não é essencialmente ruim como querem dizer por aí. O preconceito pode livrar a pessoa de situações embaraçosas, assim como a intuição - que comentei sobre os dois conceitos  em outro post. Ge

Sobre o real misticismo

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Talvez eu tenha que fazer correções em meus posts anteriores, ou meus leitores devam ler meus posts mais antigos pensando que estes foram escritos em outra época, quando eu tinha outra cabeça. Depois de ler um comentário de um post antigo , fiquei pensando no contexto em que eu encaixei a palavra místico, e pude concluir: aquilo não é o misticismo verdadeiro, a verdadeira experiência espiritual. Talvez até se possa pensar em separar por palavras, sendo o místico algo verdadeiro e o misticismo algo falso, mas as palavras se misturam, e aí dá problema. E isso vai de encontro ao que diferencia o verdadeiro do falso: o que se realmente sente. Não é um estereótipo, não é uma postura externa, é algo que flui dentro da pessoa, que a maioria não percebe e se deixa enganar. Foi então que percebi, ao longo dos posts, e mesmo ao longo da vida, que o que eu falava sobre maturidade e evolução era o caminho para a verdadeira experiência mística, pois só com ambos você pode transcender a realidade e

Lei do retorno e da atração para leigos

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Lembrei-me daquela série de livros "Para Leigos", "For Dummies" no original, algo que seria literalmente para idiotas . Bom, as pessoas no geral acham que a Lei do Retorno nada mais é que alguém faz algo, e logo aquilo volta pra ele . Se realmente fosse assim, bandidos seriam punidos exemplarmente e o mundo seria uma maravilha... Voltemos à realidade. Eu havia comentado no post sobre os padrões não-lineares que a vida funciona em campos atratores, nas palavras do Hawkins. Logo, tudo está interligado dentro de níveis de consciência, e conforme a pessoa evolui, ela passa a abarcar mais e melhores dados destes campos. Toda a ação não gera uma reação, mas está dentro de uma rede de eventos possíveis em seu campo atrator. Não significa que uma pessoa de nível de consciência baixo não pode ter uma atitude elevada, pelo contrário, ela pode fazê-lo e isso pode ajudá-la em sua evolução, pois isso irá atrair outras coisas, dentro do novo campo atrator. Isso vai de encont

Os três quocientes

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Há um tempo atrás, fiz um curso virtual de inteligência emocional . O nome do curso havia me chamado a atenção, já que eu ainda não havia me aprofundado no assunto. Ao longo das aulas, porém, percebi que a tal da inteligência emocional tratava-se da boa e velha maturidade , coisa com a qual a maioria das pessoas não sabe lidar hoje em dia. Por esse aspecto, dá até para considerar a ideia de que inteligência emocional não existe, pois a mesma é subjetiva e, portanto, impossível de ser "quantificada". Bom, é nítido que há um quociente emocional que as pessoas possuem, ligado à capacidade que se tem em lidar com as situações da vida. Não é exatamente uma pessoa alto-astral , que vê tudo lindo e maravilhoso, etc, mas uma pessoa que sabe agir de forma racional, sem se deixar levar pelos sentimentos, muito menos pelo orgulho ou birra. Aceitar as coisas como são e aceitar-se como é são um bom começo para desenvolver isso. Ao contrário do que as pessoas pensam, quociente de int

Refletindo sobre proatividade

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Eu vejo as pessoas reclamaram continuamente sobre proatividade. É uma virtude louvada por superiores e subordinados, a capacidade de antecipar tendências e tomar atitudes precisas. No entanto, ser proativo não depende da própria pessoa, como alguns acreditam, pelo contrário, depende mais do grupo onde ela se encontra receber essas inovações de forma humilde, independente se aquilo vai dar certo ou errado a curto, médio e longo prazos. Soa estranho falar que proatividade depende mais da equipe (de trabalho, de estudos, etc.) do que do indivíduo. Não se pode pensar em proatividade sem pensar em um grupo, afinal, a ideia é antecipar-se e tomar atitude, o que não faz muito sentido quando se pensa na própria vida. Ser proativo consigo mesmo já deveria ser uma constante, afinal, o grande interessado é o próprio indivíduo. No entanto, boa parte das pessoas, para não dizer a maioria delas, não é interessada na proatividade alheia, pois, além de tirar-lhes destaque e mérito, pode ser caracter

Criticando o pensamento crítico

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Pensamento crítico é uma daquelas expressões aparentemente inócuas que causam grandes danos na atualidade. É parente do politicamente correto , e como tal, também deve ser exposto. Aparentemente, pensar de forma crítica é analisar o exposto, de forma a processá-lo de forma mais racional; no entanto, é um conceito no qual deve-se apenas criticar a sociedade vigente, mas não o que é proposto para a mesma. Criticar dá a falsa sensação de superioridade ao que é criticado, gerando um vício por criticar, mesmo sem motivo. Critica-se para reduzir algo indesejável, critica-se para defender-se de algo, e por aí vai. Criticar abala estruturas, quando não as põe no chão. Uma crítica bem feita destrói as melhores ideias e as mais elevadas intenções. Mas e a crítica construtiva? Ela ajuda a melhorar, é quando você quebra algo para reformar, como uma parede. É pontual, e sempre busca valorizar os bons aspectos de algo - a crítica pela crítica não. Nestes tempos conturbados, mesmo uma crítica des

A pirâmide de necessidades e a opressão sutil

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Um dia desses, um amiga desabafou comigo sobre o eterno ciclo das contas a pagar , que sempre haverá contas a serem pagas, e que deverão ser pagas, sem uma esperança de libertação sobre elas. Lembrei-me da Pirâmide de Necessidades de Maslow, que sistematiza as necessidades humanas do nível mais físico a um nível mais sutil, mas ainda sim ligado à vida material - ele buscava estudar as prioridades dos animais em relação a sua existência. Pode ser feito um paralelo dessa pirâmide com os níveis de consciência do Hawkins, nos níveis inferiores. As pessoas se preocupam, principalmente, com a sobrevivência: isso vem do nosso instinto natural de animal de rebanho. Não há interesse real em crescer como pessoa, apenas na próxima refeição e nas próximas horas de sono, e, quando muito, na formação de uma família para procriação. É uma questão de escolha, que fica limitada ao nível de percepção. Se isso é satisfeito, rara é a pessoa que busca outras coisas além, quando não um aprimoramento da p

Sobre a Liberdade

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Ainda no assunto da Teoria da Realidade Simulada, chega-se a uma conclusão importante: a liberdade não existe como a procuram. Ela é muito mais um estado interior do que uma conjuntura social. Você pode exprimi-la pelas leis ou mesmo pelos costumes, mas isso não significa que você seja realmente livre. Assim como em uma ditadura, que não precisa estar estabelecida em um regime de governo, mas ser regida de forma sutil, controlando os processos mentais das pessoas. É necessário notar que as tentativas de controle das pessoas estão cada vez menos perceptíveis: busca-se mudar a cultura, os padrões de pensamento, e mesmo de linguagem, perseguindo quem discorda, dando a entender que estes não são bem-vindos, e que qualquer divergência será combatida. Tente mostrar outros pontos de vista sobre determinados assuntos que as pessoas afastar-se-ão de você, perderá seu emprego ou mesmo sofrerá revezes dos quais ninguém acreditará que é por conta disso. Quando eu li 1984 , fiquei imaginando uma

Chegamos à Teoria de Tudo?

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Dizem que irão lançar um quarto filme da série Matrix. Já se especulou sobre tudo, e o tal filme nem trailer tem. Bom, o boato (ou notícia, chame do que quiser) de um novo episódio da série ganhou vulto pelos 20 anos de lançamento do primeiro filme completados ano passado. Curiosamente, ano passado que a Teoria da Realidade Simulada ganhou corpo e vulto. A mesma foi publicada no começo deste século, mas desacreditada pelos físicos (sim, é uma teoria da Física). Deve-se lembrar que a ideia de que vivemos em uma ilusão remonta os tempos mais remotos, a Maya (ilusão) hindu, o Mito da Caverna platônico e a Teoria do Primeiro Motor aristotélica. Mesmo Descartes acreditava na hipótese de nossos cérebros estarem imersos em um barril, acreditando estarem tendo experiências em um mundo, induzidos por um ser maléfico. Outras teorias do tipo encontram-se no livro Matrix: Bem-vindo ao Deserto do Real, organizado por William Irwin, que faz análises filosóficas de filmes e séries populares. A

A complexa relação entre ser e ter

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A relação entre ser e ter é mais complexa do que se imagina. Foi criada uma oposição entre os dois conceitos, como se um fosse bom e o outro ruim, dentro de um pensamento binário do qual se não é uma coisa, é seu total oposto. Dentro disso, você tem o ser como algo bom e o ter como, além de seu oposto, algo ruim. É comum falar de abrir mão dos bens materiais, das ostentações, dos luxos, em nome de uma vida mais "interiorizada", mais "espiritualizada". Baseando-se em filosofias e religiões nas quais apenas uma minoria abdicava da vida material para um maior desenvolvimento espiritual, enquanto o restante da comunidade sustentava seus ascetas. Enfim, esse pensamento começou a ser deturpado em nome de um maior controle social, afinal, quem não tem dinheiro ou bens materiais é mais facilmente controlável por não ter meios (materiais e mentais) de se defender. É isso que deve ser levado em consideração: repare que a estrutura social força as pessoas a terem menos rese

A Janela de Overton

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A Janela de Overton é uma coqueluche do momento atual. Baseada em fatos reais, a obra apresenta como a opinião pública foi manipulada ao longo das décadas para que as liberdades individuais dos norte-americanos pudessem ser solapadas e assim ser imposta uma ditadura aos moldes do 1984. A Janela de Overton em si é um recurso propagandístico para omitir/distorcer notícias e informações passadas para o grande público, como se fosse o lobo a pastorear o rebanho, tendo aceitação e a indiferença deste. Você não precisa mais tomar um governo de assalto, invadir um país com armas e guerras, para ter controle sobre ele. Basta dominar as mentes e os corações das pessoas, permitir que tenham vidas medíocres, ou melhor, que vivam apenas de forma medíocre para se manter o controle. A mediocridade impede a evolução e a tomada de consciência, mantendo a pessoa ocupada apenas com a sua sobrevivência. Percebo no livro que o autor tenta pintar "heróis e vilões", e talvez seja esta a falha da

Desabafo da realidade

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O Brasil parece um país devastado por um apocalipse, mas que as pessoas ainda não deram conta de tal. Andam sobre as ruínas e a desgraça, achando que tudo está bem, e que num futuro, por inércia, tudo irá melhorar. As pessoas no Brasil não têm consciência do que se passa por elas, mais reagindo do que agindo, como sonâmbulas que, caso forem despertas em meio à crise, poderão ter um ataque cardíaco. Dizem que o brasileiro é conservador por natureza: a favor de liberdades individuais, cristão, contra o aborto e a legalização das drogas. Realmente o é, pero no mucho . É aquele que gosta de fuçar a vida alheia; aquele que em cada dia está em uma igreja, celebrando credos às vezes contraditórios; que cria exceções à regra para levar vantagem, e por aí vai. Do mesmo modo, o brasileiro também não é um esquerdista convicto: quer pagar menos impostos, além do que já foi dito anteriormente. No entanto, o brasileiro tem a cabeça socializante: gosta de cuidar da vida do outro. Gosta de regula

Por que os sábios se retiram

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Praticamente todo mundo conhece aquele clichê da ficção em que o personagem sábio (monge, guru, ou algo do gênero) está recolhido em algum lugar isolado e seus conselhos fazem toda a diferença no desenvolvimento e na conclusão da história. Muitos devem se perguntar porque pessoas tão evoluídas assim decidem se afastar do convívio social, sendo que são elas que poderiam fazer a diferença para o todo. Esse clichê é mais real do que se pensa: com a evolução da consciência, percebe-se que nada pode ser feito para mudar o mundo, e se retirar acaba sendo a única saída - pelo seu próprio bem. Parece haver uma contradição: a pessoa mais evoluída parece tornar-se mais egoísta , pois aparentemente parece agir mais para si do que para os outros - como se, inclusive, houvesse uma obrigação dos mais evoluídos "ajudarem" os que ainda não se desenvolveram, o que soa muito estranho. Na verdade, o evoluído ama a si mesmo verdadeiramente, e percebe que, para amar o outro, é necessário se

Abstraia: a geração pseudo-zen

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Seria tolo de minha parte pensar que o deboísmo é um fenômeno recente mas com consequências profundas. Na verdade, ele é consequência de anos de programação de uma sociedade anestesiada e apática à vida. Apatia, já dizia Hawkins, é um dos níveis negativos de consciência: nele nada se faz por se achar que nada dará certo, que não depende da atitude da pessoa, e sim de fatores externos apenas. Hoje em dia, isso é vendido como tranquilidade , ou mesmo como paz de espírito . Pior do que isso, é que qualquer atitude, defensiva ou não, ser vista como algo negativo, até como crime. Já comentei sobre o politicamente incorreto aqui no blog. Ele é uma das ferramentas dentro da programação que fomentam a apatia nas pessoas. Também já comentei que os níveis abaixo de 200 são instáveis, e as pessoas ficam "circulando" entre eles. Como tudo o que pode ser dito (ou mesmo pensado) acaba por passar por crivos estreitos de fragilidade, e se defender é visto como algo negativo, abre-se e

Fluidez da linguagem e analfabetismo funcional

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Analfabetismo funcional é quando uma pessoa sabe ler e escrever sem entender plenamente o que leu e/ou o que escreveu - ou seja, sem expressar uma ideia com suas próprias palavras, ou mesmo interligá-la a outras. Aparentemente pode parecer um problema de interpretação , no entanto, é uma real questão de cognição , na qual a pessoa não consegue relacionar ideias, encadeá-las e formar raciocínios completos. E isso pode ser distorcido a ponto de qualquer divergência de interpretação ou conclusão ser considerada analfabetismo funcional - uma grande confusão do momento. A linguagem não é algo exato, o que permite múltiplas interpretações. O contexto é importante, mas é mais complexo do que se aparenta. Qual é a real diferença entre divergência de interpretação e analfabetismo funcional ? É se a pessoa de fato conseguiu interligar a ideia do que leu com outras, ou seu encadeamento textual fez sentido: essa percepção pode ser mais ideológica do que lógica. Infelizmente, as pessoas prefe

O Preço do Amanhã

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Esse filme parte da máxima que ficou conhecida pelo mote do personagem Super Sam, do Chapolin Colorado: "Time is money, oh yeah!" Tempo é dinheiro, e a cobrança de juros já foi considerada crime na Idade Média, por considerarem o tempo pertencente a Deus, portanto o homem não poderia cobrá-lo de outrem. Este filme de 2011 tem feito a cabeça de muitas pessoas nos dias de hoje, pois dá a impressão de ser aquela metáfora do carpe diem . Contudo, a mensagem implícita no filme é o melhor exemplo de mentalidade revolucionária que já encontrei para explicá-la. Apesar de considerarem o filme futurista, eu o penso como surrealista , assim como A Origem, pois ambos têm a realidade atual com apenas um diferencial tecnológico: no caso d'O Preço do Amanhã, a moeda corrente passou a ser o próprio tempo de vida da pessoa, que ao atingir os 25 anos de idade deverá trabalhar para poder se sustentar, pagar as contas, além de sobreviver. A maioria das pessoas vive na miséria, competind

Uma crítica (necessária) aos minions

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Vira e mexe comento aqui sobre como eu não gosto dos minions , aquelas figurinhas amareladas que seguem um vilão. Digo amareladas, pois a origem do termo minion vem do latim e significa vermelho : era a inicial vermelha dos manuscritos medievais, conhecidas atualmente por miniatura . Apesar da "pequenez" (algumas miniaturas medievais possuíam cerca de um metro e meio de tamanho), miniatura está mais ligada à representação do que ao tamanho: uma miniatura de qualquer coisa representa algo, e não algo em tamanho menor somente. Minions são tão malvados que as pessoas não percebem o tamanho de sua maldade - a pretensa "fofura amarela" os camufla dos desatentos e incautos. Eles buscam um vilão para servir: qual é a intenção de um filme infantil transmitir esse tipo de ensinamento? Ver os filmes com esses personagens sob essa ótica assusta mais que esse novo filme do Coringa: afinal, neste você sabe que está a falar de um vilão, de uma pessoa má que não esconde sua

Por que a Verdade é inconveniente

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Em uma das críticas que ouvi sobre o "documentário" Uma Verdade Inconveniente , discordam da associação do termo "verdade" à "inconveniência". O crítico em questão argumenta que não existe verdade inconveniente, que toda verdade é conveniente e necessária. No entanto, nos últimos tempos, percebo que a Verdade (com maiúscula, com minúscula, que seja!) é inconveniente quase que o tempo todo . As pessoas tendem a ter uma repulsa à Verdade que raia o absurdo, se for pensar que da boca pra fora ela a busca: se você mostra a verdade, ou mesmo algo muito próximo, as pessoas tendem a te rejeitar e a te boicotar, por não quererem admitir o fato de estarem erradas. Quanto mais você evolui sua consciência, mais perto da Verdade você está, e mais fácil é para você ver a situação como um todo, em seus detalhes e ângulos. Não há preconceitos, não há interesses egoístas, apenas o interesse cada vez mais puro de que a Verdade se revele, por mais inconveniente que sej

A Balada do Peixe-Vento

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Essa é uma resenha do jogo The Legend of Zelda - Link's Awakening que ganhou uma nova versão recentemente. Neste jogo, Link é atingido por um raio em alto mar e acaba por ser encontrado por uma moça chamada Marin na ilha Koholint. Para Link sair da ilha, ele precisa acordar o Peixe-Vento, e para tanto, é necessário encontrar os oito instrumentos musicais e assim acordá-lo. Contudo, a ilha nada mais é que um sonho do Peixe-Vento, lembrando (e muito) o processo descrito na trilogia Matrix. Contudo, enquanto em Matrix você tem a coexistência de dois mundos, em Link's Awakening a ilha precisa desaparecer para Link voltar ao mundo real. O jogo está mais próximo apenas do primeiro filme , e acaba não permitindo muita reflexão sobre a ilha ou mesmo o estado de sono em que Link e o Peixe-Vento se encontram, meio que empurrando o jogador a destruir a ilha e acordar a "baleia voadora". Não vou entrar no mérito de que baleias são mamíferos, pois o nome do ser é Peixe-Vento